O QUE É QUE O TRABALHO TEM QUE VER COM SAÚDE MENTAL? TUDO , E AS EMPRESAS SABEM
2024-05-29 13:41:07

Uma newsletter sobre trabalho, emprego, carreiras, liderança e produtividade, que não esquece as novas tendências no mercado laboral. Já temos a distância necessária para tirar conclusões: muito pouca coisa ficou da pandemia, mas a atenção que se dá à saúde mental não foi uma delas. E ainda bem. Hoje há cada vez mais a percepção de que é importante falar sobre saúde mental e procurar ajuda quando é precisa. As empresas não estão alheadas. Em primeiro lugar, porque as afecta onde dói mais: no bolso. Sem saúde mental, a produtividade baixa, o absentismo aumenta. Em Portugal, estima-se que o stress custe cerca de 5,3 mil milhões de euros por ano às empresas, de acordo com um relatório de 2023 da Ordem dos Psicólogos. Parece que isso começou a entrar no radar das empresas. Há cada vez mais empresas em todo o mundo a oferecer benefícios relacionados com a saúde mental aos seus trabalhadores. São coisas como psicoterapia gratuita, acesso a apps especializadas ou programas de bem-estar, que podem incluir coisas como meditação ou aulas de yoga. Dos EUA (de onde mais poderia ser?), chega-nos a notícia de que há uma empresa a oferecer terapia assistida por psicadélicos (neste caso, com ketamina) aos seus trabalhadores como benefício, escreve o Financial Times. A empresa é a Dr Bronner s, especializada em produtos de banho, e será uma das primeiras a oferecer este tipo de benefícios. A maior parte não é tão ousada , mas também não precisa. Foquemo-nos em Portugal. Na Doutor Finanças, empresa de aconselhamento financeiro com cerca de 240 trabalhadores e escritórios em Algés, desde a pandemia que os trabalhadores têm direito a consultas de psicoterapia, online, gratuitas e "totalmente confidenciais", especifica a directora de recursos humanos, Irene Vieira Rua. Sublinha que isso faz parte de uma estratégia mais ampla: "O que queremos criar é um ambiente onde a segurança psicológica seja inequívoca, onde as pessoas se sintam com espaço para falar e onde a sua opinião é ouvida, onde possam ser inteiras", descreve. "Quando estamos a falar do apoio psicológico, já estamos a falar de algo correctivo. Mas o que queremos é prevenir, seja ao dar condições às pessoas para que não vejam a sua saúde mental fragilizada, seja com iniciativas que promovem a segurança psicológica, com o feedback regular." A par das consultas, há também um programa de bem-estar para os trabalhadores a que chamam "o bloco" , "onde se operam bons momentos", remata. Não é inédito da Doutor Finanças (há empresas com programas semelhantes em todo o mundo), mas que aqui toma a forma de aulas de paddle ou de dança. Serve para "optimizar o bem-estar", seja físico, seja social , isto porque fortalecer os laços com os colegas também pode ser um elemento protector. Estas são "tendências" na área do bem-estar que se vão "generalizando", descreve o Bastonário da Ordem dos Psicólogos, Francisco Miranda. As consultas gratuitas, como na Doutor Finanças, estão no topo da lista. Mas há mais coisas. Por exemplo, "organizações que montaram programas para o desenvolvimento das suas lideranças, de modo a que não incorram em comportamentos que possam ser de assédio ou intromissão na vida pessoal dos trabalhadores". Há também empresas que têm programas para desenvolver a literacia em saúde mental dos trabalhadores "para que todos entendam melhor e se consigam proteger" , a si e aos outros. E ainda boas práticas que se podem implementar associadas à organização do trabalho. Por exemplo, em locais onde se trabalha principalmente com computadores, promover, em cada turno, alguns minutos de "pausa digital". "Há sempre duas dimensões disto, a individual e a organizacional. Nenhuma substitui a outra. Precisamos, individualmente, de estar preparados para gerir o que existe sempre no trabalho, as fontes de stress", afirma o Bastonário. "Mas também há a dimensão organizacional." Quem está no "topo da organização" tem de entender que,"se não for acautelada", a falta de saúde mental e bem-estar "põe em causa a sustentabilidade e sobrevivência da própria organização, porque não vai conseguir captar talento, vincular as pessoas e mantê-las devidamente motivadas". Apesar da "preocupação cada vez maior" , que cada vez mais se traduz em mudanças na prática -, há empresas que ainda não passam do "marketing, mental health washing". Falta de visão, acredita Francisco Miranda, uma vez que "o bem-estar está associado à produtividade." É "estratégico", diz-me. É essencial, acrescento. Trabalho ExtraEsta empresa de Braga quer trabalhadores cultos , e faz por isso A dst group, empresa da área da engenharia e imobiliário, faz da sua bandeira a promoção da cultura junto dos seus trabalhadores. Por isso se incentiva a que se discutam filósofos à hora do almoço, ou que se organizem sessões de "Leitura Furiosa" durante o expediente. Amílcar Correia falou com José Teixeira, presidente do dst group. Os 50 anos do salário mínimo nacional Em 1974, quando foi aprovado o decreto-lei que previa que os trabalhadores por conta de outrem não poderiam receber menos de 3300 escudos por mês (o equivalente a 16,5 euros ou a 629 euros se considerarmos a inflação de 2023), a decisão teve efeitos na vida de 50% da população activa. O que aconteceu entretanto? Raquel Martins traça o retrato. Como funciona o prémio salarial para recém-licenciados? Quem pode concorrer? Como é pago? A quem pode chegar este "prémio" que tem como objectivo facilitar a transição entre a vida académica e a entrada no mercado de trabalho? Neste podcast do PÚBLICO, Pedro Ferreira Esteves e Raquel Martins respondem a estas dúvidas. Entretanto, soubemos que, a apenas alguns dias do fecho das candidaturas, 158 mil jovens já o pediram.