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ENTRE AS BATERIAS E O SOL, À PROCURA DE UMA GESTÃO MAIS INTELIGENTE DA ENERGIA

Expresso Online

2024-05-29 21:15:08

Miguel Prado Jornalista A Cleanwatts, de Coimbra, está a desenvolver um projeto para instalar 1 megawatt em baterias dispersas por várias comunidades de energia, procurando mostrar que há espaço na nossa matriz energética para projetos de pequena escala distribuídos pelo território Com sede em Coimbra, mas com o capital dominado pela norueguesa Verdane, a portuguesa Cleanwatts tem em marcha um projeto para instalar baterias em algumas comunidades de energia. Um investimento de pequena escala, quando comparado com os grandes projetos que vão surgindo no país. Mas que tenta provar que a transição energética também será feita de produção descentralizada e uma gestão mais inteligente não só da oferta mas também da procura. Luísa Matos, a presidente executiva (CEO) da Cleanwatts, conta ao Expresso que um dos projetos que a empresa tem em mãos, e que é apoiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), visa instalar 1 megawatt (MW) em baterias. “Ainda não estão instaladas. Estamos a encomendar para instalar em algumas comunidades, provavelmente umas cinco ou seis”, explica a gestora, indicando que a ideia é agregar esses projetos numa central elétrica virtual, um conceito no qual a Cleanwatts vem apostando há alguns anos. A ideia das virtual power plants (VPP) é juntar os volumes gerados em pontos de produção de eletricidade dispersos, com ou sem baterias, oferecendo essa energia em pacote, e otimizando diferentes perfis de produção, dando à rede alguma flexibilidade. Com a crescente penetração das fontes renováveis e com políticas energéticas focadas em metas mais ambiciosas de incorporação de energia limpa, as redes elétricas vêm enfrentando vários desafios no equilíbrio entre o consumo, muito variável ao longo dia, e a oferta, que vai oscilando de hora a hora. Um dos objetivos da Cleanwatts é aliar a tecnologia e os dados ao negócio da produção e armazenamento de eletricidade, fomentando uma gestão mais inteligente da energia. Muito do futuro da empresa joga-se na capacidade ou incapacidade de otimizar o uso da informação. Em vários aspetos no domínio energético. “Estamos também envolvidos na mobilidade elétrica, a testar um algoritmo”, observa Luísa Matos. No caso do projeto apoiado pelo PRR para instalar baterias em comunidades de energia, a CEO e co-fundadora da Cleanwatts indica que se trata de um projeto para “terminar daqui a um ano e pouco”, quando a empresa já terá resultados para reportar. O investimento ficará próximo dos 2 milhões de euros, o que inclui não apenas as baterias (cerca de 1 MW) mas também outras dimensões do projeto. E enquanto prepara em Portugal essas comunidades dotadas de baterias, no país vizinho a Cleanwatts está a trabalhar numa solução digital para comunidades de energia, juntamente com a espanhola Vergy. Não é, de resto, o único mercado externo da empresa de Coimbra. A Cleanwatts também tem feito projetos na Suécia e em Itália, indica Luísa Matos. “Existem oportunidades muito interessantes na Europa para monetizar a flexibilidade. O mercado está a abrir”, sublinha Luísa Matos, que continua a deter uma pequena participação na Cleanwatts, juntamente com outros fundadores, mesmo depois da entrada na estrutura acionista de outros investidores, como a empresa norueguesa de private equity Verdane (com mais de 50%) e a Portugal Ventures, entre outras entidades. No domínio das comunidades de energia, ainda em fevereiro deste ano a Cleanwatts havia anunciado o lançamento de um projeto em Albergaria-a-Velha, Aveiro, com a empresa Metalusa. Nesse projeto a Cleanwatts assumiu o custo dos painéis fotovoltaicos instalados na cobertura da fábrica (630 kilowatts), procurando recuperar o investimento através da partilha dos ganhos (poupança de eletricidade) por parte dos membros da comunidade de energia. E algumas localizações, como armazéns, são particularmente propícias à aposta em comunidades de energia, já que têm coberturas com capacidade para produzir mais eletricidade do que a consumida localmente, permitindo a partilha da energia com outros consumidores. Baterias já dão “um retorno bastante interessante” Luísa Matos olha para as baterias com otimismo. Garante que já proporcionam “um retorno do investimento bastante interessante”. Luísa Matos considera que as baterias já são um bom negócio. “A solução que estamos a lançar no mercado para clientes industriais permite um payback de seis anos, com poupanças de 55% a 65% na fatura de eletricidade”, defende a co-fundadora da Cleanwatts. Mas para isso é necessário otimizar a gestão da produção fotovoltaica (cuja oferta difere do perfil de consumo da maior parte dos consumidores), mas também criar condições para fazer uma arbitragem com os diferentes preços, hora a hora, da eletricidade no mercado, fazendo uso das melhores tarifas. Na Cleanwatts Digital (que representa a maior fatia do grupo), trabalham 60 pessoas (não só na sede, em Coimbra, mas também em Lisboa e no Porto) e o volume de negócios anual ronda os 6 milhões de euros. Nos últimos anos os painéis fotovoltaicos registaram uma significativa queda de preços no mercado internacional, baixando de mais de 2 dólares por watt em 2010 para apenas 0,26 dólares por watt em 2022. Dados da plataforma Pvxchange.com indicam que hoje é possível comprar módulos fotovoltaicos de baixo custo a apenas 8 cêntimos de euro por watt. E nas baterias? Luísa Matos admite que a redução de custos também tem sido assinalável. “Já conseguimos ter soluções viáveis, mas a existência de apoios podia servir como acelerador”, observa a co-fundadora da Cleawatts.