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CORTE ATÉ 500 EUROS NO IMI DE PRÉDIOS QUE PRODUZAM ENERGIA

Jornal de Notícias

2024-06-05 06:00:07

Câmara do Porto vai incentivar instalação de dois mil painéis solares na cidade. Bairros integrados na mesma estratégia hermana.cruz@jn.pt ambiente A Câmara do Porto vai atribuir um desconto de 500 euros no IMI a quem produzir energia elétrica no telhado da sua habitação ou empresa. Trata-se de uma das medidas inseridas num plano, apresentado ontem, e que visa um investimento global de 2,2 mil milhões de euros para a cidade atingir a neutralidade carbónica em 2030. Entre 2004 e 2021, a cidade do Porto já conseguiu reduzir em 42% as suas emissões de gases com efeito de estufa (GEE). Mas não chega. Para se tornar uma cidade com neutralidade carbónica dentro de seis anos, é preciso conseguir uma diminuição de 86,8%. O plano, denominado Contrato Climático do Porto, representa “um compromisso ambicioso”, admite o vice-presidente da Câmara do Porto, Filipe Araújo, vincando que vai ter que mobilizar desde o setor público, ao privado, ao social, às universidades e à sociedade civil. Ou seja, todos vão ter que fazer a sua parte, incluindo os cidadãos. COMUNIDADES ENERGÉTICAS No total, está previsto um investimento de 2 200 803 euros até 2030 e a Câmara do Porto pretende dar o exemplo. Uma das medidas que irá implementar, segundo Filipe Araújo, será a atribuição de um desconto até 500 euros no IMI por cada kilowatt (KW) de potência a todos os imóveis que produzam energia elétrica. Uma redução que vigorará, pelo menos, durante três anos. “Uma medida é passarmos a produzir energia nos telhados da cidade. Contamos atingir as duas mil casas até 2030”, estima o vereador com o pelouro do Ambiente, antecipando que, para tal, a autarquia irá ter que disponibilizar oito milhões de euros. Outro projeto passa por replicar em todos os bairros a comunidade energética que está a ser criada no Amial. “Vamos disponibilizar seis milhões de euros para se passar a produzir energia em todos os telhados dos bairros sociais da cidade", explica. TRANSPORTES PÚBLICOS Dos bolsos da autarquia vão sair 476,3 milhões de euros até 2030, que serão aplicados ainda na eletrificação total da sua frota, na criação de mais espaços verdes, no reforço da reutilização da água e da reciclagem, além da redução dos preços dos transportes públicos. Daí o recente anúncio da oferta de 22 viagens simples para duas zonas para os titulares do cartão Porto. O reforço do uso dos transportes públicos será a medida com maior peso na redução das emissões de gases com efeito de estufa, uma vez que o setor representa 40% da poluição existente na cidade. Segundo o vice-presidente da Câmara do Porto, nessa área, terão que ser aplicados 1,2 mil milhões de euros. “O Porto ainda é uma cidade onde as pessoas fazem muito uso do cano. Temos que mudar esse paradigma, criando linhas de transporte eficientes, acessíveis e que cumpram horários”, diz. Município apresenta pacote de medidas para o concelho atingir a neutralidade carbónica em 2030 PORMENORES Contrato Climático O Contrato Climático do Porto, que foi apresentado no Fórum Energia e Clima, resulta do Pacto do Porto para o Clima, lançado em 2022 e que levou o município a ser selecionado pela Comissão Europeia para integrar um grupo de 112 “Cidades Inteligentes e com Impacto Neutro do Clima”. Conta já com a adesão de 50 entidades. Cidades portuguesas São três as cidades portuguesas que estão entre as 112 cidades europeias selecionadas pela Comissão Europeia para integrar a Missão "Cidades Inteligentes e com um Impacto Neutro no Clima”. Visa antecipar a neutralidade carbónica de 2050 para 2030. Além do Porto, constam Lisboa e Guimarães. Peso dos privados Dos 2,2 mil milhões de euros, prevê-se que tenham que ser investidos 139,1 milhões de euros por privados (6,3%) e 187,6 milhões de euros pelos cidadãos (8,5%). Hermana Cruz