VOLT - NÃO PARECE, MAS É REAL
2024-06-13 21:15:19

TESLA CYBERTRUCK EURN.D. Quer se ame ou se odeie o design , e já lá vamos ,, a Cybertruck não tem comparação com qualquer outra viatura. Muito já se disse sobre o formato e estilo deste Tesla, desde a total ridicularização até à divinização. Será a Cybertruck apenas uma manobra de marketing de Elon Musk ou tem verdadeiro interesse enquanto “carro para toda a obra”? Para respondermos, em parte, a esta pergunta, fomos conhecer a besta . “Em parte” porque não nos foi possível conduzir a Cybertruck. Até porque este carro não está homologado para circular na Europa. E começamos por aqui: se é um daqueles que sonha em adquirir esta viatura para o doomsday , temos más notícias. Não é de esperar que este veículo chegue à Europa. Pelo menos não esta Cybertruck. Há referências sobre a possibilidade do lançamento, na Europa, da versão de tração traseira, certamente mais leve que os modelos até agora lançados (Cyberbeast e tração integral), que pesam cerca de três toneladas e têm uma capacidade de carga de cerca de uma tonelada. O que, na Europa exigiria uma carta de condução de pesados. Talvez a tal versão de tração traseira, com bateria de menor capacidade, consiga reduzir o peso bruto para menos de 3,5 toneladas. Mas há outras limitações regulamentares, talvez mais difíceis de ultrapassar, como as arestas vivas na frente no carro, que não respeitam a regulamentação europeia relativa à segurança dos peões. Claro que a Tesla pode sempre fazer um modelo adaptado à realidade europeia. Bastaria, por exemplo, adicionar algum tipo de frente que arredondasse os cantos da viatura, como elementos em plástico, já que não será possível dobrar as arestas dos painéis em aço inox com entre 1,4 e 1,8 mm de espessura. Aliás, os painéis são quinados, não dobrados e terminam em arestas vivas. IMPRESSIONANTE Tudo na Cybertruck parece feito numa outra escala. A pick-up da Tesla mede quase 5,7 metros de comprimento e é capaz de rebocar quase cinco toneladas. Quando se fala de desempenho, os números são ainda mais avassaladores, já que a aceleração dos 0 aos 100 km/h é conseguida, na versão besta , em menos de três segundos. Uma aceleração típica de superdesportivo num veículo, repetimos, de três toneladas! A caixa de carga representa, aproximadamente, um terço do comprimento do carro. Ainda assim, disponibiliza uma área de 1,852 metros de comprimento por 1,295 metros de largura. O suficiente para, por exemplo, transportar uma pequena moto 4, até porque a porta traseira, quando aberta, prolonga a capacidade de carga. Tudo pareceu-nos extremamente sólido, mesmo os estores metálicos que permitem fechar a caixa de carga. Não experimentámos, mas garantiram-nos que suporta perfeitamente o peso de uma ou duas pessoas. Mas o espaço de arrumação não se fica por aqui: há uma enorme frunk frontal e um espaço de arrumação generoso debaixo da base da caixa de carga. E nem faltam os amortecedores hidráulicos para ajudar a levantar este alçapão. As dimensões extremas também trazem vantagens para o espaço interior. Há espaço para transportar cinco adultos à vontade. Aliás, parece-nos que seria perfeitamente possível ter um lugar extra entre os bancos da frente, como previsto no protótipo inicial. Em vez disso temos um espaço de arrumação amplo. STEER BY WIRE Outras marcas já mostraram e já prometeram, mas foi a Tesla a primeira a produzir um carro em série com tecnologia puramente steer by wire. Ou seja, sem ligação mecânica entre o volante e as rodas. Tudo acontece eletronicamente. Uma arquitetura que tem várias vantagens, desde a redução do peso (menos peças) à maior liberdade de design (posicionamento do volante). Mas, para o condutor, a maior vantagem é a direção direta, semelhante à de um carro desportivo. Na prática, isto traduz-se num ângulo de rotação pouco superior a 90 graus quando rodamos o volante do centro até ao limite esquerdo ou direto. O que significa que não temos de cruzar os braços, mesmo em manobras apertadas. E como é um sistema muito progressivo, não há o problema de perder o controlo do carro em alta velocidade. Esta arquitetura é especialmente útil em manobras apertadas. Situação em que há outra ajuda importante: as rodas traseiras também são direcionais. O que compensa, em parte, a distância entre eixos gigante (3,635 metros). Na verdade, o raio de curvatura do Cybertruck é melhor que o de um Model S. Esta pick-up está longe de poder ser apelidada de ágil, mas deverá ser muito mais fácil de conduzir do que aparenta devido a esta tecnologia. Ainda no campo das novidades tecnológicas, este Tesla também é o primeiro a usar um sistema elétrico de 48 volts em vez do habitual sistema de 12 volts , referimo-nos ao sistema elétrico de baixa voltagem para controlar os diversos dispositivos elétricos. Isto significa que a bateria de baixa voltagem é de 48 volts (iões de lítio) e não a de 12 volts a que estamos habituados. A grande vantagem desta solução é que permite usar cabos de menor espessura (mais volts e menos amperes para a mesma potência) e distribuir maior potência para os sistemas auxiliares, como iluminação, ar condicionado e outros dispositivos de apoio. Ainda na componente elétrica, este também é o primeiro Tesla a suportar carregamentos de 800 volts , os outros Tesla até agora lançados usam uma arquitetura de bateria e motor de 400 volts. O que permite tirar partido de mais postos ultrarrápidos. Segundo alguns testes independentes, a Cybertruck consegue carregar a uma potência máxima superior a 300 kW, embora o a Tesla indique 250 kW. Estima-se que, dos 10 aos 80%, o tempo de carregamento seja de cerca de 40 minutos. De outro modo, será possível recuperar uns 200km de autonomia em 15 minutos de carregamento num posto ultrarrápido. Não é possível atribuir uma nota a um carro que não conduzimos. E que, provavelmente, nunca vamos conduzir na Europa. Mas ficámos verdadeiramente impressionados. Para começar, pela qualidade dos acabamentos. O espelhado e o alinhamento dos painéis de aço inox demonstram que a Tesla tem uma capacidade de fabrico ímpar na indústria. Isto porque todos sabem quão difícil é trabalhar o aço inox. Confessamos que não esperávamos encontrar este nível de qualidade. Que também se repercute nos outros painéis e elementos. Depois, a solidez e resistência. Parece, quase, um tanque. Podemos pontapear as portas sem consequências, os vidros aguentam pedradas Até o ecrã LCD central está fixado de uma forma como nunca antes vimos. Quanto à tecnologia de infoentretenimento e segurança, não nos vamos repetir, já que, basicamente, é a mesma que já conhecemos de outros Tesla: do melhor que há atualmente no mercado. PRIMEIRA OPINIÃO Mas fará sentido? Talvez para um texano, mas não para a nossa realidade. É, simplesmente, demasiado grande para o dia a dia. Não cabe nos lugares de estacionamento normais, não entra em muitas garagens, terá dificuldades em passar nas ruas estreitas das vilas e cidades europeias. Em termos de dimensão, a Tesla Cybertruck é mais comparável a um pequeno autocarro do que a uma pick-up típica. Depois, a quantidade de material necessária para produzir este veículo roça o obsceno. Por mais sustentável que sejam as matérias-primas, a Cybertruck vai no sentido contrário do que o mundo precisa. Não nos referimos apenas à questão ambiental. Também não é sustentável na forma como interage com outros veículos e peões e no espaço que ocupa na estrada , imagine como seria o trânsito se todos os carros medissem mais de cinco metros e meio de comprimento. Agora, como exercício de tecnologia e de demonstração do potencial dos veículos elétricos, a Cybertruck vai, certamente, ficar na história da indústria automóvel. Tem, mesmo, muita inovação e é, certamente, disruptiva. Há quem diga que este veículo começou a ser projetado para transportar astronautas em Marte Para um carro de caráter militar, o conforto é elevado. O ar condicionado, por exemplo, é muito sofisticado Espaço no interior? Muito e com vista privilegiada para o exterior Há espaço para quase tudo e muitas zonas de arrumação, incluindo uma mala frontal generosa A capacidade de carga é de cerca de uma tonelada e a capacidade de reboque chega quase às cinco toneladas A bateria terá uma capacidade superior a 120 kWh, permitindo uma autonomia superior a 500 km A Tesla diz que a Cybertruck tem um comportamento excelente fora de estrada, mas parece-nos que as três toneladas de peso e a grande dimensão não são apropriadas para muitos trilhos de todo-o-terreno E X P E C T A T I V A tesla.com/pt 3 CARACTERÍSTICAS Motores 845 cavalos (estimado, versão Cyberbeast) . Acel. 0-100 km/h 2,7 segundos . Vel. Máxima 209 km/h . Bateria 120-130 kWh (estimado), autonomia 515 km (estimado, EPA) . Potência de carregamento 11 kW (AC) e 250 kW (DC) Na caixa de carga há tomadas de alta potência para alimentar máquinas elétricas ou mesmo uma casa Sérgio Magno