EDITORIAL - SIM, O FUTURO VAI MESMO SER ELÉTRICO... E ESTÁ CADA VEZ MAIS PRÓXIMO!
2024-06-14 21:15:20

“Lemos em todo o lado que já não há procura para os carros elétricos. Mas isso não é verdade”: a frase é do Presidente da Hyundai Motor Europe, que acrescenta como explicação que “Apenas nos habituámos um pouco rápido demais a taxas de crescimento anual de 60 ou 70%”. O CEO da Seat/Cupra concorda: “Não vejo nenhum ressurgimento do motor de combustão, apenas a normalização da procura por modelos elétricos”. E o da Audi resume assim a temática agora atual da evolução das vendas de automóveis elétricos estar em aparente declínio: “A atual relutância em comprar modelos elétricos na Europa e na América do Norte é um instantâneo no tempo. Isso não nos perturba. O futuro é elétrico”. De facto, têm-se sucedido as notícias e os comentários sobre o tema, umas anunciando a “quebra das vendas de elétricos em toda a Europa”, outros questionando a coerência de quem (como será o nosso caso) “não tem coragem” para falar disso Regra geral, tomando a parte pelo tudo, ao querer generalizar a todo o mercado uma realidade regional como é agora a da América do Norte e de alguns países europeus onde, por exemplo, o m dos incentivos estatais (ou a indecisão quanto à continuação dos mesmos) contribuiu para um abrandamento ou mesmo declínio das matrículas. E esquecendo (ou fazendo por isso) que, ainda que a venda de veículos elétricos possa não continuar a evoluir aceleradamente como até aqui (algo perfeitamente natural e que irá acontecer mais tarde ou mais cedo), o seu crescimento não é “uma moda passageira, mas sim uma tendência que veio para car”, como conclui aliás um recente estudo de mercado da Ayvens em destaque nesta edição. É isso que dizem os resultados desse estudo, mas não só: é exatamente isso que dizem também (pelo menos até agora) os números o ciais de vendas, tanto em Portugal como no resto da Europa Os dados da ACEA indicam que na União Europeia as matrículas de automóveis elétricos a bateria continuam em crescimento: entre janeiro e abril deste ano os registos aumentaram +6,7% comparativamente a igual período de 2023. E no mercado português o crescimento foi até bem maior: +17,7%. Considerando o acumulado do ano, de acordo com as estatísticas da ACAP a quota de mercado dos modelos BEV atinge agora os 16%, o que signi ca que em apenas 2 anos (face aos 5 primeiros meses de 2022) cresceu 6 pontos percentuais; nesse mesmo espaço de tempo, o share dos carros motorizados a gasolina diminui 3% e o dos veículos a diesel caiu 10%, de 18,5% em maio 2022 para 8,5% em maio último. Não valerá muito a pena recuar mais no tempo, já que a evolução dos últimos anos é por demais evidente: por exemplo, há exatamente 7 anos a oferta de automóveis elétricos era ainda escassa, mas a 1.ª edição da BlueAuto antecipava já uma verdadeira revolução no mercado automóvel com a transição dos motores tradicionais alimentados a derivados de combustíveis fósseis para uma nova geração de veículos movidos a energias alternativas, a começar pelos 100% elétricos a bateria. E hoje, 7 anos depois do lançamento , então como suplemento do jornal Público , do 1.º número desta publicação, a BlueAuto celebra a realidade agora incontornável da eletromobilidade, com toda a indústria automóvel já convertida à eletri cação; com as motorizações elétricas ou híbridas a dominarem largamente as estreias de novos modelos; e com a adesão dos consumidores bem patente nas mais recentes estatísticas de vendas e nas intenções reveladas pelos resultados de vários estudos de mercado. Não parece ser óbvio para todos, mas agora são mesmo os números e as tendências atuais , e não nenhuma crença ou profecia , a con rmar que, tal como a BlueAuto tem testemunhado ao longo destes 7 anos desde a 1.ª vez que prometeu partir “à descoberta do futuro do automóvel” e que antecipou que esse futuro seria elétrico, a transição energética está mesmo já em curso; a viagem rumo a uma mobilidade sem emissões não tem como voltar atrás; e esse futuro elétrico está até cada vez mais próximo .