OPINIÃO - A PANASQUEIRA, A UBI E ENGENHEIROS NO FUNDÃO
2024-06-14 21:15:21

jcpascoa@gmail.com A intervenção dos engenheiros não se esgota nos aspetos técnico-económicos de um determinado projeto, a presença e a dos engenheiros na comunidade é essencial para assumir na integra o seu papel na sociedade. E qual é ele? É simplesmente o de melhorar a qualidade de vida das pessoas. No passado dia 25 de maio o Fundão foi a capital da engenharia portuguesa, com a presença do Bastonário da Ordem, dos seus dirigentes nacionais e regionais, e em forte articulação com o Município do Fundão. Um dos momentos altos foi a palestra proferida pelo Engenheiro Carlos Jerónimo. A sua preleção alertou para os riscos ambientais das escombreiras resultantes das minas da Panasqueira no Rio, anexa da freguesia de Silvares. A plateia composta por mais de uma centena e meia de engenheiros foi alertada, entre outros, para os riscos inerentes às arsenopirites. A surpresa foi muita quando constataram que a água do Zêzere abastece a Barragem de Castelo de Bode, a qual é a grande fonte de água da região de Lisboa. Ficou ainda demonstrado que a única entidade que tem procurado mitigar e controlar os danos tem sido o Município do Fundão. Em Portugal algumas minas abandonadas têm sido objeto de contratos de recuperação ambiental estabelecidos entre o Estado Português e a EDM - Empresa de Desenvolvimento Mineiro S.A., mas no caso da zona do Rio - Silvares não houve até ao momento um desenvolvimento positivo. Esta zona é vítima do próprio sucesso das Minas da Panasqueira, como ainda estão em laboração não estão abandonadas, e parece que não são passíveis de ser inseridas nos contratos de recuperação ambiental. Por outro lado, o poder negociai da empresa que detém a concessão, e que labora atualmente centrada na Barroca Grande, é suficiente para impedir que o estado a force a pagar a recuperação ambiental das escombreiras no Rio - Silvares. Só quando ocorrer um derrame, e Lisboa ficar sem água potável, é que o país acorda. Mas todos desejamos que esse dia seja lá para as calendas gregas. A excelência da engenharia iniciou-se com “Imhotep”, historicamente o primeiro dos engenheiros, há 4700 anos no Egipto, e que eram considerados semideuses. Carlos Jerónimo, formado na UBI há algumas décadas, veio demonstrar que a Engenharia conjuga com arte a ciência, a técnica, a economia, mas também a preocupação social. A UBI pode estar orgulhosa dos engenheiros que forma com qualidade e valor. A Ordem dos Engenheiros reconheceu isso mesmo nas palavras do seu Bastonário, que em repetidas visitas à UBI tem elogiado a excelência dos engenheiros ali criados. A engenharia da UBI desenvolve a região, o país, e também se espalha pelas diversas partes do mundo, em função da ambição e desejo pessoal dos engenheiros. E foi talvez por essa razão que nessa ocasião se homenageou um dos grandes formadores de Engenheiros da UBI, o Professor Doutor Engenheiro João Lanzinha que recebeu o prémio de mérito da mão do Bastonário e da Presidente Regional. Além de uma referência ria vertente técnico-económica, trata-se ainda de um engenheiro-cientista com múltiplos trabalhos científicos publicados em todo o mundo. E, mais uma vez, a Ordem dos Engenheiros reconhece alguém que também tem um perfil de intervenção social. Sendo ainda de destacar as dezenas de antigos alunos que, estando presentes na ocasião, elogiaram o professor da Faculdade de Engenharia da UBI. Espera-se que o dia também tenha servido para alertar a plateia, onde pontuavam os líderes da engenharia. para a necessidade de olhar de novo para a problemática das escombreiras no Rio - Silvares. As calendas gregas nunca chegaram, elas apenas existiriam mais tarde no calendário romano. Mas, a partir de agora, sempre que um Engenheiro saborear uma cereja do Fundão vai lembrar-se de influenciar no sentido de resolver o problerna das escombreiras, porque há chuvas e cerejas todos os anos! José Páscoa