CONVERSA CAPITAL EMANUEL PROENÇA - MINA DE BOTICAS VAI CUSTAR ATÉ 390 MILHÕES - ENTREVISTA
2024-06-17 21:15:40

CONVERSA CAPITAL EMANUEL PROENÇA CEO DA SAVANNAH RESOURCES Mina de Boticas vai custar até 390 milhões Depois de já ter gasto 40 milhões para avaliar o potencial do lítio em solo transmontano, a britânica Savannah Resources prepara-se para investir mais 300 a 350 milhões na fase de construção da mina. 0 início da operação de extração de minério está previsto para 2026. barbarasilva@negocios.pt ROSÁRIO LIRA, ANTENA 1 PEDRO CATARINO Fotografia P resente no país há sete anos, a mineira britânica Savannah Resources diz estar cada vez mais perto deconcretizaroprojetodaminade lítio do Barroso, na região de Boticas. Para isso, conta ter o licenciamento ambiental concluído ainda este ano (ou início do próximo) e arrancar com a operação em2026. Até lá terá de investir em força. Quando poderá ficar concluído o licenciamento ambiental da minado Barroso? Em 2023 recebemos uma Declaração de Impacto Ambiental positiva condicionada por parte da Agência Portuguesa do Ambiente. O documento tem mais de 100 páginas e mais de 180 medidas que temos de cumprir ao longo da execução do projeto. Estamos agora a trabalhar no relatório de conformidade ambiental, que decorre em paralelo com a fase de engenharia de detalhe, antes de entregar o projeto a uma empresa construtora e a um conjunto de fornecedores de equipamentos para o colocar em marcha Até ao final do ano, início do próximo, contamos entregar o projeto de engenharia e o relatório de conformidade ambiental Quanto é que já investiram no projeto até agora e quanto ainda vão investir? Há sete anos, a Savannah concentrou esforços no projeto do Barroso, pela dimensão que ele tem, e foi fazendo o trabalho de confirmação do minério. Ao dia de hoje, a empresa está 100% focada aqui. Já investimos cerca de 40 milhões de euros na fase de compreensão dos recursos. É muito dinheiro, que permitiu ter um conhecimento muito aprofundado e uma confiança enorme. O que temos pela frente é maior e mais relevante. São cerca de 300 a 350 milhões de euros de investimento direto previsto para este projeto até à entrada em operação. Isso vai acontecer quando? Qual o volume de lítio que esperam obter em Boticas? A partir do final de 2026. É esse o nosso plano. Temos tudo alinhavado para que na segunda metade de 2026 entremos em produção e comecemos a trabalhar. Só no projeto da Savannah Resources vamos produzir espodumena de lítio suficiente para fazer entre meio milhão e um milhão de veículos elétricos por ano. Estão à procura de um parceiro para o projeto. Quando vão anunciar quem é? Espero que muito em breve. Mas o trabalho de construção e contratualização destas parcerias tem sempre alguma incerteza relativamente ao prazo específico de fecho. Este parceiro poderá entrar com capital para investir? Eventualmente. Há várias opções em cima da mesa e têm configurações diferentes. Também precisam de compradores. 0 lítio que vão produzir já está todo vendido? Não, ainda não está, por decisão nossa. Este processo de construção de parcerias tem também um valor adicional, pelo facto de ter o lítio acoplado. Portanto, fazemos a discussão dos vários elementos de valor em conjunto. Mantêm a previsão de 300 milhões em receitas anuais? As receitas dependerão do valor a que estiver a ser cotado o lítio no mercado e da capacidade que teremos de o colocar em bons termos comerciais nos vários destinos. Os 300 milhões estão no nosso plano, que foi anunciado ao mercado, mas espero que possamos fazer mais e melhor. Quanto melhor vendermos o lítio, mais valor geraremos para os nossos acionistas e mais impostos e “royalties” pagaremos ao Estado. Tem noção do posicionamento do novo Governo face à exploração de lítio? Eu creio que a posição do Governo será a que faz sentido para o país. Foi público, de forma discreta mas bastante clara, que o Governo acredita que há aqui uma oportunidade e que o país deve aproveitá-la e trabalhá-la. Já reuniram com o novo Executivo? Tivemos contactas sobretudo ao nível dasecretaria de Estado da Energia. Antes de serem políticos, os projetos da fileira do lítio são de de interesse estratégico paraopaís. Mais do que a posição do Governo anterior ou deste, é consensual que temos de agarrar oportunidades. Espero que compreendam o valor do que podemos aportar ao país. ¦ Na região de Boticas, a mina de lítio do Barroso enfrenta a contestação da população e do poder local. A Savannah já assegurou mais de uma centena de terrenos para avançar com o projeto, mas quer mais. Já têm 100 terrenos na região de Boticas. Vão precisar de mais? A concessão do Estado atribui-nos uma área de cerca de 600hectares para o uso industrial. Não é uma área enorme, mas é considerável. Esses 600 hectares ocupam uma área numa região que tem muita fragmentação de propriedade. Ao mesmo tempo que estamos a fazer aquisições de terrenos, estamos também a levar a cabo trabalho de mapeamento cadastral. Esses 100 terrenos permitiram-nos fazer o trabalho até aqui, mas já te mos mais 15 novos contratos de promessa de compra e venda. As aquisições continuam a avançar. Quantos mais vão comprar? Não tenho um número exato, mas ainda temos bastantes terrenos para adquirir, ou para contratos de arrendamento ou utilização. Foram acusados de usurpar terrenos baldios. Essa acusação não faz absolutamente nenhum sentido. E parte da narrativa que foi construída ao longo dos últimos anos. E normal que haja oposição. Nenhum projeto agrada a todos. E normal que haja grupos de pessoas ou entidades que são exigentes para com os projetos. Mas não é saudável que essa exigência seja assente em deturpação, difamação ou mentira. Há uma linha vermelha que é importante traçar. Tendo em conta que terão de pagar “royalties” ao município, como veem a oposição da Câmara Municipal de Boticas? A nossa melhor estimativa, ao dia de hoje, é que para o município vão 10 milhões de euros por ano. Para um município que tem um orçamento na ordem dos nove a 11 milhões de euros, é um contributo muitíssimo significativo. Ao longo dos anos o projeto não se explicou da melhor forma. E isso fez com que fossem tomadas ações, decisões ou posicionamentos que podiam ter sido evitados. O meu papel agora é tentar fazer ver o que o projeto pode trazer de bom à região. E depois o presidente da Câmara, os membros das juntas de freguesia, a população, os empresários, fazem o seu juízo e tomam a sua posição como acharem. Ainda têm processos em tribunal por resolver? Houve várias questões que foram colocadas em tribunal e que estão a ser analisadas e avaliadas. Não nos colocam nenhuma preocupação. Sabemos atender a todas elas no devido momento, seja em tribunal, seja por discussão direta, que evite o arrastar de um processo em tribunal. 0 Ministério Público disse que a Savannah vai construir uma estrada em troca do “sim” do município à mina. Há efetivamente uma estrada que está prevista e que vai ligar a mina à autoestrada. A construção desse acesso rodoviário, por coincidência, tem compatibilidade com uma preocupação que a regiãojátinhahámuitos anos. Estamos apreparar-nos para fazer essa obra, que faz parte do projeto e das condições impostas pela Declaração de Impacto Ambiental condicionada. E a melhor forma de evitar que os camiões passem pelas aldeias e centros populacionais. A Câmara de Boticas já aceitou esta obra? Acredito que vá apoiar, por“ que serve a população local. É importante ter um português à frente do projeto? O trabalho no terreno serámuito mais intenso nos próximos tempos. E muito aconselhável que haja liderança local, e que a empresa se torne cada vez mais portuguesa. ¦ EMANUEL PROENÇA CEO DA SAVANNAH RESOURCES Projeto “não depende de haver unia refinaria em Portugal” A Galp saiu do consórcio para promover a cadeia de valor das baterias em Portugal no âmbito do PRR. Mas o responsável da Savannah garante que mantém o interesse e isso não põe em causa a agenda mobilizadora. BÁRBARA SILVA barbarasilva@negocios.pt ROSÁRIO LIRA, ANTENA 1 PEDRO CATARINO Fotografia OC EO da Savannah Resources não esconde a preferência face a um cenário em que o lítio extraído em Boticas possa em Portugal. Ainda não é obrigatório e o projeto poderá alimentar uma qualquer refinaria que venha a ser construída na Europa. Uma mina de lítio em Portugal poderá ter impacto na indústria automóvel? E isso que espero. A Autoeuropa tem planos de transformação para a mobilidade elétrica. E também as fábricas de Cacia e Mangualde. Todo este aparelho produtivo nacional tem de migrar para as melhores oportunidades de crescimento no setor. Além disso, há a possibilidade de atração de mais fábricas e de mais investimento para Portugal. E necessário que, ao longo dos próximos 10 anos, a Europa e o mundo construam cerca de 200 gigafábricas de baterias. Se o projeto da Savannali já estivesse a produzir, teria 2,5% da base mineral de lítio do mundo, o que significa que o país poderia ter cinco destas gigafábricas. Já são conhecidos planos nesse sentido? Há vários que são públicos, em várias fases da fileira do lítio. A Galp e a Northvolt criaram a “joint venture” Aurora, para fazer uma refinaria na região de Setúbal. E conhecido também o objetivo da Lifthium, uma empresa detida pelo grupo Bondai - ti, de fazer uma a duas refinarias de lítio entre Portugal e Espanha. E também o investimento da chinesa Calb, em Sines, no valor de muitos milhares de milhões de euros para produzir baterias. E espero que venham muitos outros. Esses projetos não têm decisões finais de investimento tomadas. Há o risco de irem para outras geografias? Risco há sempre e a decisão caberá aos promotores. Cada um toma as suas decisões à medida que os projetos vão evoluindo. 0 projeto da Savannah depende da existência de uma refinaria em Portugal? Ou o lítio pode ir para outro país? Não depende. A estratégia de Bruxelas vai fazer com que haja muitas refinarias de lítio, muitas fábricas de baterias e de veículos elétricos na Europa, que vai precisar deste mineral e nós podemos ajudar a suprir. Vai precisar do nosso lítio e do de outros projetos. 0 ideal seria que o lítio de Boticas ficasse em Portugal, em vez de ser exportado. Isso [ser exportado] não é o ideal. E aumenta mais ainda a situação atual: minerar lítio no Chile, no deserto do Atacama, para ir ser refinado à China, ser transformado em veículos elétricos lá, ou na Europa, ou noutro sítio, para ser consumido na Europa. A pegada carbónica associada a tudo isto é muito considerável. Temos a sorte de estar a produzir na Europa. Esperam vender o vosso lítio à Galp, à Bondalti ou à çalb? E uma hipótese, mas há um conjunto de outras hipóteses. Qual é a localização da refinaria que vai trabalhar convosco? Não posso adiantar informação relativamente a isso, porque dependerá dos processos de parceria que estamos a trabalhar. Mas ficará na Europa? Espero que seja em Portugal, porque é mais benéfico, mas será claramente na Europa. Para nós é importante que a nossa base de lítio fique na Europa, porque otimiza o nosso projeto e faz com que nós estejamos a responder ao repto europeu. A Galp saiu do consórcio da cadeia de valor das baterias do PRR. A Savannah mantém o interesse? Mantém, sim. A Galp teve em análise, durante bastante tempo, a sua continuidade nesta agenda mobilizadora. Saiu por duas razões bastante válidas. Primeiro porque o projeto da refinaria de lítio em Setúbal é muito complexo, do ponto de vista técnico e, portanto, demora a executar. O PRR tem prazos de execução bastante curtos, logo não seria compatível. E segundo, pelo facto do PRR ter um quadro de funcionamento que para o projeto deles, em particular, não era o mais adequado. Havia nos Estados Unidos mecanismos de apoio particularmente interessantes e, noutros quadros europeus também. Por isso acho que é bom a Galp ter chegado a esta decisão. A cadeia de valor das baterias envolve outros players do setor que mantêm interesse em fazer avançar o projeto. 0 Governo já manifestou que quer ter uma refinaria de lítio em Portugal? Não nos foi colocado dessa forma, mas creio que é evidente que o Estado português quer que a fileira se desenvolva e, portanto, haja investimentos em todos os passos da cadeia de valor. 7,5 % da Savannah já está nas mãos de investidores portugueses. Querem fazer crescer esta percentagem para quanto? Não há um número. Hoje já são mais de 7,5%. Continua a haverportugueses interessados em fazer parte deste projeto, também na componente acionista. Pretendem concorrer a novas concessões de lítio? Quando surgir o momento, analisaremos as oportunidades. Estamos empenhados no projeto da mina do Barroso e empenhados em levá-lo até à produção. Mas quando se colocar a questão, olharemos para as oportunidades com muita atenção. Portugal precisa de sinalizar ao mundo que consegue levar projetos destes à execução para que o mundo tenha interesse num processo de leilão de novas áreas de concessão, por exemplo. Falou com o Governo sobre o novo concurso de lítio? Não era o foco da conversa. O nosso projeto está aqui e nós estamos focados desenvolvê-lo. Não vamos para lado nenhum. Mas, associados ao nosso projeto poderão vir bastantes outros e isso será bom para Portugal. ¦ A Savannah já conversou com mais de 100 empresas que querem embarcar no projeto de Boticas. Existe uma “shortlist”, mas o CEO não revela quantas passaram à fase final. O anúncio será feito em breve, disse ao Negócios e à Antena 1. Como está a correr a busca de parceiros? O processo está em curso e há cerca de um mês fizemos uma atualização, dizendo que está a avançar bem. Desde que começámos o processo, até ao momento atual, já falámos com perto de 100 empresas multinacionais, que incluem praticamente todos os grandes operadores dos setores mineiro, da refinação, produção de baterias e de veículos elétricos. Todos tinham interesse em compreender melhor o nosso projeto de Boticas e em falar de uma eventual parceria. E uma “montra” que faz com que estas empresas olhem para oportunidades de investirem Portugal. Com quantas podem estabelecer uma parceria? Ao longo das várias décadas de produção que temos pela frente, vamos ter de trabalhar com um conjunto alargado de empresas. Mas, por agora, queremos encontrar um primeiro parceiro que nos ajude a dar mais passos. E, na sequência disso, trabalharemos então, depois, com outros. Temos a capacidade de servir várias empresas. A procura pelo lítio está lá. E um mercado que está crescer, nos últimos anos, até 30% a nível mundial. Há mais projetos de lítio em Portugal, entre eles o da Lusorecursos. Têm contacto? Há outras empresas que têm projetos interessantes no país.com essas mantemos contacto. Mas com a Lusorecursos não? Nunca houve. Nem pretende ter? Não senti necessidade nenhuma de ter. Quero construir a reputação de um projeto sólido e trabalhar com muitos agentes do setor, mas não precisamos de estar com todos. Identifica problemas reputacionais no projeto da mina do Romano? Identifico vários desafios. Não conheço o projeto em todo o seu detalhe e interessa-me mais construir o meu próprio projeto e ajudar a desenvolver outros. Estamos a construir uma base que pode ser útil para todos. Além de criarmos uma força de trabalho qualificada no setor. Afirmam que vão criar entre 1.000 e 2.000 postos de trabalho indiretos. Em que setores? Com perto de 300 a 350 empregos diretos, vamos gerar até 2.000 postos de trabalho indiretos. Desde logo na prestação de serviços diretos à empresa, mas com efeitos colaterais na economia local. Estou a falar de transporte dos minerais e dos metais, serviços de manutenção das máquinas, de alimentação, alojamento, hotelaria, tudo aquilo que está associado ao desenvolvimento da atividade económica num território específico. ¦ PRIMEIRA LINHA II10 a 13 “Antes de serem políticos, os projetos da fileira do lítio são de interesse estratégico para o país/* “Espero que compreendam o valor do que podemos aportar/* “Ainda temos bastantes terrenos para adquirir” até chegar a 600 hectares PERFIL Da cortiça ao lítio e aos biocombustíveis Formado em Engenharia e Gestão Industrial pelo Instituto Superior Técnico, começou a carreira na consultora The Boston Consulting Group, passando por Lisboa, Paris, Londres, São Paulo e Rio de Janeiro entre 2007 e 2014. Em 2011, realizou um MBA no INSEAD, com passagens por Singapura e Fontainebleau, mas também pela Wharton Business School. Em 2014 integrou a empresa de capital de risco ES Ventures, onde trabalhou com startups europeias ligadas à alta tecnologia. No ano seguinte tornou-se CEO do Grupo Piedade, terceiro maior produtor de cortiça do mundo, tendo liderado o processo de fusão com o grupo francês Oeneo. Em 2016 chegou a administrador do Grupo Prio (produção de biocombustíveis), onde acumulou a gestão de várias empresas: Prio Supply, Prio Bio, Prio Gás e Prio Energy. Em setembro de 2023 tornou-se no primeiro português a ocupar o cargo de CEO da Savannah Resources. É o cofundador da Associação de Bioenergia Avançada, que presidiu até muito recentemente. Ainda temos bastantes terrenos para adquirir.” “É normal que haja pessoas e entidades exigentes. Não é saudável que a exigência assente em deturpação, difamação ou mentira.” “Se o projeto já estivesse a produzir, teria 2,5% da base mineral de lítio do mundo.” “A estratégia de Bruxelas vai fazer com que haja muitas refinarias de lítio.” “Associados ao projeto poderão vir outros e isso será bom para Portugal.” “Continua a haver portugueses interessados em fazer parte do projeto.” “Queremos um parceiro que nos ajude a dar mais passos” Respostas rápidas EMANUEL Proença.com vontade de contribuir para um país melhor. INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO Uma instituição pela qual tenho muito respeito, da qual gostei muito de fazer parte. Ajudou-me a ser melhor profissional e foi um bom ponto de partida para a construção de uma boa carreira. ROLHAS DE CORTIÇA Uma empresa que liderei, num momento complicado, e que continua a ter sucesso e a vender para o mundo todo. PRIO Orgulho de termos construído o líder da transição energética na mobilidade no país, a partir de Aveiro. Uma empresa que desafiou pela positiva um setor que precisava de ser desafiado. BARROSO Futuro. Sustentabilidade. Regionalização. MÉDIO ORIENTE Desafio geopolítico e geoestratégico. CORRUPÇÃO Algo que evidentemente devemos assegurar que não faz parte do nosso país. FILHAS Orgulho e futuro. VIAGEM Gosto cada vez mais de viagens de carro em Portugal e cada vez menos de viagens pelo mundo. DESPORTO Gostava de fazer muito mais. SELEÇÃO NACIONAL DE FUTEBOL Esperança de que possam fazer um bom caminho no Campeonato Europeu. Mas que não seja o único foco para o país. SAUDADES Aquilo que senti quando estive uns anos a trabalhar fora do país. E um orgulho enorme de ter voltado a Portugal. BÁRBARA SILVA