ENTREGA DO PRÉMIO DE LITERATURA DST DEIXA CRÍTICAS À ESCASSEZ DE CULTURA
2024-07-01 09:06:05

Entrega do Prémio de Literatura dst deixou reflexão crítica sobre a escassez da cultura O Grande Prémio de Literatura dst conheceu ontem mais um capítulo, com a entrega do cheque ao vencedor de 2023, José Viale Moutinho. Apesar de ter sido uma grande noite cultural, envolvendo literatura, música e artes, a cerimónia ficou marcada por uma reflexão crítica sobre a escassez da cultura em Portugal, com o CEO da dst a apontar o dedo ao Ministério da Educação, liderado por Fernando Alexandre, presente no Theatro Circo de Braga. A mais bela sala de espetáculos de Braga esteve cheia. O ministro da Educação, Fernando Alexandre, Ricardo Rio e alguns vereadores foram alguns dos presentes. Na sua longa intervenção, José Teixeira, CEO do dst Group fez uma profunda reflexão sobre a escassez da cultura em Portugal, apontando algumas das causas. O mote da reflexão foi precisamente o título do livro vencedor desta edição do Grande Prémio de Literatura dst, “Desaparecimento Progressivo”, que José Teixeira classificou como «poderoso». Considerou que em torno dele, e com as suas raízes, se poderia escrever um ensaio ou um romance. «Desaparecimento Progressivo remete-nos para o estado de anestesia coletiva, num processo de alucinação geral em que se acumulam vieses atrás de vieses e que nos ceifam o sentido crítico», começou por dizer. Para o líder da construtora bracarense este título «convoca-nos para a ausência da cultura, para a dificuldade de lermos os grandes textos, para a vida agorista que vivemos , a vida rápida e digital , e mostra-nos fissuras na formação e na educação. Dirigindo-se a Fernando Alexandre, mas sem o criticar, até porque tem apenas dois meses de mandato, José Teixeira disse: «senhor ministro, o problema da falta, da escassa cultura, é da educação, logo, veja lá, senhor ministro, o problema que acabo de lhe arranjar, o problema é do seu ministério. É seu, apenas há pouco mais de dois meses é evidente. Mas, parece-me razoável poder afirmar que quem deter-mina os programas curriculares, quem os desenha, não é a cultura nem os seus agentes, mas antes o Ministério da Educação. A verdade é que quem retira a cultura da educação, quem retira as artes liberais do ensino escolar, impedindo os cidadãos de serem livres, é quem desenha os programas curriculares», afirmou. Segundo José Teixeira, na dst, o grupo conhece o risco da falta de elasticidade e plasticidade obtidas nas disciplinas das humanidades, das artes e da filosofia. «Sabemos que a formação híbrida constrói trabalhadores mais competitivos e mais compreensivos», enfatizou, apontando ao desconhecimento dos valores do iluminismo e do renascentismo ou da leitura dos clássicos. Lembrou ainda que há muitos anos que, na dst, as artes, o teatro, a literatura, a poesia, a filosofia se combinam com as disciplinas técnicas e com a disciplina em si. «A escola dst não é bem formação, é um modo de vida. É um modo de construir liberdade. A escola dst é uma espécie de religião», concluiu. Vencedor agradeceu e homenageou antecessores Por seu turno, José Viale Moutinho, depois de ouvir José Teixeira, considerou «três vezes exageradas» as palavras. Numa intervenção livre, citou poetas e homenageou Lídia Jorge, Carlos Mendes de Sousa e José Manuel Mendes, como membros do júri do Prémio de Literatura dst. O protagonista da noi-te abordou o «incómodo momento» de falar do livro “Desaparecimento progressivo”. Até porque, justificou, ele tinha sido bastante comentado. «Convenhamos que eu já fiz a minha parte, escrevi-o de uma ponta a outra e dei-lhe um título a condizer. Recomendo que o leiam, se alimentem também de um par de apreciações que estão nele impressas e se fiem na ata do júri, que é extremamente generosa com as possibilidades de realização do poeta cuja farda vou vestindo, tratando do que eu penso, do que eu sinto, observando, com natural revolta, os atropelos da paz na terra à revelia das mulheres e dos homens de boa vontade!», disse, acrescentando: «Assim poderei dizer, uma e outra vez, que um homem que sente a poesia e vive despreocupado da sociedade que o rodeia não é digno de ser poeta!» Questionado pelo Diário do Minho sobre a aposta da dst na cultura, Viale Moutinho foi elogioso. «O engenheiro José Teixeira é um exemplo para o empresariado, um construtor não só de obras públicas e privadas como de estímulos da comunidade a interessar-se pela cultura. Um exemplo de cidadania», considerou. A noite em que houve queixa de escassez de cultura terminou com um concerto de Rita Vian. BRAGA P.03 Na sessão, José Teixeira apontou críticas ao Ministério dirigido por Fernando Alexandre O Theatro Circo Braga voltou a encher para as intervenções e o espetáculo de Rita Vian O engenheiro José Teixeira é um exemplo para o empresariado, uma construtora não só de obras como de estímulos da comunidade a interessar-se pela Cultura. FRANCISCO DE ASSIS