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RECUO DE EMPRESAS ESPANHOLAS PÕE ALTA VELOCIDADE EM MÃOS NACIONAIS

Público

2024-07-08 06:00:09

Processo arranca com falta de transparência: Governo e IP não divulgam empresas concorrentes nem condições das propostas Ao concurso público internacional para a construção e concessão da linha ferroviária de alta velocidade entre o Porto e Oiã (Oliveira do Bairro) apresentaram-se dois consórcios, um português e um espanhol, mas só o primeiro foi aceite, embora nem o Ministério das Infra-estruturas nem a Infra-estruturas de Portugal (IP) esclareçam os motivos da não aceitação do segundo. No dia 3 de Julho, num lacónico comunicado, o Governo limita-se a dizer que a IP informou a tutela que recebeu duas propostas para o concurso da alta velocidade. A pouca transparência com que se inicia este processo está espelhada também na recusa do Governo em divulgar quais os consórcios que entregaram propostas, limitando-se a referir o óbvio: “o júri vai analisar os méritos de cada uma e decidir um vencedor.” Questionado pelo PÚBLICO após a divulgação da escassa informação, o Ministério das Infra-estruturas, liderado por Miguel Pinto Luz, voltou a referir apenas que “decorre neste momento a fase de análise de propostas pelo Júri de Concurso, pelo que não há informação adicional à que consta do comunicado que foi divulgado”. O vencedor, porém, já estará decidido. Trata-se do consórcio liderado pela Mota-Engil e no qual participam também a Teixeira Duarte Casais, Conduril, Gabriel Couto, Alves Ribeiro e Líneas Concessões de Transportes. Esta última é detida em 60% pela Mota-Engil e em 40% pelo fundo espanhol Serena Industrial Partners. Todas as outras são empresas portuguesas. É preciso recorrer à imprensa espanhola para saber qual o segundo consórcio que também entregou proposta, mas que, segundo o elEconomista. es, não foi validada pela plataforma, ficando assim fora da corrida. Tratase de um grupo encabeçado pela Sacyr que integra também os portugueses DST (Domingos da Silva Teixeira) e ACA (Alberto Couto Alves) Engenharia & Construção. A Sacyr é, curiosamente, a empresa que tem a seu cargo os troços mais atrasados dos projectos do Ferrovia 2020. Desde 2019 até agora assinou 11 contratos com a IP, sendo os de maior dimensão um troço da linha ÉvoraElvas (130 milhões de euros) e outro na linha da Beira Alta, entre Santa Comba Dão e Mangualde (no valor de 57 milhões). Ambas as empreitadas têm somado atrasos sucessivos que, de resto, são visíveis no terreno. Espanhóis desistiram O elEconomista.es revela que se formaram três consórcios espanhóis para concorrer à alta velocidade portuguesa, mas que desistiram por considerarem que as condições apresentadas não proporcionavam um mínimo de rentabilidade financeira. Um dos consórcios formados no país vizinho era constituído pela Acciona e FCC y Ferrovial, outro pela OHLA, Comsa e as empresas francesas NGE e TSO, e um terceiro pela espanhola Axvi, a italiana Webuild, o fundo britânico John Laing e as portuguesas Ascendi (propriedade de um fundo francês), Tecnovia e o fundo TIIC. O mesmo jornal diz que os três consórcios “mantêm viva a possibilidade de concorrer às fases seguintes” do projecto de alta velocidade português. A fase seguinte é o troço Oiã-Soure, que completa assim a primeira fase do projecto da alta velocidade entre Lisboa e o Porto.com menos maturidade está a segunda fase da futura linha, que é o troço Soure-Leiria-Carregado. De acordo com a IP, o troço PortoSoure estará construído em 2028 e o Soure-Carregado em 2030. Nessa altura, será possível ligar Lisboa e o Porto em uma hora e 19 minutos. A parte que, tudo indica, ficará a cargo da Mota-Engil tem um custo máximo de 1,7 mil milhões de euros, mede 71 quilómetros entre Porto e Oiã e é um dos mais complexos porque inclui uma ponte rodoferroviária sobre o Douro, um túnel e uma estação em Vila Nova de Gaia e ainda 17 quilómetros de variantes para ligar a linha de alta velocidade à estação de Aveiro, onde rebate com a linha convencional. O consórcio português que venceu o concurso é liderado pela Mota-Engil Carlos Cipriano