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DE BRAGA A OLHÃO: ESTE ANO JÁ FORAM BATIDAS 17 MÁXIMAS DE TEMPERATURA

Jornal de Notícias Online

2024-08-12 09:06:06

Os extremos climatológicos registaram-se em fevereiro, março, abril e julho em estações do IPMA espalhadas por todo o país. Com a temperatura global a bater recordes sucessivos, as estações meteorológicas da rede do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) registaram 17 valores máximos da temperatura desde o início do ano. De Braga a Olhão, os recordes verificaram-se em várias regiões do país e em diferentes estações do ano. Já o recorde da temperatura mais alta em Portugal continua a pertencer à Amareleja que, em 2003, chegou a atingir 47,3 graus. De acordo com os dados adiantados ao JN, a estação meteorológica de Coruche registou em fevereiro o primeiro extremo climatológico do ano. Ainda assim, em março foram verificados nove recordes nas estações de Monção, Lamas de Mouro, Montalegre, Vinhais, Ponte de Lima, Cabril, Braga e Cabeceiras de Basto. Em abril, há registo de quatro novos valores máximos: em Viseu CC, Chaves. Olhão e Arouca. Já no verão, em julho, foi a vez das estações do cabo Carvoeiro (32,4 graus), em Peniche, de Alcoutim (43,7 graus) e Olhão (42 graus) registarem novos extremos. Por sua vez, a temperatura do ar mais alta registada em Portugal este ano foi na estação de Alvega, em Abrantes, a 23 de julho. Os termómetros apontaram 45,5 graus. Ao invés, foi na estação de Lamas de Mouro, em Melgaço, que se registou a temperatura mais amena entre as mais altas deste ano, no dia 7 de junho (29,4 ºC). Recordes são inevitáveis Filipe Duarte Santos, especialista em alterações climáticas e professor catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, nota que estes máximos de temperatura são "inevitáveis" uma vez que a temperatura média global está a aumentar. "Quando se bate um recorde à escala global, vão-se batendo também à escala regional e local. Estes recordes de temperatura acontecem em diferentes alturas do ano e em diferentes regiões", afirma. O professor universitário alerta para as ondas de calor que vão ser cada vez mais frequentes e que acarretam "perigos para a população". "Temos que estar preparados para temperaturas mais altas, com sistemas de alerta e as pessoas devem proteger-se", aponta. Questionado sobre o recorde total da temperatura residir na Amareleja desde 2003, Filipe Duarte Santos corrobora que esse marco será facilmente ultrapassado. "Só não sabemos onde vai acontecer. Pode não ser na Amareleja, mas provavelmente no interior do Alentejo", indica. O início desta semana deve contar com temperaturas elevadas. Em Lisboa, os termómetros devem chegar ao 28 graus em Lisboa e aos 25 no Porto. Já em Faro estão previstos 31 graus. A SABER Cuidados a ter Com as temperaturas elevadas, as autoridades de saúde apelam a atenção às crianças e aos idosos, sobretudo com a hidratação e a exposição às altas temperaturas. Deve evitar beber bebidas alcoólicas e utilizar roupas de cor clara, leves e largas. Ventoinhas A plataforma online KuantoKusta registou uma subida de 122% na procura por equipamentos de climatização em comparação com o mês anterior. A FNAC dá conta de um crescimento das vendas de ventoinhas e ares condicionados a rondar os 50%. Em julho foram vendidas mais de 6000 unidades. A Worten notou maior procura por ventoinhas e colunas de ar. "O excesso de energia vai para o oceano" Entrevista a Filipe Duarte Santos, especialista em alterações climáticas. Estes recordes são motivo de preocupação? Aquilo que se observa é que a temperatura média global da atmosfera está a aumentar. No ano passado, atingiu um máximo desde que há registos. Isto representa um aumento da temperatura média global de 1,2 graus relativamente ao período pré-industrial. O Acordo de Paris recomenda que não se ultrapasse 1,5 graus. O resultado são fenómenos extremos mais frequentes... Sim. A temperatura continua a ter tendência a aumentar mais no verão do que no inverno, mas há uma desregulação do clima. A atmosfera tem mais energia por causa do efeito de estufa e tem que dissipar essa energia. É por isso que há uma série de fenómenos extremos, sejam as ondas de calor ou a precipitação muito intensa. E com influência também na água do mar? Exatamente. Cerca de 90% do excesso de energia vai para o oceano e as águas superficiais aquecem. As pessoas quando vão ter um banho de mar têm esse benefício, mas com implicações graves. Há espécies de peixes que antes chegavam à nossa costa e que agora migraram para Norte. O início desta semana deve contar com temperaturas elevadas Abílio T. Ribeiro