CASA: PARA ONDE VOAM OS PREÇOS EM LISBOA E PORTO?
2024-08-16 11:07:05

Por Miguel Mascarenhas, CEO da Imovendo Os dados recentes sobre o mercado imobiliário na Grande Lisboa e no Grande Porto revelam uma tendência desafiadora para o futuro das principais e mais populosas cidades portuguesas. Em junho de 2024, o preço médio do metro quadrado na capital atingiu os EUR4.096, um aumento significativo em comparação com os EUR3.949 registados em janeiro anterior. Esta subida contínua, que acumulou um incremento de EUR147 por metro quadrado em apenas seis meses, reflete um mercado aquecido e em constante valorização. É importante destacar que este fenómeno não se limita à Cidade de Lisboa, na Área Metropolitana, que inclui o Distrito de Setúbal, os preços variam consideravelmente entre os Concelhos. Por exemplo, Cascais apresenta o valor mais elevado, com EUR5.023 por metro quadrado, enquanto a Azambuja tem o valor mais acessível, a EUR1.357. No Porto a situação não é diferente, o preço médio do metro quadrado na cidade subiu de EUR2.551 em janeiro para EUR2.656 em junho, um aumento de EUR105 na primeira metade do ano. Municípios adjacentes também apresentam variações significativas, como Matosinhos, o mais caro do Grande Porto, com um valor médio de EUR3.055 por metro quadrado, contrastando com Paredes, a apenas 30 km de distância, com preços de EUR1.261. Estas evoluções nas áreas mais habitadas do país refletem um mercado em expansão e com procura crescente, porém polarizado entre o interior e as grandes cidades do litoral e onde a valorização imobiliária acarreta desafios significativos que exigem uma gestão cuidadosa e estratégica para garantir um futuro para o mercado imobiliário e, consequentemente, para a economia portuguesa. Estratégias que passam pelo investimento no interior, diversificação do tipo de imóveis, opções alternativas de vender casa e novas construções da faixa litoral do país, devem ser realmente pensadas e postas em prática, procurando um equilíbrio entre os espaços, os imóveis e os intervenientes no mercado imobiliário. Para que Lisboa e o Porto continuem a ser cidades inclusivas, atrativas e sustentáveis, é essencial reconhecer as mudanças naturais destes espaços, aproveitar o contributo que o mercado habitacional dá à economia e repensar modelos - como o das comissões imobiliárias fixas -, lógicas e modus operandi datados que tanto permeiam o imobiliário deste cantinho da europa. Executive Digest