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MUNDO - O QUE ESTÁ POR TRÁS DA QUEDA EM BOLSA DA DONA DA TEMU?

Expresso

2024-08-30 06:00:09

1 CHINA O que está por trás da queda em Bolsa da dona da Temu? A empresa alertou que o crescimento das receitas está condicionado pelo aumento da concorrência O gigante chinês de comércio eletrónico PDD Holdings, a empresa-mãe da popular aplicação Temu, viu o seu valor de mercado cair 55 mil milhões de dólares na segunda-feira (cerca de EUR49,2 mil milhões) depois de um alerta dos seus executivos para um declínio “inevitável” da rentabilidade. O anúncio provocou uma queda de 29% num só dia no preço das ações da empresa na Bolsa de Valores de Nova Iorque. Só desde sexta-feira, a PDD Holdings perdeu 31,4% em Bolsa. Na terça e na quarta-feira a dona da Temu prolongou a desvalorização em Bolsa, mas com menos intensidade. O colapso bolsista da PDD Holdings acontece numa altura em que a empresa se debate com uma concorrência crescente, tanto a nível nacional como internacional. Numa conferência para apresentar os seus resultados trimestrais a investidores e analistas, na segunda-feira, os executivos da PDD salientaram os desafios crescentes que a empresa enfrenta, incluindo a concorrência de outras plataformas. As marcas da PDD Holdings debatem-se com o líder chinês de comércio eletrónico Alibaba, com o JD.com, outro peso pesado do comércio eletrónico na China, e a gigante mundial Amazon. “A nossa taxa de crescimento das receitas abrandou em relação ao trimestre anterior. Olhando para o futuro, o crescimento das receitas sofrerá inevitavelmente pressões devido à intensificação da concorrência e aos desafios externos”, afirmou Jun Liu, vice-presidente da PDD Holdings. Durante a conferência com analistas, um outro administrador da empresa, Zhao Jiazhen, reconheceu que, embora os lucros da empresa possam sofrer flutuações a curto prazo, é inevitável uma diminuição da rendibilidade a longo prazo. Os comentários de Zhao foram reforçados pelo copresidente, Chen Lei, que afirmou que a empresa não prevê para já distribuir dividendos ou fazer uma recompra de ações. “Embora encorajados pelo sólido progresso que fizemos nos últimos trimestres, vemos muitos desafios pela frente”, advertiu Chen. “Estamos preparados para aceitar sacrifícios a curto prazo e um potencial declínio na rentabilidade”, acrescentou. Durante anos, a PDD prosperou ao servir os compradores chineses preocupados com o aumento do custo de vida, em especial os que se encontram fora dos centros urbanos do país. O seu sucesso baseou-se na oferta de produtos a preços reduzidos mediante plataformas como a Pinduoduo, a nível nacional, e a Temu, a nível internacional, apelando aos consumidores pressionados pela incerteza económica. No entanto, o último relatório de resultados da empresa sugere que esta fórmula está a perder a sua força. O consumo, um dos principais motores do crescimento económico da China, explica a Bloomberg, enfraqueceu consideravelmente este ano. As vendas a retalho cresceram pouco mais de 3% nos primeiros sete meses de 2024, muito longe do crescimento robusto de mais de 8% registado antes da pandemia. O declínio da confiança dos consumidores tem sido acentuado, com muitos residentes a manifestarem preocupações quanto à segurança do emprego e aos rendimentos futuros, o que os leva a apertar ainda mais o cinto. Apesar das previsões, a PDD Holdings apresentou resultados financeiros robustos no trimestre, com um lucro de 32 mil milhões de yuan (cerca de EUR4 mil milhões), um aumento de 144% relativamente ao ano anterior, e uma reserva de tesouraria de cerca de EUR35,7 mil milhões. No entanto, as receitas da empresa, no valor de EUR12 mil milhões, embora tenham aumentado 86% relativamente ao ano anterior, ficaram aquém das expectativas dos analistas, o que agravou as preocupações dos investidores. Em resposta ao aumento da concorrência e à necessidade de reforçar a sua posição no mercado, a PDD anunciou um novo programa de cerca de EUR1,25 mil milhões destinado a reduzir as taxas para “comerciantes de alta qualidade” e a criar um “ecossistema de plataforma saudável e sustentável”. A queda acentuada do preço das ações da PDD teve também consequências pessoais para o seu fundador, Colin Huang. No início do mês era a pessoa mais rica da China, mas está agora em quarto lugar na lista da Bloomberg dos mais ricos da China. ibmiranda@expresso.impresa.pt 2 RÚSSIA Aumenta de forma acentuada o fosso entre ricos e pobres A falta de mão de obra na Rússia está a provocar um aumento dos salários, mas também a contribuir para um aumento acentuado das desigualdades, segundo o Centro de Análise e Previsão Macroeconómica (CMACAP). “A desigualdade de rendimentos entre os principais grupos sociais na Rússia aumentou acentuadamente no final de 2023”, afirma o CMACAP no estudo “Bem-estar da População: Crescimento Desigual”, citado esta semana no “Jornal Independente”. O rendimento real em dinheiro da população está a crescer a um nível recorde e acima das previsões do Ministério da Economia russo e de especialistas independentes, e a componente mais importante do crescimento são, este ano, os salários. Os salários aumentaram 7,8% em 2023 variação mais elevada desde 2018, ano em que aumentaram 8,5% e de janeiro a maio deste ano subiram 10%. O aumento dos salários abrangeu quase todos os sectores, incluindo as finanças (16%), a construção (13%), atividades administrativas (12%), indústria transformadora (13%) e mineira (12%), devido à “escassez de mão de obra em quase todos os sectores da economia”, adianta o CMACAP. 3 DINAMARCA O FABRICANTE DINAMARQUÊS DE BRINQUEDOS LEGO TEVE UM LUCRO DE 6000 MILHÕES DE COROAS DINAMARQUESAS (EUR804 MILHÕES) NA PRIMEIRA METADE DO ANO, MAIS 16% EM RELAÇÃO A IGUAL PERÍODO DO ANO ANTERIOR. O RESULTADO LÍQUIDO FOI IMPULSIONADO PELO FORTE CRESCIMENTO DA PROCURA, ESPECIALMENTE NA EUROPA E NA AMÉRICA DO NORTE. 4 ALEMANHA EMPRESÁRIOS ALEMÃES ESTÃO MAIS PESSIMISTAS A confiança dos empresários na Alemanha deteriorou-se em agosto, mantendo a tendência decrescente, com um maior pessimismo em relação aos próximos meses, num contexto de crise da economia alemã. De acordo com o instituto de investigação económica alemão (Ifo), o índice de confiança das empresas na Alemanha situou-se em 86,6 pontos em agosto, menos 0,4 pontos do que em julho (87 pontos). Esta descida, a quarta consecutiva, afetou todos os sectores de atividade e deveu-se a quedas, tanto nas expectativas, como na avaliação da situação atual. FOTO AXEL KASTE/IMAGO IMAGES 5 BRASIL EMBRAER VENDE AVIÕES AO URUGUAI 6aeronaves do modelo A-29 Super Tucano serão vendidos pela fabricante aeronáutica brasileira Embraer à Força Aérea Uruguaia (FAU), num contrato que prevê entregas a partir de 2025. Em comunicado, a Embraer frisou que o Uruguai se torna agora o sexto país a operar o A-29 Super Tucano na América do Sul, depois do Brasil, Chile, Colômbia, Equador e Paraguai. O modelo A-29 Super Tucano é usado em diferentes tipos de missão, como o controlo de atividades ilícitas, monitorização de fronteiras, reconhecimento e treino avançado 6 CANADÁ Otava agrava tarifas a carros chineses O Governo do Canadá vai impor uma tarifa alfandegária de 100% sobre as importações de veículos elétricos fabricados na China, seguindo os passos dos Estados Unidos, anunciou esta semana o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau. O primeiro-ministro do Canadá anunciou também que o país vai avançar com uma tarifa de 25% sobre o aço e o alumínio chineses. “Atores como a China optaram por dar a si próprios uma vantagem injusta no mercado global”, afirmou Justin Trudeau, citado pela agência Associated Press (AP). Esta decisão surge poucas semanas depois de os Estados Unidos ter anunciado planos para impor tarifas alfandegárias mais elevadas sobre os veículos elétricos fabricados na China. O conselheiro de segurança nacional dos EUA, Jake Sullivan, encorajou o Canadá a seguir-lhe os passos da maior economia mundial numa reunião com o primeiro-ministro canadiano no domingo. Atualmente, os únicos veículos elétricos fabricados na China e importados para o Canadá são da Tesla e são produzidos na fábrica da empresa detida por Elon Musk em Xangai. Dona da Temu admite que a rentabilidade deverá descer FOTO JAQUE SILVA/GETTY IMAGES O consumo, principal motor do crescimento económico da China, sofreu uma queda este ano 7 EUA Procura de petróleo inalterada A ExxonMobil revelou na passada segunda-feira que espera que a procura de petróleo permaneça praticamente inalterada em 2050 em comparação com os níveis atuais, um cenário que contrasta com estimativas governamentais e de rivais como a BP. A gigante energética norte-americana prevê que o apetite pelo ouro negro atinja um pico em 2030, mas espera que a procura se mantenha “acima dos 100 milhões de barris por dia” (mb/d) até 2050, segundo documentos publicados no início desta semana. No segundo trimestre de 2024, o consumo de crude aumentou para 102,8 mb/d, segundo dados divulgados pela Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA). 8 FRANÇA AIR FRANCE-KLM ENTRA NA SAS 19,9% é a quanto ascende a participação adquirida pelo grupo Air France-KLM na companhia aérea escandinava SAS. O negócio ficou concluído esta semana depois de receber a aprovação dos reguladores na Europa e nos Estados Unidos. Paralelamente, foram assinados acordos de cooperação, incluindo voos no sistema de codeshare, indicou a Air France-KLM em comunicado 9 AUSTRÁLIA Trabalhadores ganham direito a desligar A Austrália começou a aplicar na passada segunda-feira uma lei que permite a milhões de trabalhadores desligarem-se das suas obrigações laborais fora do horário de trabalho, seguindo assim os passos de vários países da União Europeia. Ao abrigo da nova lei, aprovada pelo Parlamento do país oceânico em fevereiro, os trabalhadores de empresas com 15 ou mais funcionários poderão recusar-se a responder ou esperar por e-mails ou telefonemas dos chefes ou outros superiores. As pequenas empresas, com menos de 15 trabalhadores, obtiveram tempo adicional e serão obrigadas a aplicar esta lei apenas a partir de 26 de agosto de 2025. “Hoje é um dia histórico para os trabalhadores”, disse a presidente do Conselho Australiano de Sindicatos, Michele O Neil. Os australianos poderão “passar bons momentos com os seus entes queridos sem o stresse de terem de responder constantemente a chamadas e mensagens de trabalho irracionais”, acrescentou. As disputas sobre o direito de desligar do trabalho, tais como uma recusa injustificada em aten- der uma chamada de emergência, terão de ser resolvidas pelas partes antes de serem encaminhadas para a Comissão de Emprego Justo (FWO, na sigla em inglês), que regula as relações laborais. “Encorajamos os trabalhadores a educarem-se sobre o direito de desligar e a adotarem uma abordagem de bom senso para o aplicar no seu local de trabalho”, disse a comissária da FWO, Anna Booth. Julgar o que é razoável “depende das circunstâncias”, disse a FWO em comunicado. Os fatores decisivos podem incluir, entre outras coisas, o motivo do contacto ou a natureza do cargo do colaborador. Se a lei for violada, um empresário em nome individual pode ser multado em 18.780 dólares australianos (cerca de EUR11.388), enquanto as empresas podem ser multadas até 93.900 dólares australianos (cerca de EUR56.950). Ryanair culpa Boeing pela falta de aviões Os atrasos nas entregas de aviões por parte da Boeing estão a fazer com que a Ryanair perca milhões de passageiros, sustenta o presidente executivo (CEO) da companhia aérea irlandesa. “Os atrasos nas entregas de aviões da Boeing estão a comprometer o nosso crescimento”, afirmou esta semana Michael O Leary, em conferência de imprensa, citado pela AFP. Segundo o CEO, a companhia aérea low cost espera transportar menos 5 milhões de passageiros neste ano fiscal face aos 205 milhões inicialmente estimados. A Ryanair tem 350 Boeing 737 encomendados. IRLANDA Fundo soberano investe nas renováveis O Fundo Global de Pensões do Estado Norueguês, que gere as receitas excedentes provenientes do petróleo e gás natural do país, anunciou um acordo com a dinamarquesa Copenhagen Infrastructure Partners, para investir EUR900 milhões em energias renováveis. “Este acordo vai permitir-nos investir em projetos de energias renováveis em fase de desenvolvimento. O investimento é uma adição valiosa à carteira que estamos a construir”, anunciou, em comunicado citado pela EFE, o fundo soberano norueguês, considerado um dos maiores do mundo. O acordo prevê alocar EUR900 milhões no fundo CI V da empresa de investimento dinamarquesa, com especial incidência na energia eólica, centrais solares e armazenamento de energia. Os investimentos serão distribuídos equitativamente por três regiões (América do Norte, Europa Ocidental e países desenvolvidos da Ásia-Pacífico). O fundo apresentou no início deste mês um lucro de 1,48 biliões de coroas (cerca de EUR125 mil milhões) no primeiro semestre deste ano. NORUEGA INÊS DE BARROS MIRANDA