pressmedia logo

ECONOMIA NEGÓCIO DA AVIAÇÃO FICA CONCENTRADO NUMA SÓ EMPRESA - TAP VAI ABSORVER PORTUGÁLIA ATRAVÉS DE UM AUMENTO DE CAPITAL

Público

2024-09-14 06:01:04

TAP SGPS, a holding separada da TAP SA e onde está agora a Portugália, teve um prejuízo de 57 milhões em 2023 devido a juros. Há ainda 189 milhões que terão de ser pagos à Azul, ligada a Neeleman A TAP SA, companhia aérea que está em vias de privatização, vai passar a deter a Portugália através de um aumento de capital. Neste momento, a Portugália, tal como o negócio de refeições a bordo, está na TAP SGPS (sociedade gestora de participações sociais), que foi separada da TAP SA (sociedade anónima) no âmbito da intervenção de 3,2 mil milhões de euros do Estado. No relatório e contas de 2023 da TAP SGPS (detida a 99% pela Direcção-Geral do Tesouro e em 1% pela estatal Parpública), consultado pelo PÚBLICO, lê-se que a empresa “mantém a intenção de cessar a titularidade sobre o capital da Portugália”. Essa estratégia, adianta-se, “encontra-se prevista através da realização da subscrição de um aumento de capital da Portugália por parte da TAP SA, que não faz parte da TAP SGPS, não sendo este aumento de capital acompanhado pela TAP SGPS, diluindo desta forma a participação detida na Portugália”. Actualmente, a companhia aérea Portugália é detida a 100% pela TAP SGPS, não sendo referido no documento qual o valor a suportar pela TAP SA, que irá assim reunir todos os aviões e respectivos trabalhadores. Quando a TAP voltou para mãos públicas, o grupo ficou separado em duas entidades independentes: de um lado ficou a TAP SA, a companhia aérea. Do outro lado, a TAP SGPS (onde antes estava englobada a TAP SA), que ficou com os restantes activos: a Portugália (que opera no médio curso para a companhia aérea com a marca TAP Express), a Cateringpor (refeições a bordo), a Groundforce (apoio logístico em terra), a UCS (serviços de saúde) e a TAP M&E Brasil (manutenção). De acordo com o relatório e contas de 2023 da TAP SGPS, a Portugália contava com 877 trabalhadores no final desse ano, mais 2,1% face a 2022, e detinha 19 aviões Embraer. Em 2023, os voos da Portugália representaram “cerca de 25% do total de voos do Grupo TAP” e “15% do número total de horas de voo” do grupo. Ao todo, foram realizados 29.428 voos, mais 20% do que em 2022. Criada oficialmente em Julho de 1988 por vários investidores, a Portugália ficou com o Grupo Espírito SanA to (GES) como principal accionista até acabar por ser vendida à TAP por 140 milhões de euros, no final de 2006. TAP SGPS vai ser esvaziada Desde o passado mês de Junho, a TAP SA já detém os 49,9% da exGroundforce (hoje denominada Menzies Aviation) que estavam nas mãos da TAP SGPS, depois de uma operação de limpeza de prejuízos que envolveu um aumento de capital com créditos da companhia aérea e que contou ainda com a entrada do grupo Menzies (dono dos outros 50,1%) A UCS também deverá passar para a esfera da TAP SA, enquanto os 51% da Cateringpor (que serviu uma média de 25.801 refeições por dia à TAP e várias outras companhias em 2023) estão destinados a ser alienados. Quanto à TAP M&E Brasil, a liquidação das operações deverá estar concluída este ano, de acordo com o relatório. Juros provocam prejuízos De acordo com o relatório e contas do grupo, a TAP SGPS sofreu um prejuízo de 57,4 milhões de euros no ano passado (ao contrário da TAP SA, que teve um lucro de 177 milhões nesse ano). A principal causa do prejuízo foi o pagamento de “juros e gastos similares”, no valor de 59,2 milhões de euros, um agravamento de 3,5 milhões face ao ano anterior. Este encargo foi atenuado por um encaixe de 2,6 milhões por via de “operações descontinuadas”. As contas ficaram quase iguais entre receitas e despesas operacionais, mas, mesmo assim, ainda houve uma perda de 200 mil euros no resultado final. Tanto os rendimentos operacionais como os gastos desceram face a 2022, com as despesas a beneficiarem do facto de a administração liderada por Luís Rodrigues, que é a mesma da TAP SA, passar a ser paga pela companhia aérea (os custos com pessoal desceram 2,2 milhões). Em 2022, o prejuízo da TAP SGPS tinha sido de 162,6 milhões de euros, muito devido ao impacto negativo de 101,1 milhões da rubrica de operações descontinuadas. A dívida financeira do grupo estava nos 213,9 milhões no final do ano passado (mais 15,7 milhões do que em 2022), correspondendo a “empréstimos bancários e obrigações”, com claro destaque para estas últimas. Ao empréstimo de 120 milhões de obrigações para capitalização pósprivatização que foi feito em 2016 pela Azul criada por David Neeleman, ex-accionista da TAP , que ficou com 90 milhões, e pela estatal Parpública, acrescem 93,9 milhões de euros em juros a pagar. O aumento de 15,7 milhões de 2022 para 2023, diz o relatório, é justificado “essencialmente pelo aumento dos juros acrescidos do empréstimo obrigacionista”. Conforme já noticiou o Observador, no final de 2023 a TAP SGPS devia já 161 milhões à Azul, cabendo outros 53,2 milhões à Parpública, entre capital e juros, que só são pagos na maturidade das obrigações (que inicialmente eram convertíveis em acções), em 2026. No final, conforme já informou o Tribunal de Contas, o valor da factura que terá de ser pago pelo Estado é de 252,7 milhões de euros, cabendo 189 milhões à Azul , da qual Neeleman ainda é accionista (tem 67% em acções ordinárias e 2,18% em acções preferenciais) , e 63,7 milhões à Parpública. 877 A Portugália contava com 877 trabalhadores no final do ano passado, mais 2,1% face a 2022, e detinha 19 aviões Embraer Portugália, comprada pelo grupo TAP ao GES em 2006, opera hoje sob a marca TAP Express. Representa 25% dos voos do grupo TAP Luís Villalobos