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LOCAL PRAZOS DA OBRA CONTINUAM A DERRAPAR - SEM ACORDO COM METRO DO PORTO, CÂMARA QUER QUE GOVERNO INTERCEDA NO METROBUS

Público

2024-10-09 06:03:03

Canal de metrobus continua sem data para entrar ao serviço, pois a Metro do Porto e a câmara não se entendem sobre os termos em que deve ser assinado o memorando sobre o canal da Boavista As divergências não são novas, mas mantêm-se. Assim, permanece o impasse e o canal de metrobus, na Avenida da Boavista, no Porto, continua à espera de ver passar autocarros que hão-de ligar, numa primeira fase, a Casa da Música à Praça do Império. A Metro do Porto e a Câmara Municipal do Porto (CMP) não se entendem sobre os termos em que deve ser assinado o memorando sobre o metrobus da Boavista e a autarquia procurou envolver a tutela. Depois de enviar várias cartas à Metro do Porto, a CMP remeteu novo documento, desta vez ao ministro das Infra-Estruturas e Habitação (MIH), Miguel Pinto Luz, a pedir a intervenção no processo. Perante o atraso na chegada dos autocarros do metrobus, que têm portas à esquerda, a Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP) colocou a hipótese de aproveitar o canal para operar a Linha 203 com os seus veículos, que têm portas à direita, mas que se cruzariam antes das estações da Boavista, instaladas ao centro da via. Para que tal aconteça, é preciso que a Metro do Porto e a STCP assinem um memorando de entendimento que terá também de contar com as rubricas do MIH e do município. Contactado pelo PÚBLICO, o ministério de Pinto Luz não respondeu. A Metro do Porto anunciou em Agosto que a primeira fase da empreitada de instalação do canal de metrobus na Avenida da Boavista estava concluída, mas referia que ainda haveria trabalhos de acabamentos ao longo de Setembro. Semaforização em curso Ao PÚBLICO a Metro do Porto refere agora que “toda a infra-estrutura e todos os equipamentos necessários à utilização do canal por veículos ao serviço de linhas da STCP estão disponíveis e operacionais”. Todos menos o equipamento de semaforização, diz a STCP ao PÚBLICO. Este sistema é essencial para que os autocarros tenham prioridade nos cruzamentos. A Metro do Porto, por sua vez, diz aguardar que “a STCP indique quais os autocarros em que pretende instalar equipamentos de controlo de semaforização e quando será possível proceder à operação de instalação desses sensores”. Esta instalação (e teste dos equipamentos) será “razoa-velmente rápido e implica um período de imobilização de veículos bastante curto”, assegura o gabinete de comunicação da Metro do Porto. Hidrogénio na Areosa Num dos pontos do memorando é referido que o contrato de serviço público a assinar pelas partes deve ser assinado “até à data da primeira recepção provisória da empreitada” para que “o sistema possa entrar, de imediato, em exploração pela STCP, com os meios disponíveis a essa data”. É deste ponto que o município do Porto discorda. Rui Moreira tem insistido que a Metro do Porto deve esclarecer a população sobre os atrasos na chegada dos veículos e que explique que o serviço a assegurar pela STCP é uma “solução provisória” e não uma ope ração de bus rapid transit (BRT), como acontecerá quando chegarem os 12 veículos a hidrogénio que foram encomendados ao consórcio que a CaetanoBus e a DST Solar integram. Mesmo sem a totalidade da encomenda, será possível operar com apenas alguns veículos. A Metro do Porto tem dito que está a tentar a chegada de alguns autocarros que permitam o arranque do serviço antes de Abril de 2025, a data contratualizada para o fornecimento de todas as viaturas. Continua “a perseguir esse objectivo”, mas ainda sem conrmações. Enquanto isso, já foi consignada a empreitada para instalação dos sistemas de carregamento de hidrogénio na estação de recolha da Areosa, que pertence à STCP. A empresa que tem a Câmara do Porto como accionista maioritário refere que a obra foi consignada no dia 9 de Agosto, mas as obras ainda não arrancaram. Entretanto, a segunda fase do metrobus entre a Avenida Marechal Gomes da Costa e a Rotunda da Anémona foi adiada para Dezembro de 2025. O troço que falta já foi adjudicado à DST mas outro concorrente meteu uma acção em tribunal que tem efeito suspensivo. A Metro pediu um adiamento de um ano ao PRR, o que lança o prazo para terminar a obra para o nal do próximo ano. População aguarda Mesmo que o canal de metrobus só sirva, para já, parte da Avenida da Boavista, a sua entrada em funcionamento, mesmo com serviço provisório, já ajudaria a melhorar a mobilidade de quem estuda ou trabalha nas imediações. O presidente da Associação de Pais da Escola Leonardo Coimbra, José António Azevedo, diz que não tem tido qualquer informação sobre o processo, mas considera que o “o metrobus iria beneciar” o acesso ao estabelecimento. Mora na zona do Viso e dá o exemplo da própria lha, que tem 15 anos, mas que não apanha os autocarros da STCP por causa da pouca abilidade, diz. É o próprio quem acaba por levar a lha de carro. À espera do novo transporte público, a direcção da escola tratou de adaptar um acesso ao estabelecimento. Antes, a única entrada era pela Rua do Pintor António Cruz, mas um portão de serviço que dá para a Rua de Serralves serve agora como uma entrada mais próxima do canal de transporte público, explica a directora, Lisete Almeida. Já há leitor de cartões e a intervenção no piso está a ser articulada com a autarquia, explica. Este novo acesso será “muito vantajoso” não só para alunos, mas também para professores e funcionários, já havendo alguns que o usam. Espera que ainda este ano lectivo seja útil a mais alunos de uma escola que, para já, só é servida directamente pela Linha 209 da STCP. STCP pondera usar canal na Avenida da Boavista para linha 203, mas solução ainda não está fechada Primeira fase do metrobus da Boavista está concluída Camilo Soldado