ELÉTRICO OU NÃO, EIS A QUESTÃO: COMPARE OS CUSTOS DOS "CARROS VERDES" COM OS DE COMBUSTÃO
2024-12-05 14:24:03

Em que situações compensa afinal adquirir um veículo elétrico? Fizemos as contas para vários cenários Na hora de escolher entre um automóvel elétrico e um a combustão, a consciência ambiental não é a única a pesar. Questões práticas e financeiras continuam a ser decisivas neste processo, levando os consumidores a questionarem em que casos compensa, afinal, apostar numa solução de mobilidade “verde”. Para tentar chegar a uma resposta, o Expresso comparou dois tipos de carros que oferecem ambas as motorizações - o Citroën C3 e o BMW Série 5 - e os resultados mostraram que, quanto maior a quilometragem anual, mais rapidamente o veículo elétrico recupera o investimento inicial. Isto para quem carrega o automóvel em contexto doméstico. É esse pressuposto que assumimos. Começando pelos custos de aquisição, os elétricos são significativamente mais caros. No caso do citadino C3, enquanto a versão elétrica está disponível a partir de EUR23.300, a versão a gasolina começa nos EUR14.490 - uma diferença de 61% (EUR8810). No segmento premium, o preço do BMW i5 elétrico começa nos EUR77.000 e o do BMW 520d a gasóleo nos EUR66.150, ou seja, mais 16% (EUR10.850). Quais as marcas que vendem mais carros elétricos em Portugal? Veículos vendidos até novembro Na perspetiva do consumo, o custo de utilização por quilómetro (km) é inferior nos carros elétricos, face aos de combustão. Para os cálculos foi considerado um preço de eletricidade na tarifa simples de EUR0,1999 por kWh (o equivalente aos EUR0,1625 da tarifa regulada mais IVA a 23%), bem como os preços dos combustíveis praticados nos pórticos entre 18 e 24 de novembro: EUR1,741 por litro de gasolina 95 e EUR1,642 por litro de gasóleo simples. Assim, para percorrer 100 km, o Citroën C3 a gasolina implica um gasto de EUR9,75, enquanto o elétrico requer EUR3,28. Fazer a mesma distância com o BMW a gasóleo, por sua vez, custa EUR9,2, mas no elétrico o montante é EUR3,76. As contas revelam que a quilometragem anual é um fator-chave na recuperação do investimento adicional que possa ser feito num carro elétrico. Se a média anual do proprietário do Citroën C3 rondar os 15.000 km, a despesa pode ir até aos EUR1462 no modelo a gasolina, contra EUR492 no elétrico - nessa circunstância, o elétrico compensa o investimento inicial em nove anos. O tempo diminui para cinco anos no patamar dos 25.000 km. Mas se a distância percorrida num ano for de apenas 5000 km, o retorno da versão elétrica pode demorar 27 anos. O mesmo podemos observar na comparação entre o BMW 520d e o i5, em que 25.000 km implicam um gasto anual de até EUR2299 no gasóleo, contra EUR940 no elétrico. Nesta quilometragem, o i5 compensará em oito anos. Se a média anual for mais baixa, de 15.000 km, o período necessário para equilibrar os custos ronda os 13 anos. No caso dos 5000 km, seriam precisos 40 anos. Estas contas consideram somente as diferenças entre os preços-base dos modelos considerados e o custo da energia (a preços atuais). Se em vez de tarifa simples de eletricidade o utilizador optar por uma tarifa de eletricidade bi-horária, carregando o automóvel sobretudo em vazio, então conseguirá uma poupança maior face aos combustíveis, o que encurtará o período de recuperação da diferença do modelo elétrico. Por outro lado, se o utilizador recorrer sobretudo ao carregamento rápido na via pública, pagará substancialmente mais pela energia, e tornará mais demorado o período de retorno. Contudo, é importante olhar a outros fatores, como a manutenção, onde os veículos elétricos apresentam vantagens por incorporarem menos componentes mecânicos. De ressalvar que a substituição das baterias fora da garantia (as marcas cobrem oito anos ou 160.000 km) pode ser dispendiosa, na casa dos milhares de euros. Os carros a combustão, por sua vez, exigem revisões frequentes, trocas de filtros e outras necessidades que agravam a fatura na oficina. Do ponto de vista da fiscalidade, o Estado favorece a compra de automóveis elétricos. Mas a solução mais amiga do ambiente, com emissões zero durante a condução, não está isenta de desafios, uma vez que a sua autonomia, sobretudo nos modelos mais acessíveis, continua a ser uma condicionante e a infraestrutura de carregamento no país está ainda em expansão, não se comparando à rede de abastecimento de combustível. E para quem não tem possibilidade de carregar o carro em casa, isso pode ser um entrave, juntamente com os preços praticados nos postos de carregamento públicos. Diferenças a considerar Fiscalidade Os carros elétricos estão isentos do ISV e IUC, além de que os particulares podem beneficiar de subsídios (nomeadamente o apoio de EUR4 mil na compra de um elétrico mediante a entrega de um veículo usado para abate) e as empresas da dedução do IVA. Já os carros a combustão têm uma tributação elevada devido às emissões de CO2. Estacionamento Os elétricos têm isenções em tarifas de zonas reguladas de vários municípios, bem como lugares prioritários para carregamento, já os carros a combustão pagam tarifas normais. Manutenção A manutenção dos elétricos é mais simples e barata porque têm menos peças e não exigem trocas de óleo ou filtros. Os carros a combustão precisam de revisões mais frequentes devido ao desgaste de componentes mecânicos. Autonomia Os carros a combustão ainda levam vantagem, com depósitos que permitem fazer mais quilómetros, e reabastecimento rápido. Os elétricos têm autonomias limitadas, exigindo planeamento para viagens longas e tempos maiores para recarregar. Infraestrutura Os elétricos dependem de uma rede de carregamento em expansão, limitada em certas regiões, enquanto os carros a combustão contam com uma rede de postos de abastecimento ampla e bem estabelecida. Mariana Coelho Dias Jornalista