CONSTRUÇÃO - MOTA-ENGIL SOZINHA A ALTA VELOCIDADE
2025-01-19 06:32:04

Investimento . Espanhóis “desconfiam” da forma como em Portugal os concursos têm sido lançados, nomeadamente em relação aos prazos previstos, e deixam cair as propostas para executar troços da alta-velocidade. O grupo liderado por Carlos Mota dos Santos perfila-se agora para juntar a ligação entre Oiã e Soure ao troço entre Campanhã e Oiã Fotos: DR D epois de ter assegurado o concurso para o primeiro troço do projecto de alta-velocidade, entre Porto e Oiã, que integra a 1 .a de da nova Ligação Porto - Lisboa, a Mota-Engil volta a ficar sozinha na corrida ao segundo troço, que ligará Oiã (Coimbra) a Soure (Leiria). Na Plataforma de Compras Públicas, segundo o júri do concurso, foram carregados dois documentos. Um deles "corresponde efectivamente a uma proposta apresentada pela Lusolav III Gestão da Ferrovia de Alta Velocidade”, o consórcio que integra a Mota-Engil, Teixeira Duarte, Casais, Gabriel Couto, Alves Ribeiro e Conduril. A Infraestruturas de Portugal informa que foi ainda carregado um documento apresentado pela empresa VIAMAPA - Serviços de Topografia SA, mas que "corresponde a uma declaração de não apresentação de proposta, pelo que não foi considerada esta entidade como Concorrente”. Na prática, o consórcio Lusolav é o único que consta da lista de conconentes publicada pelo júri na Plataforma de Compras Públicas, como já aconteceu no concurso para o primeiro troço, entre a estação da Campanhã e Oiã. A segunda Parceria Público-Privada (PPP) da alta velocidade tem um preço-base, em valor actual líquido, de 1.604 milhões de euros, com a Infraestruturas de Portugal (IP) a estimar um investimento total de 1.918 milhões. A preços correntes, a IP irá pagar 4.207 milhões, ao longo dos 30 anos de concessão, a que acrescem 395 milhões em despesas inerentes aos projectos, expropriações e obras. ESPANHOLAS “PERDEM COMBOIO” As construtoras espanholas estavam profundamente envolvidas em dois consórcios criados para o ambicioso projeto de alta velocidade ferroviária em Portugal. De um lado, Acciona, FCC e Ferrovial uniram forças numa poderosa aliança; do outro, a Sacyr, através das suas subsidiárias lusas Somague e Neopul, estabeleceu uma parceria com as portuguesas DST (Domingos da Silva Teixeira) e ACA (Alberto Couto Alves) Engenharia & Construção, mostrando o esforço conjunto entre empresas de diferentes países. No entanto, os pressupostos estabelecidos pela Infraestruturas de Portugal (IP) não foram suficientes para as empresas espanholas. O orçamento base de licitação para este segundo troço é de 1.604 milhões de euros, com um investimento total estimado em 1.918 milhões. Este projecto essencial para o futuro do país está a ser desenvolvido através de uma parceria público-privada, com um contrato de concessão para exploração e manutenção durante 30 anos. Não deixa, no entanto, de surpreender que apenas o consórcio liderado pela Mota-Engil se tenha apresentado, com a participação de empresas locais como Teixeira Duarte, Casais, Conduril, Gabriel Couto, Alves Ribeiro e Lineas-Concessões de Transportes esta última com a participação do fundo de infraestruturas espanhol Serena Industrial Partners. Agora, será o Executivo luso a validar a adjudicação. Esta aliança já foi responsável pelo primeiro troço, entre Porto c Aveiro, um marco de progresso para o país. O Governo de Portugal delineou um grande plano, dividindo o desenvolvimento da linha de alta velocidade entre Porto e Lisboa em três fases, com um orçamento total de 8.000 milhões de euros. O objectivo final é estender esta infraestrutura até Vigo, criando uma ligação ainda mais forte entre Portugal e a Galiza.com uma extensão de cerca de 300 quilómetros, este projeto vai transformar a forma como as pessoas viajam, conectando as duas principais cidades do país em apenas uma hora e 15 minutos, aproximando ainda mais o futuro e a esperança de uma mobilidade mais eficiente e sustentável.C Ministro espanhol duvida do compromisso português O ministro espanhol dos Transportes e da Mobilidade Sustentável defende que o desinteresse manifestado pelas empresas espanholas, que classifica como "as melhores do Mundo a executar obras da alta-velocidade, no projecto português se deve, em grande medida, às dúvidas que existem sobre a capacidade de Portugal fazer chegar as linhas às fronteiras pelo lado da Andaluzia e da Galiza. “Não nos adianta de nada cumprir prazos se do outro lado [de Portugal] não se cumpre os deveres”, assegura Oscar Puente numa cerimónia pública. As declarações já foram contestadas, por exemplo, pelo presidente da Xunta da Galiza, que classifica de um "insulto à inteligência de qualquer galego”. Para Diego Calvo, o facto de Puente afirmar que a parte espanhola da ligação ferroviária de alta velocidade com Portugal estará pronta em 2030 e que “são os portugueses que não vão conseguir cumprir o prazo” é “uma fuga para a frente para não dar explicações sobre a falta de compromisso com a Galiza e os problemas existentes com a alta velocidade e com os serviços regionais”. Ricardo Batista