NAVIGATOR, BONDALTI E EFACEC SÃO QUEM MAIS RECEBE DO PRR
2025-01-24 06:30:06

PRR Fundos Entidades públicas dominam os recebimentos do PRR, enquanto no sector privado a indústria está no topo dos beneficiários Efacec, Bondalti e Navigator lideram entre os privados As portuguesas Efacec Power S o l u t i o n s , Bondalti Chemicals e Navigator Pulp Setúbal são as empresas privadas que mais dinheiro receberam do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) até agora, de acordo com um levantamento feito pelo Expresso no portal governamental Mais Transparência. As três juntas embolsaram EUR68,4 milhões, o correspondente a mais de 1% dos EUR6367 milhões já transferidos para milhares de beneficiários em Portugal. Este montante reflete principalmente operações de capitalização, que visam financiar diretamente empresas estratégicas não financeiras, além de investimentos em descarbonização e projetos relacionados com as agendas verdes e mobilizadoras para a inovação empresarial. A Efacec Power Solutions, que opera nos sectores da energia, engenharia e mobilidade, lidera o ranking: recebeu EUR35 milhões apenas ao abrigo do Programa de Recapitalização Estratégica do Banco Português de Fomento (BPF). A Bondalti Chemicals, segunda da lista, encaixou até ao momento EUR17,1 milhões, com destaque para os EUR10,9 milhões destinados ao projeto RePower Chemicals (que conta com um apoio global de EUR30,8 milhões para descarbonizar o complexo industrial de Estarreja, integrando tecnologias avançadas e energias renováveis em processos industriais intensivos). A empresa detida pelo grupo José de Mello garantiu ainda EUR5,9 milhões para o projeto New Generation Storage, que explora novas soluções para o sector das baterias, e mais EUR179 mil para a agenda H2Enable, focada no desenvolvimento da cadeia de valor do hidrogénio verde. No último lugar do pódio, a Navigator Pulp Setúbal, dedicada à produção de papel, recebeu EUR16,2 milhões, de um total de EUR24,3 milhões previstos para financiar três iniciativas que permitirão reduzir em 40% as emissões diretas de CO2e (dióxido de carbono equivalente) e em 47% as emissões indiretas (energia adquirida) do seu complexo industrial. A bazuca também pagou à empresa EUR16,5 mil no âmbito do pacto From Fossil to Forest, que procura desenvolver embalagens e produtos à base de celulose, e EUR5,7 mil no contexto da agenda Transform, relacionada com a digitalização do sector florestal. Tanto a Bondalti como a Navigator voltam a surgir no Top 20 de privados com maior valor recebido, mas os números de contribuinte que lhes estão associados são distintos, o que significa que estão em causa outras subsidiárias. Também a Petrogal e a tecnológica Unbabel marcam presença, com EUR11,5 milhões e EUR9,9 milhões embolsados até ao início de janeiro, respetivamente. A refinaria da Galp está envolvida em agendas como a Moving2Neutrality (transição energética dos transportes), a PT Smart Retail (retalho autónomo e inteligente) e a Aliança para a Transição Energética. Já a tecnológica presidida por Vasco Pedro (que tem em curso um processo de reestruturação que prevê a redução de pessoal, segundo noticiou esta semana o Observador) integra o Center for Responsible AI, consórcio que junta startups e centros de investigação para criar a próxima geração de produtos de inteligência artificial. BPF no trono da bazuca Entre os beneficiários diretos e finais do PRR, isto é, as entidades públicas e privadas responsáveis pela execução dos investimentos, o BPF lidera, com EUR264,1 milhões pagos, representando 98% dos EUR270 milhões a que tem direito. Esse montante deve-se principalmente aos EUR250 milhões já recebidos da União Europeia (UE) para a componente C05, destinados a reforçar o capital do banco e aumentar a sua capacidade para apoiar empresas por meio de programas e linhas de financiamento. Em segundo lugar está a Secretaria-Geral da Educação e Ciência, que recebeu EUR228,1 milhões, praticamente a totalidade da verba que lhe foi atribuída. O dinheiro foi investido na transição digital na educação, parte da componente C20, com foco na integração de tecnologias no ensino, incluindo a distribuição de computadores e a modernização de salas de aula. As Infraestruturas de Portugal ocupam a terceira posição da tabela, com EUR184,5 milhões. Registam, no entanto, uma taxa de pagamento de 36% face aos EUR512,1 mi-lhões aprovados (significativamente mais baixa quando comparada com os outros dois beneficiários). O valor embolsado distribui-se por vários projetos, que incluem a construção e requalificação da rede rodoviária, a digitalização do transporte ferroviário e a melhoria das ligações transfronteiriças. Quanto aos beneficiários com mais financiamento, o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) encabeça a lista, com EUR756 milhões para suportar projetos como a ampliação do parque habitacional público a custos acessíveis, seguido do Metropolitano de Lisboa, com fundos de EUR747,5 milhões para expandir a rede de metro de Lisboa e construir um metro de superfície entre Loures e Odivelas (projeto que poderá ser eliminado do PRR, na sequência da reprogramação). Empresas e habitação com fatia de leão Até 8 de janeiro, o PRR tinha transferido EUR6367 milhões para beneficiários diretos e finais, 29% da dotação total e 56% dos EUR11.396 milhões já pagos pela UE até à quinta tranche. As áreas de Investimento e Inovação (C05), Habitação (C02) e Qualificações e Competências (C06) levam a fatia de leão, absorvendo mais de metade (51%) do montante transferido: EUR3258 milhões. As taxas de pagamento destas componentes (ou seja, a proporção do valor já pago em relação ao total previsto) são de 36%, 27% e 32%, respetivamente. Por outro lado, o Mar (C10), a Escola Digital (C20) e a Descarbonização da Indústria (C11) destacam-se pelas maiores taxas de execução, com 55%, 54% e 37%. As áreas com maior valor transferido são também as que têm mais verbas aprovadas, o que justifica os subinvestimentos que mais dinheiro receberam: as agendas verdes e mobilizadoras para a inovação empresarial (EUR1016,2 milhões), a capitalização de empresas e a resiliência financeira (EUR545,2 milhões) e o programa de apoio ao acesso à habitação (EUR465,5 milhões). Dos EUR22.216 milhões que Portugal tem de investir até 2026, as empresas contam EUR5886 milhões aprovados, dos quais já foram pagos EUR2231 milhões. Seguem-se as entidades públicas, que já têm nos cofres EUR1488 milhões, dos EUR4845 milhões de projetos aprovados, e as autarquias e áreas metropolitanas, com EUR758 milhões, dos EUR3815 milhões adjudicados, já pagos. mcdias@expresso.impresa.pt Plano de Recuperação e Resiliência já entregou quase EUR6,3 mil milhões aos beneficiários finais E16 6000 4000 2000 0 EVOLUÇÃO DOS PAGAMENTOS AOS BENEFICIÁRIOS DO PRR Em milhões de euros 2021 2022 2023 2024 6273 FONTE: RELATÓRIOS DE MONITORIZAÇÃO DA RECUPERAR PORTUGAL EMPRESAS PRIVADAS COM MAIOR VALOR RECEBIDO DO PRR Em milhões de euros 1 Efacec Power Solutions 35,00 2 Bondalti Chemicals 17,12 3 Navigator Pulp Setúbal 16,31 4 Bondalti H2 12,94 5 3xp Global 12,84 6 Quantal 12,25 7 Petrogal 11,55 8 Growth Partners 11,22 9 Almina Minas do Alentejo 10,89 10 Caima 10,7 11 Purever 10,58 12 MD group 10,5 13 Viagens Abreu 10,0 14 Nova Motorsports 9,9 15 Unbabel 9,9 16 Atep Amkor Tech. Portugal 9,35 17 Aquacria Piscícolas 9,34 18 Navigator Pulp Aveiro 9,07 19 Oceano Fresco 9,01 20 Safiestela 8,92 BENEFICIÁRIOS DIRETOS E FINAIS DO PRR COM MAIS PAGAMENTOS Em milhões de euros 1 Banco Português de Fomento 264,10 2 Secretaria-Geral da Educação e Ciência 228,17 3 Infraestruturas de Portugal 184,51 4 Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana 150,37 5 Ministério da Defesa Nacional Marinha 140,82 6 Município de Lisboa 109,61 7 Metro do Porto S.A. 92,19 8 SPMS Serviços Partilhados do Ministério da Saúde 82,89 9 Instituto de Informática 82,22 10 Metropolitano de Lisboa 75,32 FONTE: PORTAL MAIS TRANSPARÊNCIA COMPONENTES RELACIONADAS COM O MAR E COM A ESCOLA DIGITAL REGISTAM AS MAIORES TAXAS DE EXECUÇÃO DO PRR Bondalti está entre as empresas com mais verbas FOTO D.R. MARIANA COELHO DIAS