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EDITORIAL - DIÁLOGO, POR FIM!

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2025-02-11 22:05:33

0 regresso de Trump à Casa Branca e as primeiras medidas da administração nova dos EUA, como o aumento das tarifas sobre as importações e a adoção de política energética que privilegia os combustíveis fósseis, obrigaram a Comissão Europeia (CE) a reagir. Mais vale tardel... Bruxelas tem a indústria automóvel sob pressão. A imposição de “travagem a fundo” nos gases de escape somada à decisão de riscar os motores de combustão em 2035 exigem investimentos massivos que ameaçam o futuro de setor fundamental para a região, por representar milhões de empregos, direta e indiretamente, e movimentar milhares de milhões de euros. Por isso, prudentemente, a CE, depois de impor tarifas que aumentam as barreiras aos automóveis elétricos importados da China, muitos de marcas europeias, ação ainda sem reação de Pequim, iniciou, por fim, “diálogo estratégico” com os atores principais da indústria. O objetivo é encontrar plano de ação com ferramentas que apoiem a transição para a neutralidade carbónica perseguida por Bruxelas. Assim, de forma tardia, reconhece-se o potencial destrutivo das políticas em execução. A expetativa é de bom-senso, não de marcha-atrás inaceitável e incompreensível. Seguramente, o momento de instabilidade na Alemanha, o país-motor da Europa, fez soar alarmes e a CE liderada pela alemã Ursula von der Leyen percebeu, enfim, que o progresso obriga a intervenção europeia que aumente os apoios ou diminua o ritmo da mudança de paradigma no automóvel, do motor térmico para o elétrico, porventura recorrendo a tecnologias transitórias, como os híbridos Plug-In (PHEV) ou os sistemas de extensão de autonomia, e investindo-se mais nos combustíveis sustentáveis e no hidrogénio. A indústria europeia, genericamente, é mais adepta da primeira, mas talvez exista meio-termo, acordo que permita o cumprimento dos objetivos sem comprometer o futuro do setor na região, talvez adotando política nova, que diminua as medidas para a redução dos gases de escape, com o co2 no topo da agenda, e aumente os incentivos à compra de automóveis elétricos. A 5 de março, a decisão da UE. Mais vale tardel.. jcaetano@e-auto.pt JOSÉ CAETANO