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JOVENS RECRIAM AMBIENTE DA ONU NO PORTO PARA SUBLINHAR A IMPORTÂNCIA DA DIPLOMACIA

Jornal de Notícias Online

2025-02-12 21:51:04

Comités, delegados, debates e votações. Durante três dias, o ambiente diplomático da Organização das Nações Unidas (ONU) é recriado no Porto, por centenas de estudantes nacionais e estrangeiros, com o objetivo de debater os problemas globais e afirmar a melhor forma para atingir a paz: a cooperação. O cenário até pode parecer demasiado longínquo para a realidade portuguesa, mas a verdade é que, em determinadas geografias do planeta, ainda há piratas a liderarem redes de crime organizado. Encontrar estratégias para lidar com este problema é o tema do debate do Gabinete das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, montado no pavilhão desportivo da Escola Internacional do Porto (CLIP). Há 18 anos que o colégio privado organiza o Oporto Model United Nations (OPOMUN), um evento que recria o ambiente de uma das organizações mais importantes do Mundo. Durante três dias, mais de 400 alunos de 18 escolas provenientes seis países, como os Estados Unidos ou a Alemanha, transformam-se nos delegados das nações existentes na ONU, tendo como missão defender os interesses do país que representam para chegar a soluções por via do diálogo. "É complicado porque não há muita informação sobre a Jordânia, mas com a ajuda dos professores e dos amigos que já estão no OPOMUN há algum tempo, foi tudo mais fácil", afirma Sara Antunes, estudante do 9.º da Escola Alemã de Lisboa, que participa pela primeira vez na iniciativa. A delegada da Jordância no Gabinete das Nações Unidas sobre Drogas e Crime decidiu participar no OPOMUN para superar a dificuldade em "falar em frente a um público" e, até agora, está muito satisfeita com a experiência. A controlar o compasso da sessão está Pedro Silva, aluno do 11.º ano do CLIP, que depois de dois anos como delegado, foi promovido a vice-presidente do comité. Com apenas 16 anos, o jovem ambiciona um dia trabalhar no ministério dos Negócios Estrangeiros por acreditar que "sem a diplomacia, o mundo não funciona". "Consegue-se muito mais com o diálogo do que com ameaças e coisas do género. É isso que o OPOMUN ensina". O futuro diplomata considera que o evento "é a melhor maneira de ficar a conhecer os problemas e as questões mais predominantes do Mundo" e dá o exemplo da pirataria. "A maior parte das pessoas acha que é uma coisa antiga, mas na realidade ainda existem, e muito predominantemente em África e na Ásia", aponta. Empatia e aprendizagem Mais do que o convívio, o OPOMUN é um momento "de aprendizagem muito pura e profunda" que pretende colocar todas as nações no mesmo patamar, criando empatia com os problemas que sucedem do outro lado do globo. De martelo na mão, Carlota Coutinhas tenta manter a ordem no início da sessão do Conselho Económico e Social, que nesta tarde debate a ligação entre os fluxos migratórios e o clima. À semelhança de Pedro Silva, a aluna do 12.º ano do CLIP é este ano responsável por um comité, depois de dois anos como delegada. Apesar do enorme entusiasmo pelo ambiente vivido na ONU em ponto pequeno, a jovem de 17 anos não quer seguir a via diplomática, estando ainda indecisa entre Arquitetura ou Gestão. "Muitos deles querem seguir isto no futuro e isso nota-se no debate. Para mim, o que faz o país é o delegado. Eu posso ter, entre aspas, um país mais fraco, mas a maneira como eu faço o meu debate muda tudo", indica. Depois de fazer a chamada para confirmar as nações presentes no Conselho Económico e Social, a presidente do comité apresenta a ordem de trabalhos e dá ordem aos delegados para debaterem entre si as resoluções a apresentar. No anfiteatro em meia-lua, com as placas identificativas dos países colocadas em cima das mesas, o silência dá lugar ao burburinho, com os diplomatas a tentarem formar alianças. "A grande palavra associada às Nações Unidas é sempre a diplomacia. É sempre a cooperação entre nações para a paz prevalecer, acima de tudo. As Nações Unidas funcionam através de negociação para que haja menos conflito e mais colaboração entre as nações", explica Marta Costa, secretária-geral do OPOMUN. Competências para o futuro A estudante que representa, na "mini" ONU, a figura de António Guterres garante que o evento ajuda os estudantes a terem mais conhecimento sobre temas internacionais e sobre política internacional, permitindo desenvolver ferramentas e competências para o mundo profissional. "Debatemos exatamente os mesmos temas que são debatidos nas Nações Unidas reais. Temos vários comités, que estão a debater sobre Inteligência Artificial (IA), tanto na guerra como na saúde, questões de pirataria", enumera a estudante do CLIP. O entusiasmo pela iniciativa, que este ano celebra a maioridade, trouxe a vontade em estudar diplomacia, por considerar que a paz no Mundo depende disso. A versão feminina e jovem de António Guterres vê no líder da ONU um exemplo, sublinhando a importância de ter um português num cargo tão relevante. "É um cargo que pode trazer muita mudança ao Mundo, apesar de muita gente já ter abandonado esta questão da diplomacia, por achar que já não é relevante, que já não é eficaz. Eu acho que é e acho que tanto o secretário-geral atual como a nova geração de pessoas a entrar neste tipo de cargos, tem de revolucionar isso", considera a estudante do 12.º ano. Até sexta-feira, o ambiente das Nações Unidas vai estar espalhado entre o CLIP e o Hotel Porto Palácio, que acolhe os últimos dois dias da iniciativa. A 18.ª edição do OPOMUN reúne, até sexta-feira, 400 alunos de escolas privadas portuguesas e estrangeiras Sara Gerivaz