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INVESTIGAÇÃO DO OKEANOS DA UAC ESTUDA DINÂMICA ENTRE RÉMORAS E JAMANTAS

Açoriano Oriental

2025-02-13 22:02:06

Investigadores do Instituto Okeanos, da Universidade dos Açores, revelaram “resultados inéditos” sobre a relação simbiótica entre rémoras e jamantas, concluindo que esta simbiose é “dominante". Equipa planeia expandir investigação ao tubarão-baleia, uma espécie que também apresenta um “número considerável" de rémoras associadas carlotapimentel@acorianoorientalpt Um estudo desenvolvido pOr investigadores do Instituto de Investigação em Ciências do Mar-Okeanos, da Universidade dos Açores, revelou novos dados sobre a relação simbiótica entre rémoras, um tipo de peixe e jamantas, avançando que esta simbiose é dominante. A investigação, publicada: na revista científica Marine Ecology Progress Series, recorreu a câmaras de vídeo montadas nos animais e a modelação 3D de dinâmica de fluidos para compreender como as rémoras “se posicionam estrategicamente para minimizar o arrasto, enquanto apanham boleia das jamantas”. Ao Açoriano Oriental, Jorge Fontes, investigador do Okea nos, salientou que este estudo revelou “situações e resultados inéditos”, no que diz respeito à simbiose entre rémoras e jamantas. “Percebemos que esta simbiose é, de facto, dominante. Praticamente todas as jamantas que encontramos têm rémoras associadas, tipicamente entre duas a três, e encontramos rémoras de vários tamanhos, sobretudo adultas, mas também algumas muito pequenas”, afirmou Jorge Fontes. O estudo também demonstrou que as rémoras não se fixam de forma aleatória, escolhendo “zonas muito específicas” do corpo das jamantas, o que segundo o investigador, está relacionado “com a hidrodinâmica, a resistência da água que encontram em diferentes zonas do corpo”. Foi também observado que as rémoras pequenas preferem fixar-se na cauda das jamantas, por trás da barbatana dorsal, por ser “uma zona de abrigo”, onde encontram pouca resistência à água e conseguem, assim, preservar energia. Outro ponto realçado por Jorge Fontes foi o impacto das câmaras de telemetria não invasivas utilizadas para estudar as jamantas. “Percebemos, através dos estudos de hidrodinâmica de fluidos com modelos computacionais, que a resistência que adicionamos ao colocar os nossos transmissores não é muito diferente da resistência causada pelas rémoras. Como as jamantas apresentam normalmente duas a três rémoras, o impacto dos nossos dispositivos é mínimo, sendo praticamente irrelevante para os animais”, explanou. “A relação simbiótica entre jamantas e rémoras, que era pouco estudada, prende-se muito com a discussão sobre que benefícios terão jamantas e rémoras desta relação”, refere o investigador, acrescentando que para as rémoras os benefícios “são claros”, uma vez que beneficiam do “abrigo” e aproveitam-se do transporte proporcionado pelas jamantas “para poupar energia”. Além disso, quando as jamantas se alimentam de "pequenos peixes”, as rémoras “aproveitam e também se alimentam das mesmas presas”, indica. Já para as jamantas, o impacto da relação é menos evidente, sendo mais difícil perceber se o efeito é neutro ou até mesmo negativo. “Efetivamente, uma carga muito grande de rémoras terá um efeito negativo no custo do transporte, ou seja, na energia que a ajamanta preci-sa para se deslocar”, sublinha. o maior desafio durante a investigação, de acordo com Jorge Fontes, prendeu-se com a complexidade dos modelos de hidrodinâmica de fluidos. “E uma ferramenta bastante complexa e dispendiosa de utilizar e só com a ajuda de técnicos especializados do Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produtos (CEiiA), em Matosinhos, é que foi possível analisar estes resultados e chegar a estas conclusões”, elucidou. Em relação ao uso de tecnologia, o investigador explicou que a equipa recorreu a dados já recolhidos desde 2017. “Esses dados não tinham sido recolhidos com este objetivo, mas a determinada altura percebemos que, para além de todas as aplicações que tínhamos pensado, também podíamos utilizá-los para fazer este tipo de investigação”, relatou, frisando que “muitas vezes, a ciência avança desta forma”. Jorge Fontes adianta que além das imagens recolhidas pelo grupo de investigação, também utilizaram muita informação de vídeo e fotografia que recolheram da comunidade, de mergulhadores, de empresas de mergulho, de turistas, entre outros, que foram um “contributo fundamental”. Conforme Jorge Fontes, além das jamantas, a equipa pretende investigar o tubarão-baleia, que também visita as águas dos Açores e, por vezes, apresenta um número significativo de rémoras. No entanto, o investigador frisou que “as observações empíricas sugerem que têm uma dinâmica bastante diferente das jamantas.” Quanto à importância deste tipo de estudo para a sensibilização sobre a proteção dos oceanos e da biodiversidade marinha, o investigador destacou que “não se ama aquilo que não se conhece e não se protege aquilo que não se ama”, pelo que “o conhecimento é uma peça fundamental do esquema da proteção e conservação ambiental.” Refira-se que este projeto surgiu na sequência de “vários anos de trabalho sobre a ecologia das jamantas, nas agregações do Banco Princesa Alice e do Ambrósio, sobretudo junto à ilha de Santa Maria e ao largo da ilha do Faial”, onde observaram que “todas as jamantas apresentavam várias rémoras associadas”, tendo suscitado “curiosidade e a necessidade de compreender melhor esta relação e associação”, recordou Jorge Fontes. Estudo contribuiu para aprofundar o conhecimento sobre a relação simbiótica entre rémoras e jamantas Carlota Pimentel