ZONA DA MARINA DE LAGOS COM CARA NOVA EM 2026
2025-02-14 22:13:18

Vão nascer dois novos hotéis Hilton ao lado da marina, num investimento de EUR107,8 milhões, e criarão 188 postos de trabalho diretos A área envolvente da marina de Lagos, junto à estação de comboios, está a ser requalificada com a construção de dois hotéis da marca Hilton e a transformação do edifício da antiga estação num restaurante. Trata-se, na realidade, de mudanças que envolvem os dois lados da marina, localizada no estuário da ribeira de Bensafrim, pois nas imediações da Câmara Municipal nasceram também ou estão a nascer novos edifícios habitacionais ou de comércio nos descampados que por ali persistiam. Mas é sobretudo no espaço envolvente de uma das estações terminais da Linha do Algarve, que liga Lagos a Vila Real de Santo António, que a mudança é mais visível, junto à Meia Praia, uma das mais famosas praias daquela zona do Algarve, com um areal de mais de 4 km, que se estende até à ria de Alvor. Há muito que se previa o aproveitamento do terreno que está ao lado da antiga estação ferroviária - e da nova, que foi construída mesmo à frente da antiga. Era detido pela Infraestruturas de Portugal (IP) e foi vendido em fevereiro de 2022 ao grupo canadiano Mercan, no âmbito da política de venda e concessão de ativos imobiliários posta em prática nos últimos anos pela IP. Estão ali a ser construídos pela empresa DST dois hotéis: o Lagos Marina Hotel Curio Collection by Hilton, de 5 estrelas, e o Hilton Garden Inn Lagos, de 4 estrelas. O projeto prevê um investimento de EUR107,8 milhões e estima criar 188 postos de trabalho diretos. A fase de construção, que deverá prolongar-se por cerca de dois anos, irá criar cerca de 150 novos empregos. O Lagos Marina Hotel Curio Collection by Hilton terá uma área de construção total de 14.776 m2, distribuída entre cinco pisos e 180 quartos, restaurante, dois bares, um deles situado no terraço com piscina infinita, contando ainda com uma segunda piscina no rés do chão. Já o Hilton Garden Inn Lagos terá à disposição 90 quartos, 27 deles suítes com kitchenette, numa área bruta total de 7505 m2. Terá também um bar, um restaurante e uma loja automática de utilização durante 24 horas, assim como um ginásio e piscina exterior. Os empreendimentos vão oferecer espaços para reuniões, assim como mais de 160 lugares de estacionamento repartidos entre ambos. Haverá ainda cerca de dois mil metros quadrados de áreas exteriores, sendo que a maior parte desses espaços exteriores será para uso pela população. Presidente da Câmara de Lagos diz que os projetos vão reforçar Lagos como "destino turístico de excelência" A gestão de ambos, que utilizarão a marca Hilton na sequência da assinatura de um contrato de franchising, ficará a cargo da AHM - Ace Hospitality Management, empresa do grupo Mercan. A abertura dos hotéis está prevista para o próximo ano, sendo que a Mercan Properties tenciona abri-los ao mesmo tempo. O presidente da Câmara Municipal de Lagos, Hugo Pereira, esteve presente no lançamento da primeira pedra da obra, em outubro, e referiu que o projeto virá reforçar Lagos como "destino turístico de excelência". O grupo Mercan Properties tem já um empreendimento turístico em funcionamento - o Hotel Califórnia Urban Beach, localizado na Praia dos Pescadores, em Albufeira - e seis em construção na região do Algarve. Além dos dois de Lagos, há também o Alvor Beach Hotel, o Hotel Indigo Faro Ribeirinha, o Marriott Lagos e o Hard Rock Hotel Algarve. Restaurante e núcleo museológico A recuperação do edifício da antiga estação de caminhos de ferro de Lagos não está incluída neste projeto, estando a ser desenvolvida por outra empresa privada, a Terminus Lagos Seif, Unipessoal, Lda. A obra começou há cerca de dois anos. A antiga estação, que foi inaugurada em 1922 e desativada em 2006, vai ter um café e um restaurante no rés do chão e uma galeria de arte no 1º andar. O edifício foi comprado em 2013 à IP, mas só agora foi possível avançar com o projeto de reconversão. O Expresso tentou falar com o promotor do projeto para saber quando a obra estará concluída sem sucesso. Para que a reabilitação daquela zona fique completa fica a faltar a recuperação do núcleo museológico ferroviário de Lagos, um dos sete núcleos associados ao Museu Nacional Ferroviário e que se encontra na continuidade do terreno onde surgirão os hotéis, ao lado da nova estação. Hotéis representam investimento de EUR107,8 milhões e vão criar 188 postos de trabalho diretos O edifício está fechado há vários anos e a expectativa é de que o espaço seja aberto ao público em breve. Foi nesse sentido que em julho de 2022 a Fundação Museu Nacional Ferroviário Armando Ginestal Machado, que gere o museu localizado no Entroncamento, assinou um protocolo de gestão partilhada com a Câmara de Lagos. Segundo a autarquia, "foi efetuado um levantamento topográfico do interior (edifício da antiga cocheira) e zona envolvente, estando agora a aguardar-se o estudo prévio da parte da fundação para se avançar para as fases seguintes de requalificação". Estudo que o município diz que é "necessário, tendo em conta a experiência e conhecimentos da fundação neste tipo de infraestrutura e respetivos projetos de museologia e museografia". O acordo determinou que a autarquia ficará "responsável pela requalificação da antiga cocheira e espaço envolvente, manutenção do edificado, dotação de recursos humanos para o funcionamento do núcleo, respetiva abertura ao público, vigilância, limpeza, promoção e dinamização". Já a fundação "continuará a gerir o núcleo e o seu acervo, mas agora de forma partilhada com o município, assumindo toda a vertente científica, como sejam a investigação e inventário museológico do espólio, os projetos de museologia e museografia, assim como a manutenção e restauro do acervo". Não muito longe dali, na estrada de São Roque e já perto do arranque do passadiço que atravessa parte da Meia Praia, inaugurado em 2023, há dois edifícios em ruína de que, segundo a edilidade, se desconhece o proprietário e para os quais não está prevista qualquer recuperação ou utilização. "Trata-se de duas ruínas muito antigas sem projetos em curso ou definidos, sejam eles públicos ou privados", responde a autarquia. NÚMEROS 107,8 milhões de euros é o valor estimado para o investimento do grupo Mercan nos dois hotéis Hilton que começaram a ser construídos em outubro 188 postos de trabalho serão criados nos dois hotéis, além dos relativos aos dois anos da fase de construção Pedro Lima Editor-adjunto de Economia Pedro Lima