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SOBERANIA, SEGURANÇA DA NAVEGAÇÃO E ACIDENTES AÉREOS NOS AÇORES (I)

Diabo (O)

2025-02-14 22:13:19

Coronel Engo (ref) Acobiça dos EUA de Donald Trump pela Gronelândia e o acidente aéreo ocorrido há dias nos céus de Washington, D.C., trouxeram-me à mente as ilhas dos Açores. De acordo com factos históricos que as declarações “bombásticas” de Trump, proferidas este ano, trouxeram de novo à ribalta, vem de longe o apetite dos EUA pela Gronelândia, manifestado já nas presidências de Andrew Johnson (SEC. XIX), William Taft e Harry Truman, assim como na primeira presidência de Trump. Ora a Dinamarca parece ter-se posto a jeito, com o relativo desleixo a que votou aquela grande ilha em termos económicos e militares nas últimas décadas. De tal modo que Trump ameaça com uma intervenção militar, caso a Dinamarca não aceite vender a ilha aos EUA... Ainda que 80% do território da Gronelândia esteja coberto de gelo, causa admiração que a sua população ronde apenas as 56.000 almas e que sejam poucas as actividades económicas a tirar partido dos seus vastos recursos naturais, em particular dos minerais. Do ponto de vista militar, alguns analistas referem, certamente com muito exagero, que a Dinamarca apenas mantinha ali uns quantos cães e trenós.. Quanto à colisão aérea, ocorrida no passado dia 29 de Janeiro, entre um avião de passageiros da “American Eagle” (subsidiária da American Airlines”) e um helicóptero do Exército norte-americano, na proximidade do aeroporto Ronald Reagan em Washington, D.C., não deixa de ser surpreendente que na altura do desastre apenas um controlador estivesse a gerir as aterragens e descolagens e o tráfego de helicópteros na zona. São várias as falhas ou insuficiências imputáveis ao controlo de tráfego aéreo. As palavras enérgicas de Trump, apontando o dedo às políticas “inclusivas” no recrutamento de controladores aéreos nos EUA, trouxeram a público que o número de controladores certificados ao serviço da torre de controlo do aeroporto Ronald Reagan é pouco mais de metade do quantitativo aconselhado pela Federal Aviation Administration. Em síntese, parece que até nos EUA há insuficiência de meios, e que esta carência poderá ter contribuído para a tragédia do passado dia 29 de Janeiro. Mas qual a relação entre o que acabei de escrever e o arquipélago dos Açores? E bem conhecida a importância geoestratégica dos Açores (tal como sucede com a Gronelândia), bem como as grandes responsabilidades que Portugal tem, designadamente em termos de Busca e Salvamento, nas vastas áreas oceânicas sob sua jurisdição, incluindo as que correspondem, grosso modo, à Região de Informação de voo de Santa Maria. Por outro lado,a as questões da segurança aeronáutica deverão estar sempre presentes numa região caracterizada por condições meteorológicas frequentemente adversas, condicionalismos orográficos e limitações aeroportuárias. E, pois, evidente a necessidade de ter forças militares portuguesas, credíveis, nos Açores e, entre estas, unidades da Força Aérea Portuguesa dotadas de meios apro priados. Adicionalmente, a NAV Portugal deve dispor de sistemas de controlo aéreo de qualidade, proceder às respectivas actualizações e ter o pessoal adequado: Nos últimos anos, e até meados de 2023, a Força Aérea Portuguesa dispôs, na Base Aérea das Lajes (BA4), de um Destacamento de helicópteros “Agusta-Westland EH-101 Merlin” e de um Destacamento de aviões “EADS (Airbus) C-295M”. Na sequência do Despacho 38, "2023, de 16 de Maio, do CEMFA, foi reactivada na BA4, com pressupostos extremamente louváveis, a Esquadra 752, rebaptizada de “Fénix”, dotada de helicópteros "EH-101 Merlin”, tendo em vista, nomeadamente, os compromissos internacionais assumidos pelo Estado Português relativos a Busca e Salvamento, e visando, ainda, um apoio mais eficaz às missões de interesse público. Esperemos que outras medidas se sigam, já que em matérias de soberania e segurança importa não apenas cumprir, mas dispor de capacidade sobrante e transmitir imagens de solidez. (Continua) EDUARDO BRITO COELHO