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BMW E MERCEDES INICIAM NOVA ERA EM 2025

Turbo

2025-02-20 22:04:19

Os automóveis já deixaram de definir-se apenas por performances, comportamento em estrada e espaço interior. Cada vez mais, será o poder cerebral das suas plataformas eletrónicas e a autonomia elétrica a separar as águas. A Mercedes e a BMW estão prestes a lançar O CLA e o iX3/i3, respetivamente, os seus mais importantes automóveis das últimas décadas AMercedes será a primeira a revelar o novo CLA em meados de março. O porta-estandarte da nova plataforma MMA (Mercedes Modular Architecture), pretende fazer o que nenhum EQ conseguiu ainda de forma clara: seduzir os clientes da Mercedes para aderirem em massa aos seus carros elétricos. O CLA é o primeiro de um total de quatro novos modelos a produzir sobre esta nova plataforma, dado que ao sedã se irão seguir o CLA Shooting Brake, o GLA e O GLB (deixando de existir Classe Ae Classe B na oferta da marca da estrela). Quando a atual geração de tração dianteira for descontinuada (já a partir de 2025), estes quatro modelos passam a constituir o degrau de entrada no novo mundo da Mercedes. Porque a transição para a propulsão 100 por cento elétrica ainda está engasgada, a meio do projeto foi decidido alargar a gama a uma motorização a gasolina, híbrida, com um novo bloco de quatro cilindros e 1.5litros. Desenvolvido pela Mercedes e fabricado pela parceira e acionista Geely, terá mais do que um nível de potência, além de versões de tração dianteira e 4x4. A resposta da BMW irá surgir uns meses mais tarde , perto do final deste ano , com um automóvel também totalmente novo, dentro da família “Nova Classe” que também já está a deixar água na boca. Depois de alguma incerteza, parece que será o SUV iX3 a ter a primazia n0 lançamento, pelo seu formato de carroçaria ter apelo mais universal. Já o sedã i3 é aguardado para meados de 2026. Tal como na arqui-rival Mercedes, a plataforma totalmente nova será a base do primeiro BMW que se pode considerar como pertencendo à geração futura de “ veículos definidos pelo software” (SDV) em que a rede de cérebros a bordo e ligações ao mundo exterior são um dos fatores que definem cada um desses automóveis. Mercedes e BMW andam há mais de um ano a revelar detalhes “ às prestações” destas duas novas famílias de modelos, seja com concept-cars, seja com o levantamento do véu sobre alguma da tecnologia e também os conceitos de painéis de bordo. No caso dos BMW, são concorrentes diretos dos sucessores do GLC e do Classe c, mas como os segmentos de mercado se estão a diluir, há modelos que vão ser rivais de outros que no passado nunca iríamos associar como lutando pelo mesmo cliente. é certo que, especialmente neste segmento de mercado premium, fatores como o comportamento em estrada, as performances e a qualidade de construção continuarão a ser importantes, mas autonomia elétrica e poder computacional ganham uma nova dimensão na maneira como cada automóvel se relaciona com o espaço à sua volta, como consegue ser uma extensão da vida dos seus ocupantes e como se pode “regenerar” através de atualizações remotas que, no futuro próximo, até terão impacto sobre o hardware do carro e não apenas no software. No Mercedes CLA, com aproximadamente 4,75 metros de comprimento, o design e as proporções da versão final serão muito próximos dos do estudo revelado em estreia no salão de Munique, em setembro de 2023. Motor elétrico no eixo traseiro, versões mais potentes de tração elétrica às quatro rodas, um consumo médio não superior a 12 kWh/100 km e uma autonomia de até 750 quilómetros a partir da bateria com carga com-pleta. Mas porque o sucesso de um automóvel elétrico também depende muito da potência de carregamento da bateria, a tão esperada (e atrasada em relação a alguns concorrentes não premium) tecnologia de 800 volts chega finalmente nesta plataforma MMA, O que torna o conjunto de baterias no piso plano do novo CLA muito mais convincente do que em qualquer EQ até ao dia de hoje. O objetivo é conseguir armazenar energia para 400 quilómetros de viagem em apenas 15 minutos, para tentar que mesmo os adeptos mais convictos dos motores a gasolina aceitem migrar para o mundo dos carregamentos, de que ainda muito desconfiam. Por dentro do CLA (e exceto nas versões mais básicas onde continuarão a existir superfícies físicas texturadas) haverá um ecrã digital contínuo que se estende a toda a largura do painel de bordo (de pilar a pilar) e onde um sistema de navegação desenvolvido em conjunto com a Google fornece imagens muito nítidas com os dados mais precisos do veículo. O novo sistema operativo MB.OS, inúmeras aplicações e O Chat-GPT como parceiro de conversação omnisciente irão marcar algumas rugas nos painéis de bordo de modelos de classes superiores na Mercedes (como o Classe E e s), pelo menos até que recebam, também eles, a nova tecnologia. MUDA TUDO NA BMW Recuperando a nomenclatura da década de 60 do século passado, a afutura “Nova Classe” da BMW irá desdobrar-se em vários automóveis, representando uma conversão de todo o portefólio de modelos do fabricante bávaro. Produção, desenvolvimento, criação de valor e plataforma, é este o significado de “Nova Classe”, que foi “ concebida exclusivamente para automóveis”, garante o diretor de I&D da BMW, Frank Weber, deixando claro que os modelos com motores de combustão pouco terão a ver com a nova abordagem aos veículos, apesar da atual estratégia de componentes comuns. O modelo de estreia será, então, o futuro iX3, cujo design e tecnologia serão muito similares aos apresentados nos concept-cars Vision Neue Klasse/Neue Klasse x repetidamente exibidos ao longo dos últimos dois anos. A este crossover elétrico de tamanho médio seguir-se-ão mais cinco novos modelos até ao final de 2027, que pretendem formar o coração e a espinha dorsal da BMW. O i3 será lançado em 2026 e, mais tarde, provavelmente na transição de 2026 para 2027, uma carrinha Touring, mas tudo aponta para que existam mais duas derivações crossover e SUV, dado que é esse o tipo de carroçaria da moda, na China como nos Estados Unidos, na Europa como na América do Sul. O iX3 será produzido na nova fábrica húngara de Debrecen. Estes dois primeiros BMW elétricos do futuro irão usar uma nova geração de motores elétricos e estarão disponíveis com tração traseira e integral com potências entre os 200 e os 500 cavalos. Mas, já a partir de 2027, O sucessor da Série 3 irá proporcionar performances superiores às de qualquer outro modelo da classe média da BMW no passado, especialmente no caso do i3M, com potência máxima acima dos 600 cavalos, tração às quatro rodas e, pela primeira vez num BMW, velocidade de ponta superior a 250 km/h (relevante para o mercado alemão onde, como é sabido, muitas autoestradas não têm limite de velocidade). Tal como na Mercedes, também aqui a tensão do sistema elétrico duplicará para 800 volts, o que irá permitir um aumento exponencial da potência máxima de carregamento dos atuais 205 para 270 kW. Haverá ainda um importante contributo das novas células redondas da bateria de iões de lítio que, segundo os engenheiros alemães, serão decisivas para que a ba-teria possa receber energia suficiente para mais 300 quilómetros de viagem em cerca de dez minutos. Não menos importante, a projetada melhoria do coeficiente de arrasto em cerca de um quinto traduzir-se-á em evidentes vantagens em termos de desempenho e autonomia. Como não poderia deixar de ser, a BMW também vai piscar o olho a uma nova geração de utilizadores com um novo sistema operativo a bordo. Desaparece o conhecido módulo iDrive, assim como os instrumentos habituais. o destaque técnico vai para o novo Panoramic Vision, um ecrã que se estende a toda a largura da zona inferior do para-brisas e mostra a todos os ocupantes uma grande variedade de conteúdos. é complementado por um ecrã central de quase 15 polegadas e um impressionante volante repleto de módulos operacionais. Mas essa faixa de informação digital na zona inferior do para-brisas é apenas a parte visível das inovações. O conceito operacional e de ecrã baseia-se numa nova arquitetura eletrónica chamada "Sistema Operativo x”, que funciona numa estrutura de software android de código aberto. Esta nova tecnologia não só simplificará a integração de aplicações de terceiros (como streaming de filmes ejogos) como dará um importante contributo para manter o sistema operativo atualizado, independentemente do veículo e da plataforma. Atualmente, este é um problema para muitos fabricantes de automóveis tradicionais no mundo dos motores de combustão, porque os muito mais rápidos ciclos de desenvolvimento de software não correspondem aos dos novos veículos ou às atualizações de modelos, que geralmente acontecem com espaçamentos entre três e oito anos. A QUESTaO DO PREçO Claro que uma das questões mais delicadas para marcas premium na era futura de automóveis unicamente elétricos tem que ver com o preço a que os mesmos podem ser vendidos. Se ôno passado muitos clientes aceitavam pagar um valor adicional para ter mais cilindros, mais potência ou mais qualidade de materiais, hoje esse tipo de atributos perdem muitas vezes esse estatuto prioritário. Autonomia, conectividade e velocidade de carregamento ganham terreno ôno ranking dos critérios de compra, tal como o preço, claro, como pudemos ver com a crescente popularidade dos automóveis elétricos chineses, que as tarifas protecionistas da União Europeia conseguiram, num primeiro momento, sedar. Será que, com valores de acesso às gamas que dificilmente estarão abaixo dos 50 000 euros, Mercedes e BMW irão conseguir rivalizar com uma concorrência encabeçada pelo Tesla Model 3 que, mesmo sendo menos moderno, tem o preço de acesso à gama situado em torno dos 40 000 euros, quase duas classes abaixo ôno posicionamento de preçol? E, no caso da Mercedes, será que O CLA conseguirá impor-se ao sucessor do Classe c, que se espera que ofereça níveis de conforto, qualidade e espaço semelhantes aos que existem hoje no Classe E pelo mesmo preço do CLA elétrico? ® ESTRATéGIAS Enquanto OS modelos da Nova Classe da BMW serão totalmente elétricos, a Mercedes preferiu ser mais cautelosa (face à lenta transição para a e-mobilidade) e lançar também versões com motor híbrido a gasolina no futuro CLA ECRá PRINCIPAL A TODA A LARGURA D0 TABLIER Exceto nas versões de entrada, haverá um ecrã digital contínuo que se estende a toda a largura do painel de bordo e onde um sistema de navegação desenvolvido com a Google fornece imagens muito nítidas com os dados mais precisos do veículo. O CLA também marca a estreia de novas gerações de sistema operativo e Chat-GPT que depois serão usados nos futuros Mercedes a lançar posteriormente ECRa CENTRAL APOIADO POR FAIXA DIGITAL Destaque para O Panoramic Vision, uma faixa que se estende a toda a largura da zona inferior do parabrisas, complementada por um ecrã central de quase 15 polegadas. O "Sistema Operativo x" funciona com software Android em código aberto, simplificará a integração de aplicações de terceiros (streaming, jogos..) e manterá o sistema operativo atualizado, independentemente do veículo e da plataforma MODERNOS BMW e Mercedes vão acabar com OS comandos físicos no painel de bordo e quase tudo será controlado por superfícies táteis e comandos vocais JOAQUIM OLIVEIRA