SPINUMVIVA REVELA LISTA DE COLABORADORES E DE CLIENTES: MONTENEGRO FEZ PARTE DOS ÓRGÃOS SOCIAIS DE DUAS DAS EMPRESAS
2025-02-28 22:09:20

Num comunicado não assinado, a Spunimviva assume que tem atualmente como clientes, além do grupo Solverde, mais quatro empresas e revela finalmente os seus nomes e também os nomes dos consultores externos responsáveis pelos serviços prestados. Mas não diz quanto recebe de cada uma delas - e há mais ligações entre as partes Luís Montenegro cedeu à pressão e horas depois de o Expresso ter noticiado que a sua empresa familiar recebe 4500 euros de avença por mês do grupo Solverde, a Spinumviva divulgou um comunicado em que revela os nomes das quatro empresas e da sociedade de advogados que são atualmente suas clientes, além de identificar os colaboradores externos que prestam de facto esses serviços. Além da Solverde, são clientes da Spinumviva a Rádio Popular e a Ferpinta, duas empresas de que Luís Montenegro foi presidente da assembleia geral no passado. Além disso, a empresa da família Montenegro também presta serviços ao Colégio Luso Internacional do Porto (CLIP) e à Lopes Barata, Consultoria e Gestão. Todos estes clientes foram angariados durante o tempo em que Luís Montenegro era sócio da empresa agora detida pela mulher e pelos dois filhos. Segundo o comunicado, os serviços fornecidos pela Spinumviva estão relacionados com a proteção de dados e incluem o planeamento, aconselhamento e acompanhamento das medidas sobre proteção de dados exigidas pela lei às empresas. "Para que não subsistam dúvidas, os preços cobrados e pagos pelos serviços prestados atendem à dimensão e complexidade dos trabalhos com cada cliente e oscilam entre os 1000EUR e os 4500EUR mensais", lê-se no documento, o que significa que a Solverde é, aparentemente, o cliente com a avença mais cara de entre o o lote de clientes. Trabalho feito por dois jovens colaboradores O trabalho da empresa, ainda de acordo com o documento, é realizado por uma advogada e um jurista, que colaboram com a Spinumviva desde 2022. Um deles, uma advogada, concluiu uma pós-graduação em Direito e Tecnologia em 2021, enquanto o jurista concluiu a parte lectiva de um mestrado em Direito e Informática em 2016. Ambos são colaboradores externos, não fazendo por isso parte do quadro da empresa. Segundo o Expresso já revelou, a Spinumviva pagou 69 mil euros a prestadores de serviços em 2021 e 66 mil euros em 2022, anos em que a empresa acumulou 650 mil euros de faturação e 343 mil euros de lucros. "Não é admissível que se ponha em causa a prestação destes serviços, os quais estão documentados e comprovados por contactos e rotinas que em muitos casos são diários. A relação contratual entre a Spinumviva, Lda e cada um dos seus clientes teve início numa altura em que o Senhor Dr. Luís Montenegro era sócio e gerente desta sociedade, mas não tinha qualquer atividade política. De resto, a prestação de serviços em causa é totalmente alheia a qualquer envolvimento político, razão pela qual se lamenta profundamente que uma relação puramente empresarial, seja agora afectada tão injustamente", lê-se no comunicado. O Expresso tinha revelado na edição desta sexta-feira que havia mais dois potenciais clientes da Spinumviva, a Rádio Popular e a Ferpinta, por coincidirem com as descrições que o primeiro-ministro fez no Parlamento. O Expresso enviou perguntas durante esta semana para quatro empresas, além da Solverde, incluindo a Media Livre (dona do "Correio da Manhã", para a qual o primeiro-ministro já admitiu ter prestado serviços na área de proteção de dados) e para a Rádio Popular e a Ferpinta. Nenhum dos pedidos de esclarecimento teve até agora resposta. Micael Pereira Grande repórter Micael Pereira