A QUE SOA A NOVA MARCA DE BRAGA?
2025-03-01 06:32:04

Texto Carlos Coelho Esta pergunta poderá ser cada vez mais atual nesta escalada de dúvidas identitárias que resultam da ventania de modernidade que traz a erosão de tudo o que nos distingue. No sentido organizativo do termo: uma marca territorial será um agregado de história e cultura que se manifesta numa geografia concreta e se expressa, em termos contemporâneos, numa sociedade dominada por interesses económicos. Ao longo deste caminho de 40 anos pelas marcas de Portugal, aprendi que, para conhecer realmente uma marca, temos de dormir com ela. Sim, adormecer e acordar com ela. Foi o que fiz, por exemplo, em 2022, na livraria Lello, quando quis ouvir o que os livros tinham para me contar e constatei que afinal são tímidos, que falam connosco, mas não se ouvem. São barulhentos à sua maneira; são uma espécie de pavões calados, que aguardam viçosos que os folheemos com os olhos, traduzindo para o nosso imaginário as vontades impressas nas páginas das suas almas. Ouvir as intimidades das marcas foi, na verdade, o que sempre fiz na minha forma desalinhada de ver o marketing pós-Kotleniaro. Passei uma parte da minha vida nas estradas, nas salas, nos aviões, nas conversas, nas dúvidas das pessoas e das marcas – a observar o que não estava escrito em nenhum lado, mas que se ouvia por todo lado. Tenho como convicção de que, para conhecer as marcas, temos de ter ouvidos subtis, não devemos fazer perguntas objetivas no sentido de obter respostas que na maioria dos casos, serão desinspiradas e funcionais Devemos antes observar as respostas e procurar as perguntas que vamos sentindo que as marcas têm para nos fazer. No correr de uma conversa soltam-se as palavras como riachos da nascente que procuramos e que nos soam a um princípio, ainda que nos indiquem um fim e, por isso, temos de conhecer a natureza das marcas. As marcas são assim, podem falar em sentido contrário. Não se deixam ouvir por quem delas apenas procura o lucro, ou as vendas, ou todas aquelas palavras de um vocabulário interesseiro; como se as marcas não tivessem sentimentos e fossem escravas dos interesses, promocionais, institucionais, banais Importa neste texto não confundir marcas com produtos. Os produtos ajustam-se aos consumidores. As marcas são sentimentos interiores. As marcas antes de serem rendimentos são sentimentos. Por isso, os marquistas são os que ouvem as marcas. Perguntam pouco, sentem muito! As marcas, antes de mais, são palavras, árvores de palavras: palavras-raízes, palavras-tronco, palavras-ramos, palavras-folhas, palavras-flores. É com palavras que se escrevem as marcas, é com palavras que se constroem os edifícios de marca. Mas nem todas as palavras soam à mesma nota, nem se traduzem no mesmo vocabulário. Temos de nos deixar tocar, temos de nos sintonizar com a linguagem das marcas. Neste texto de introdução ao caderno especial da marca Braga, partilho o sentimento de quem dormiu tantas noites em Braga, na procura de uma palavra que sempre lá tivesse estado e que fosse o som da eternidade que ligasse o futuro ao passado. Foi preciso subir a escadaria da insatisfação, chegar ao altar da nossa nacionalidade, para ouvir o som de Deus, que anuncia o país desde antes que Portugal o começou a ser; que liga a cidade às freguesias, que fala de quinze em quinze minutos. A marca de Braga sempre esteve lá, soa a futuro e soa a esperança, como em poucos lugares de Portugal. Ouvir o eco das marcas do nosso país é a minha sinfonia de vida e saber ouvir as marcas é o legado que gostaria de deixar, pois são elas o nosso passado e, se cuidarmos bem delas, serão elas os sinos do nosso futuro. A QUE SOA A MRRCA NOVA DE BRAGA? Braga é imensa. No tempo e nas camadas interconectáveis que ecoam por ela. texto Diana Carvalhido É histórica. Transformadora. Criativa. Ativista. Cativante. Expansionista. Experiencialista. Sonora. Braga é vibrante. Para a sistematização da identidade visual da marca de Braga, desde cedo percebemos a exigência em corporizar, precisamente, a mais vibrante cidade do país – e uma das mais da Europa. Exigimo-nos definir uma propriedade visual para uma filosofia de território: um sistema simbólico contemporâneo, para incorporar a experiência de Braga numa perspetiva de passado, presente e (tanto) futuro. Nesta procura, percorremos vários caminhos. Entre o Bom Jesus e Pedralva, entre o Sameiro e Maximinos, encontrámos a permanência de uma cidade polifónica : que efervesce pela multiplicidade de vozes, histórias, tradições, ideias, oportunidades – tantas são as camadas de afirmação desta que é uma cidade de possibilidade, de esperança, de anunciação. E, foi aqui, que soubemos que a identidade física da nova marca de Braga devia refletir isso e exponenciar um elemento que ressoasse tudo isso: tudo o que Braga é de forma tão vibrante. Enquanto signo, abordámos o sino como símbolo vivo. No seu eco temporal e espacial: o sino é simultaneamente memória e movimento. Cada badalada conecta o presente com o passado, enquanto projeta (anuncia em permanência) O futuro. ê a voz de uma cidade que nunca se cala, que pulsa em inovação e tradição. O sino é um símbolo que metaforicamente vibra e ecoa as múltiplas versões de uma Braga imensa: história, juventude, cultura, economia, inovação, desporto. Na sua plasticidade multi-sensorial: a identidade de Braga não se fixa numa dimensão (muito menos, apenas, na religiosa). o sino ganha vida como forma visual, como assinatura sonora e como espaço experiencial que convida à exploração. Este símbolo-som cria um espaço sensorial, memória singular e coletiva, transformando-se numa ponte entre as camadas de tempo e de vida que Braga contém. A MARCA "SINOMATOGRÁFICA" DE BRAGA: UMA IDENTIDADE QUE CRIA UM SISTEMA QUE PERMITE ITERAR-SE A SI PRÓPRIO INFINITAMENTE, COMO O SOM. A marca “sinomatográfica” de Braga: mais do que uma identidade gráfica estática, uma marca vibrante como a própria cidade, que dá igual importância e elevação a elementos visuais e sonoros. Criámos uma marca baseada na sensorialidade, onde as características visuais e sonoras de Braga se corporizam numa linha gráfica capaz de representar a cidade ao mesmo passo que produz mutações, um sentido de expansão e ecos interiores, que oscilam entre a presença e a transitoriedade: afinal, o som é a única coisa que pode fazer a ponte entre tempo e espaço entre lugares. Entre o tangível e o intangível. Como a própria noção de Braga. O objetivo? Explorar as possibilidades de uma abordagem multissensorial à cidade e à marca. Que a permitam viver, perdurar, reverberar pelo espaço e tempo com uma plasticidade única a Braga – uma abordagem estética, visual e sonora que nasce da experiência (e dinâmica) da cidade. Este conceito propõe um sistema vivo e em constante amplificação, inspirado nos sinos que definem a paisagem sonora e visual da cidade. Um sistema que incorpora as vibrações, os ritmos, as pessoas e a energia de Braga – um território fresco, jovem e em expansão contínua. Braga toca para a frente – ecoa possibilidades. Os sinos que a vestem não são só símbolo de história ou tradição. São uma chamada para a inovação, para a co-criação, para o encontro. Braga é onde o som se torna matéria, e a matéria se torna som. Onde viver soa a possibilidade e criar soa a amanhã. UMA TIPOGRAFIA CONTEMPORÂNEA QUE PARTE DA PRÓPRIA CIDADE, QUE SE DESENHA A PARTIR DELA E DE TRAMAS GRÁFICAS ÚNICAS QUE OCUPAM A CIDADE, E SE DINAMIZAM PELO PULSO E RITMO QUE A PAUTA. Braga evolui ao ritmo do compasso do que marca e dos que marcam a sua história. Uma tipografia que sobe a escadaria do Bom Jesus, que toca o futuro de 15 em 15 minutos e que se reinventa com uma Nova Porta aberta a todas as possibilidades. Tudo, numa melodia contínua marcada pelos sinos da cidade e freguesias, que atravessam passados e futuros sempre presentes. UMA PALETA CROMÁTICA EM TRÊS ANDAMENTOS: TONS GRAVES, AGUDOS E MÉDIOS. Os tons graves sustentam a base, como o alicerce de uma melodia sólida e profunda. Os agudos elevam-se, vibrantes, trazendo luz e energia, ecoando criatividade e inovação. Entre ambos, os tons médios encontram o equilíbrio, entre intensidade e suavidade, criando harmonia e continuidade numa composição visual que ressoa com emoção e significado. UM TERRITÓRIO GRÁFICO E SONORO ONDE CADA DETALHE E PARTE DE UM TODO EM CONSTANTE MUTAÇÃO. Que a toque de sino, pode mutar, girar, vibrar – expandir-se em resposta ao ambiente visual e sonoro. Braga é, e sempre será, compasso para o que está por vir. Criámos uma “sinomatomarca” que ressoa e vibra, mesmo que estaticamente. Mesmo que fotograficamente e em "mute". Por isso, ecoa simbolicamente através de elementos que desenham e recriam o sentido de onda, de expansão, de propagação, de vibração e som – em forma e cor. As ondulações, as irradiações, a fluidez que formam é um eco visível: o som tornado matéria e a matéria tornada som, sob uma imagem fotográfica que pulsa sempre mais do que aparenta. Um universo visual sonoro por natureza. BRAGA SOA A CAPITAL PORTUGUESA DA CULTURA 2025 Em 2025, a Marca Braga acentua o tom da cultura e abre a porta ao mundo da arte e da cultura, pulsando a batida de Capital Portuguesa da Cultura. A cidade celebra a criação artística nacional, em ligação com a Europa, mobilizando a comunidade e os agentes culturais locais, numa realização cultural inédita em mais de 2000 anos de história. A Estratégia Cultural de Braga 2020-2030 tem a cultura como eixo central do desenvolvimento sustentável da cidade pelo que foi dada primazia aos pilares da programação, capacitação de agentes, descentralização cultural, internacionalização e envolvimento de comunidades. Inaugurado a 25 de janeiro, com um espetáculo único e diferenciador que reuniu milhares de pessoas na cidade, o programa levará a Braga nomes como o da pianista Maria João Pires, do dramaturgo e encenador Tiago Rodrigues, da fadista Mariza ou da coreógrafa e dançarina Meg Stuart, que atuará ao lado de Francisco Camacho. Em coletivo, será possível assistir também à apresentação da Companhia Nacional de Bailado e da Orquestra do Algarve. No panorama internacional, há espaço ainda para colaborações nas áreas do cinema e da música como Daniel Blaufuks e Matthew Herbert, bem como uma exposição antológica de Kim Gordon, fundadora dos Sonic Youth. “Abra a porta e deixe entrar” Sonoridades ritmos, tons e uma diversidade rica de quem faz e visita a cidade ao longo deste ano, num compasso cultural com pulso e ritmo para todos. BRAGA SOA A ORIGINALIDADE A marca mais distintiva da Universidade do Minho talvez seja o seu traje peculiar, com um tricórnio sinal de originalidade e juventude. Ainda que a doutrina se divida sobre a origem deste adereço, é certo que os painéis de azulejo do Século XVIII que estão na escadaria do Paço Episcopal Bracarense, atual reitoria da Universidade do Minho, ilustram vários homens a usar tricórnio. Do Século XVIII a 1989 muitos anos se passaram, mas a Academia quis recuperar a tradição e redesenhando o adereço, introduziu-o oficialmente em 1989 no traje da instituição. Agora, os milhares de alunos que frequentam a Universidade do Minho e decidem trajar desfilam orgulhosos este elemento distintivo pelas ruas da cidade. Naquele que é considerado o concelho mais jovem do país – tinha nos últimos censos cerca de 60 mil residentes com idade inferior a 30 anos –; as várias instituições de ensino têm um papel essencial também na fixação de quadros qualificados que alimentam o tecido empresarial no município. Quem vive em Braga não hesita em reclamar o título de “cidade mais jovem” e diz que “basta um passeio pela cidade, a qualquer hora” para constatar a dinâmica jovial, que contrasta com a arquitetura milenar. BRAGA SOA/ CHEIRA A BOM JESUS O silêncio de uma mata onde tudo soa a poesia, o Bom Jesus envolve-nos no seu diálogo de sentidos. O vento carrega-lhe a voz sussurrada, que a dada altura soa a algo parecido com a nossa voz interior, e as árvores entrelaçam-se como irmãs para abraçar quem passa. No manto mais bonito que a natureza decidiu usar, os Cedros, Carvalhos, Sobreiros e Camélias, unidos à Terra pelas raízes e pelo amor, embalam-nos em direção ao lago, lugar de todos os encontros e memórias, significado daquilo que somos. BRAGA SOA A FRIGIDEIRAS Júlio Dinis descreveu-as como “divinais” e Camilo Castelo Branco como apetitosas". A história desta marca-iguaria bracarense remonta aos últimos anos do século XVIII, mas acaba quase sempre ofuscada pelas marcas gastronómicas principais: O Bacalhau à Braga ou Pudim Abade de Priscos. Reconhecida como uma das “Lojas com História” pela autarquia de Braga, as Frigideiras do Cantinho começaram a ser produzidas artesanalmente em 1796 em pleno coração da cidade de Braga, no Largo de são João de Souto. Há as simples, as mistas ou com guarnição que, ao gosto do cliente, para quem resiste a comer na hora, podem ser embrulhadas no papel da casa e atadas com um fio de algodão para facilitar o transporte. Reclamando o título de pastelaria mais antiga na cidade, mais de 200 anos depois, as Frigideiras do Cantinho continuam a ser produzidas seguindo a receita original, na versão tradicional em que a massa folhada é recheada com carne de vitela picada. Mas o sabor das frigideiras não é a única surpresa que se tem quando se visita a bi-centenária pastelaria. Quando em 1996 a família à frente do negócio decidiu ampliar o espaço e fez obras, descobriu vestígios romanos que datam do século III a v. Quando visitar a pastelaria, além da montra com as frigideiras e os doces, não se esqueça de olhar também para o chão em vidro que permite ver parte dos achados romanos que constituíam parte de Bracara Augusta. BRAGA SOA A MIL-FOLHAS DE SAIBRO m dos grandes mistérios para quem tenta perceber a localização de uma tão importante cidade na antiguidade era descortinar porque motivo a atual Braga, ao contrário do que era o padrão à data, se tinha instalado afastada das margens do Cávado, o principal rio que banha a região. Sendo os rios as principais vias de comunicação e fonte de rendimento, a fixação dos primeiros povos numa zona afastada da água era difícil entender, mas a explicação pode ser simples e estar na terra: o saibro. Ainda que não haja um consenso sobre O motivo para a fixação dos povos naquela região, terá sido a descoberta do saibro e respetivo potencial de utilização desta matéria-prima um dos pretextos para fixação dos povos. Em Braga, há historiadores que acreditam que haverá em termos arqueológicos vestígios de toda a ocupação humana. “os que ainda não temos é porque a investigação ainda não chegou”, defende-se para justificar a antiguidade da cidade ea densidade histórica que encerra em si. Não tendo Braga crescido exponencialmente em área, a justificação pode estar na construção em “camadas" num esforço de ir sacralizando os lugares que até então eram tidos como pagãos e de excesso. Um dos exemplos é o culto à deusa egípcia Isis que ainda coexiste na sé de Braga com a estátua de Nossa Senhora do Leite. Nos montes onde existiam povoados da idade do ferro, agora encontram-se capelas. Fenómeno, aliás, que ainda não terminou. Mais recentemente, são as comunidades imigrantes que dão nova vida às alminhas nos cruzamentos das estradas, alminhas essas que já resultam da anterior conversão de divindades protetoras da época anterior ao cristianismo. Braga foi evoluindo, aprimorando-se em camadas no compasso das várias civilizações que pisaram a região, num mil-folhas de cultura e simbologia. Há aliás, pontos conservados na cidade onde é possível concretizar essa ideia de mil-folhas ao ver, através de um vidro, parte da muralha romana e as várias camadas de história e ocupação que lhe sucederam até à atualidade. BrAgA SOA a R 0 C 70 5D BRAGA SOA A ARQUI-CULTURA Se O Porto é a nascente, Braga é o expoente da arquitetura. Como se não bastassem as inúmeras marcas dos tempos, como as Barrocas do Palácio dos Biscainhos, cuja construção teve início no século XVII com Constantino Ribeiro do Lago; ou as do ecletismo do Theatro Circo que começou a tomar forma pela mão do arquiteto João de Moura Coutinho; o arquiteto Souto de Moura quis deixar a sua marca com a mais bela ode ao futebol nacional, no Estádio Municipal de Braga, a “Pedreira”. Mas o epicentro da arquitetura contemporânea estende-se além do centro da cidade. No Campus da empresa dst está a nascer o mais ambicioso parque industrial de Portugal com edifícios da autoria de uma concentração inédita de (quase todos) Pritzker: Norman Foster, Alexandro Aravena, Manuel Aires Mateus, Sotto de Moura e do grande Álvaro Siza Vieira. E para que as artes e as marcas nunca deixem de cruzar a empresa comandada por Hernâni Teixeira, a dst convidou mais um génio da arquitetura, usando a prata da casa. O bracarense Carvalho Araújo vai assinar o futuro Museu de Arte Contemporânea que se está a erguer na Praça do Município e que irá marcar definitivamente a arqui-cultura da cidade. BRAGA SOA A MEDIA ARTS Desde 2017 que a UNESCO nomeia Braga como cidade criativa no domínio das Media Arts. As Media Arts resultam por definição do cruzamento entre a criatividade e a tecnologia, conceitos chave para que a cidade promova um desenvolvimento urbano mais sustentável e inclusivo. é nesta interseção entre artes, ciência, tecnologia e inovação que surge o EDIGMA Semibreve Award (ESA). Resultado da relação do festival Semibreve, plataforma única para a celebração da música contemporânea e da arte digital que figura entre Os melhores festivais do Mundo, e da EDIGMA, empresa líder na implementação de experiências imersivas. O prémio patrocinado pela EDIGMA foi estabelecido para promover a criação de trabalhos que exploram a interatividade, o som e a imagem através do uso de tecnologias digitais. Em 2024, na sua 9a edição, apresentou em Braga a obra vencedora “Chasing Waterfalls”, instalação audiovisual que evoca uma cascata suspensa com recurso a AI, criada pelo coletivo canadiano Hidden Edges. Citando Miguel Oliveira, CEO da EDIGMA: “Criar experiências que combinam o mundo físico e digital tendo sempre presente a criatividade como agente da transformação é um talento merecedor de reconhecimento. A associação da empresa a este prémio nasce de forma natural e inerente aos seus valores e características identitárias e, em última instância, pretende ser impulsionador da conceção de realidades futuras.” BRAGA SOA A NANOTECNOLOGIA Instalado no município em 2013, O INL (Laboratório Internacional Ibérico de Nanotecnologia) tem somado ano após ano distinções e avanços na investigação e desenvolvimento científicos. Braga foi cidade escolhida para a instalação da única organização intergovernamental totalmente dedicada à investigação em nanotecnologia na Europa. Contando com cerca de 500 pessoas, de 30 nacionalidades diferentes, só em 2023 conseguiu 10 famílias de patentes e cerca de três centenas de publicações, afirmando-se como um dos líderes no panorama internacional na área da nanotecnologia. O INL anunciou recentemente a integração numa linha piloto que faz parte do Ato Europeu dos chips, com objetivo de aumentar os projetos de investigação e inovação no campo dos semicondutores, para potenciar a produção europeia. Com a União Europeia a querer ter uma participação no mercado global de semicondutores de 20% até 2030, será também do berço do INL em Braga que serão criadas importantes soluções para o futuro. BRAGA SOA A INOVAÇÃO EUROPEIA Na mais recente edição da WebSummit o Presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, subiu ao palco para receber o galardão de Cidade Europeia Inovadora em Ascensão de 2024. Destacando-se entre as finalistas Linz, na áustria, e Oulu, na Finlândia, a escolha anunciada pela Comissária Europeia para a Inovação, Iliana Ivanova, sustentou-se no trabalho e estabelecimento de um ecossistema de inovação robusto e sustentável, alcançado pela cidade nos últimos anos. Da perspetiva de Ricardo Rio, o galardão permite que Braga se posicione “no mapa europeu como um centro de inovação, ao serviço da comunidade, reforçando a atractividade para a captação de investimento, de talento e novas parcerias internacionais.” E os ecos da inovação soam um pouco por toda a cidade, do distinto INL que concentra mais de duas centenas de investigadores nas várias áreas da nanotecnologia, aos centros de investigação da Universidade do Minho, passando pelas empresas que “surgem como cogumelos” e no dinamismo económico típico de sociedades jovens e empreendedoras. Braga, uma das marcas-cidade mais emblemáticas de Portugal, é também a concretização do exemplo de que tradição e inovação podem coexistir, criando um futuro promissor e sustentável. Conhecida pela riqueza histórica, que remonta à época romana, a cidade tem demonstrado uma impressionante evolução, tornando-se um polo de desenvolvimento económico, cultural e tecnológico. BRAGA SOA A ESPIRITUALIDADE Cidade das Igrejas e dos Arcebispos, a história de Braga é indissociável da espiritualidade e da presença da Igreja Católica.com dezenas de igrejas no centro da cidade e no concelho, há outros trilhos a serem calcorreados por milhares de turistas e peregrinos todos os anos que atravessam grande parte da mancha verde bracarense. Os tão conhecidos Caminhos de Santiago (de Compostela) fazem-se numa longa extensão de território de Braga, cruzando o Parque Nacional da Peneda-Gerês através da emblemática “Geira Romana”, um troço da via XVIII do Itinerário Antonino, que ligou em tempos Bracara Augusta à Austrurica Augusta (atual Astorga). Desde a Idade Média que os peregrinos utilizam esta rota para fazer parte do percurso até à Catedral de Santiago de Compostela, um percurso também de contemplação do imenso verde que Os envolve. A CASA-MÃE DE PORTUGAL Anterior à nacionalidade portuguesa, consagrada solenemente a 28 de agosto de 1089, a Sé Catedral de Braga continua a ocupar um lugar importante naquela que é conhecida como a “cidade dos Arcebispos”. Há quem lhe chame “casa-mãe de Portugal” e todos já ouvimos o adágio popular “mais velho que a sé de Braga”, mas a que soa a Sé Catedral de Braga? Só em 2024 recebeu cerca de 210 mil visitantes, dos quais apenas cerca de 16 mil eram portugueses O Tesouro-Museu da sé de Braga reúne mais de XV séculos de história da Arte e da vida da Igreja em Braga, tendo, por exemplo, em exposição a muito simbólica Cruz utilizada na primeira Missa celebrada no Brasil, depois do descobrimento pelos navegadores portugueses. A construção da sé atravessou vários períodos pelo que é possível ver o românico original na entrada principal e nos arcos das torres, já a nave interior é gótica e a zona do coro tem influências manuelinas, com altares de estilo barroco cobertos de folhas de ouro. Além dos sinos na torre, distintos e facilmente identificáveis (agora eixo principal da nova marca Braga), até por ouvidos menos treinados para os diferentes tons que o cobre produz, os órgãos da sé de Braga são outro dos pontos de atração do monumento. Do lado do Evangelho é possível ver um órgão histórico de tipo ibérico da autoria de Frei Simón Fontanes, construído em 1737. Já do lado da Epístola, do mesmo autor, está um órgão histórico Barroco de tipo também ele ibérico, construído dois anos mais tarde, em 1739. Ainda antes da viragem do século, em 1799, foi construído mais um órgão, para ser colocado no transito da sé, sendo um mais modesto órgão de armário. É também na sé de Braga que estão os túmulos do Conde D. Henrique e Teresa de Leão, os pais de D. Afonso Henriques, O que pode adensar também a justificação para o título de “casa-mãe de Portugal” que alguns lhe atribuem. A SEMANA MAIS QUE SANTA Desconhece-se o tempo e o modo que deu origem à realização das festividades da Semana Santa em Braga, mas é consensual que esta é uma marca com vários séculos de história. Já no século XIII a Igreja de Braga tinha uma tradição litúrgica própria, que foi sofrendo alterações ao longo dos séculos. Parte da tradição continua ainda a celebrar-se na liturgia e, por exemplo, em várias das procissões e momentos durante a Semana Santa. Não sendo de organização exclusiva da Igreja, foi sido criada uma comissão oficial que engloba também entidades como o Turismo Porto e Norte de Portugal ou a Associação Empresarial de Braga e ainda bracarenses que, a título individual, se mobilizam para a organização do evento anualmente. Integrada na Rede Europeia de Celebrações da Semana Santa e Páscoa, estima-se que cerca de 100 mil pessoas visitem Braga durante a Semana Santa, para assistir aos vários momentos religiosos um pouco por toda a cidade, com dezenas de iniciativas de cariz religioso e cultural. A “FÁBRICA” DE DEUS É de Braga que saem os sinos que ecoam por todo o país. Há quatro gerações nas mãos da família Jerónimo, a Fundição De Sinos De Braga - Serafim Da Silva Jerónimo & Filhos, mantém-se como a única fábrica de sinos ainda em funcionamento em Portugal, desde 1932. Os corredores da fábrica artesanal e o trabalho manual em cada um dos moldes dos sinos, único e irrepetível – uma vez que, para retirar o sino do interior do molde, é necessário destruí-lo – ilustra a particularidade desta indústria que se mantém viva e marca o tempo nas torres das igrejas pelo país fora e além-fronteiras. Estima-se que esta indústria, em tudo semelhante ao trabalho minucioso de um relojoeiro, já tenha dado som a mais dezenas de milhar de sinos. Para cada sino uma nota, num compasso por todos reconhecido, mas nem sempre ouvido já que a habituação ao toque frequente dilui a sensibilidade de ouvir os toques a cada hora, ou a cada quinze minutos. Com tecnologia desenvolvida ao longo das últimas décadas para automatizar os toques nos campanários, começam agora a tentar também formar sineiros, com workshops e certificados de uma função que há muito caiu em desuso. A ÁRVORE DA VIDA Vencedora do Prémio ArchDaily 2011 para o edifício religioso com a melhor arquitetura, a capela da árvore da Vida é uma das mais belas marcas da espiritualidade de Braga. Construída no interior do Seminário Conciliar de São Pedro e São Paulo, é frequentada maioritariamente pelos seminaristas durante o percurso formativo. Diz-se que o facto de ser “quase um segredo” potencia a obra, mas sem dúvida que merece uma visita demorada que permita contemplar todos os pormenores da construção. Assinada pelos Cerejeira Fontes Arquitetos, com a colaboração do escultor norueguês Asbjõrn Andresen, as 20 toneladas de madeira utilizadas não foram pregadas, nem utilizadas dobradiças para a erigir, antes foi tudo encaixado criando um jogo de luz e sombras peculiar que reforça o convite à reflexão e silêncio. A CAPELA DA HUMILDADE O restauro da Capela Imaculada, no Seminário Menor de Braga foi também da responsabilidade dos arquitetos Cerejeira Fontes, que conquistaram novamente em 2019 o Prémio ArchDaily para o edifício religioso com a melhor arquitetura. No Seminário Menor de Braga, a entrada faz-se por uma pequena floresta de madeira que tem na copa da árvore a Capela Cheia de Graça. O anterior coro alto da igreja deu lugar a uma capela com acesso reservado aos seminaristas que frequentam o seminário menor na cidade de Braga. Ao centro uma pouco comum imagem de Nossa Senhora, com a coroa no regaço, representando a Senhora da Humildade, da autoria do norueguês Asbjõrn Andresen. Outra das particularidades, além do altar colocado sobre água, é o confessionário, com uma simples cadeira de madeira ao lado e uma orelha esculpida no pilar de granito. As particularidades e contrastes com as traças das igrejas em Braga são tantos que assimilar a diferença pode ser um desafio. Só visitando as duas capelas é que é possível absorver todo o significado das obras. O BOM JESUS DE PORTUGAL Declarado, em 2019, Património Mundial da UNESCO, o Santuário do Bom Jesus do Monte é uma das marcas de Portugal, figurando como um dos apenas 17 lugares em Portugal que mereceram a distinção do Comité do Património Mundial. O escadório de quase seis centenas de degraus assusta até o atleta mais bem preparado, mas a sedução do funicular mais antigo do mundo ainda em funcionamento resolve o obstáculo à primeira vista. Inaugurado em 1882, sob a direção de projeto de um suio, o ascensor movido com um sistema de contrapesos de água permitiu ultrapassar o desnível de mais de 100 metros de altura que separava a Ermida da cidade.com registos de atividade desde 1373, com a construção de uma Ermida, So com D. Rodrigo de Moura Teles, em 1722 é que o projeto arquitetónico atualmente visível avançou. o início da construção da basílica dá-se em 1784 e só fica concluída 27 anos depois, em 1811. Quase dois séculos depois, o Santuário já ultrapassou a marca de mais de dois milhões de visitantes por ano e continua a ser um dos principais símbolos da cidade.