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AUDI QUER APOIOS MAIS ABRANGENTES PARA ELÉTRICOS

Jornal Económico (O)

2025-03-14 22:06:32

Automóvel Regras atuais para comprar carro elétrico deixam de fora maioria dos modelos da marca premium. Empresa defende subida do teto, considerando que o limite atual é “extremamente baixo”. amendes@medianove.com AS mudanças nos apoios à compra de carros elétricos estão a deixar de fora muitos modelos das marcas premium. O Governo aprovou mudanças nos apoios para este ano, com a descida em 38% do teto, para ter direito ao cheque para comprar um carro elétrico: de 62,5 mil euros para 38,5 mil. Mas só tem direito ao cheque de quatro mil euros quem entregar para abate um veículo a combustão com mais de 10 anos. São muitas condições que estão a complicar a vida às marcas premium que estão a apostar nos carros elétricos, mas cujo preço fica acima do teto agora rebaixado. “A nossa visão é que o valor que está atualmente fixado é um valor extremamente baixo, que permite aceder apenas a uma pequena parte das ofertas do mercado”, diz ao JE Nuno Mendonça, diretor-geral da Audi Portugal. “No caso da Audi, não estamos, infelizmente, a beneficiar dessa situação. O incentivo é para viaturas elétricas até um determinado valor... na Audi não temos viaturas nesse segmento”, afirma. “Não estamos a beneficiar” dos apoios em vigor, resume o gestor. Outra questão é o carro para abate, pois nem todos os clientes têm carros com mais de 10 anos. “Se calhar, têm um carro com 4/5 anos”, aponta. A marca lança em 2026 uma viatura elétrica com um “valor de entrada mais acessível”, com o modelo mais barato agora a ser O Q4 que custa 38 mil euros mais IVA, O que “não permite a u m cliente particular beneficiar desta regra em vigor”. Em 2024, a marca alemã viu as vendas de elétricos recuar 4% para cerca de 1.550 unidades em Portugal, mas as vendas de híbridos plug-in dispararam 60% para 1.170 unidades, com as vendas de híbridos elétricos a recuarem 31% para 460 unidades. “e muito importante mobilizarmos este mercado que está fora dos incentivos. Muitas vezes, a utilização das viaturas de família são em pequenos circuitos diários, onde o carro elétrico é claramente a melhor escolha. Era muito importante que se olhe para as famílias como um catalisador para esta mudança, para a mobilidade elétrica ser ainda mais vincada no nosso país”, acrescenta. No mercado de veículos elétricos, a Audi viu a vendas subirem 5% em fevereiro para 105 unidades, mas no acumulado do ano desceu 15% para 189 unidades, segundo dados da ACAP. A partir de 2030, a marca só vai vender veículos eletrificados em Portugal, antecipando em 3 anos a meta global da empresa. A Audi fechou 2025 com os carros elétricos a pesarem 35% nas vendas 2 os híbridos plug-in a atingirem 25% em Portugal. Nuno Mendonça deixa elogios à nova legislação no carregamento dos carros elétricos. “Esta legislação que foi preparada para simplificar o processo de carregamento das viaturas é extremamente importante, para que seja tão conveniente carregar uma viatura eléctrica como estar a pôr gasolina”. Para o gestor, este é o “caminho para chegar a uma situação em que com um simples cartão multibanco ou de crédito, em qualquer carregador, podemos pôr o nosso carro a carregar sem precisar de um contrato de energia por trás. Isto vai-nos ajudar claramente a este movimento de eletrificação no país”, concluiu o líder da Audi Portugal. Audi espera crescimento nas vendas este ano A Audi espera uma subida nas vendas para este ano. As vendas totais desceram 7% em 2024 para mais de 4.600 unidades. “Com a chegada dos novos elétricos, estamos claramente a ver que vamos ter um crescimento face àquilo que tínhamos registado o ano passado”, disse Nuno Mendonça, diretor-geral da Audi Portugal. As vendas em 2024 foram afetadas pela reformulação de vários modelos. Os stands vão vendendo os modelos anteriores, deixando os stocks esgotar, mas os novos modelos demoram a chegar com as fábricas em início de produção. Nuno Mendonça espera um crescimento das vendas este ano FOTO CEDIDA André Cabrita-Mendes