ISRAELO-PALESTINIANOS ABREM FÁBRICA CÂNHAMOR NO ALENTEJO
2025-03-17 19:53:05

A maior fábrica mundial de produção de blocos de cânhamo, num investimento que junta dois israelitas e dois palestinianos a viverem no Alentejo, tem inauguração prevista para o próximo verão. Sul do Alentejo, final de 2020: os israelistas Elad Kaspin e Omer Bem Zvi e os palestinianos Khalid Mansour e Azmi Afifi, que andaram a comprar terras na região, tornaram-se cidadãos portugueses e avançaram para investimentos conjuntos. Desta improvável amizade israelo-palestiniana nasceu a Cânhamor, nome de um projeto industrial que se apresenta como a primeira fábrica do mundo que faz o tratamento do cânhamo - divisão da planta em diversas matérias-primas - e a produção de blocos de cânhamo. "A nova unidade fabril inicia operações este verão e dinamizará a economia local com a criação de dezenas de postos de trabalho", revela a empresa de instalações especiais DTE, do grupo bracarense DST, que está envolvida na empreitada. "A nova unidade vai revolucionar o setor da construção em Portugal e no mundo, dado que os ECOblocos de cânhamo reduzem, significativamente, a pegada carbónica na edificação de infraestruturas modernas, uma vez que são feitos a partir de materiais 100% naturais", realça a DTE, empresa responsável pelo fornecimento, transporte e montagem de materiais e equipamentos referentes a instalações elétricas e de AVAC da Cânhamor. Instalado em Garvão num terreno de 36.500 metros quadrados, cedido pela Câmara Municipal de Ourique, a Cânhamor representa um investimento da ordem dos 20 milhões de euros e terá uma capacidade inicial de produção na área da construção civil de cerca de 250 casas por mês. "Os ECOblocos irão permitir uma construção mais sustentável, dado que o cânhamo absorve grandes quantidades de CO2 durante o seu cultivo, e os blocos resultantes têm propriedades que contribuem para a eficiência energética dos edifícios", afiança a DTE, cuja obra na Cânhamor deverá representar "quase 800 mil euros" de faturação para a empresa bracarense. Para além disso, "devido aos seus componentes, os ECOblocos são um material de construção que não gera desperdício em obra, recorrendo a um material altamente eficiente em termos energéticos, que vem juntar alvenaria e isolamento num só produto", acrescenta a mesma empresa do grupo liderado por José Teixeira. "Com esta obra, reafirmamos a nossa posição como um parceiro de referência em projetos de grande escala, apostando na inovação e na sustentabilidade para impulsionar a indústria do futuro", afirma Ricardo Carvalho, CEO da DTE, em comunicado. De acordo com a DTE, a principal vantagem da utilização dos ECOblocos "é garantir uma maior eficiência energética dos edifícios, devido ao elevado desempenho térmico, reduzindo significativamente o consumo energético em climatização e melhorando o conforto térmico e a qualidade do ar interior". De resto, conclui, "o cultivo de cânhamo é conhecido pela sua capacidade de capturar grandes quantidades de dióxido de carbono (CO2) durante o crescimento, contribuindo ativamente para a descarbonização da atmosfera". Rui Neves ruineves@negocios.pt Rui Neves ruineves@negocios.pt