EDITORIAL - A AGENDA IBÉRICA PARA VOAR MAIS ALTO
2025-03-17 22:09:29

eDItorIAl Na árvore genealógica dos satélites ibéricos, o espanhol Intasat-1 e o português PoSat-1 são os mais antigos, datando de 1992 e 1993, respetivamente. A geração mais jovem inclui nomes como o SpainSat NG, o satélite militar mais avançado da Europa, o PoSat-2, o Prometheus-1, o ISTSAT-1, o AEROS MH-1, GAR AI-A, o Deimos 1 e o Deimos 2 (que eram canadianos, mas foram “naturalizados” ao serem comprados pela portuguesa GeoSat. Nesta fase, já podemos até falar de várias famílias de satélites, ou seja de constelações como a Atlântica ou a Aton. Poderemos também falar de cooperação ao mais alto nível Se no que diz respeito à explora-ção do planeta, no passado, Portugal e Espanha dividiram o mundo ao meio, com o tratado de Tordesilhas, os cinco séculos que nos separam desse momento histórico terão sido suficientes para percebermos que a união poderá fazer a força no que toca à exploração do espaço ou à observação da Terra a partir do espaço, se quisermos afunilar o tema, que é capa desta edição. A parceria materializará a Constelação Atlântica, que só não se chama Ibérica porque a nossa vocação para a globalização não se perdeu nestes 500 anos. Ainda bem, como nos sugere Ricardo Conde, o presidente da Agência Espacial Portuguesa, a Portugal Space, já que os satélites são “mão de obra” cara, ou seja criar, construir, colocar em órbita e tratar os dados fornecidos pelos satélites implica avultados investimentos e a essa informação pode e deve servir vários “clientes”. Assim, a ambição da Constelação Atlântica não se circunscreve à Península Ibérica, estando prevista a possibilidade de incluir outros países no projeto, favorecendo a partilha e comercialização da informação obtida. Reino Unido e Grécia poderão ser os primeiros, mas o alargamento inclui também países africanos como Angola e sul-americanos como o Brasil e o México. Em causa está o aproveitamento de tecnologia que permite monitorizar o território terrestre e marítimo, o que se revela crucial em áreas como a defesa, a segurança, a agricultura, a sustentabilidade e a prevenção e gestão de catástrofes naturais, entre muitas outras aplicações. Espera-se que o uso e tratamento a dar aos dados fornecidos e a fornecer pelos satélites incentive a criação de várias empresas, serviços e aplicações. O setor espacial, de acordo com Ricardo Conde, é sinónimo de excelência em Portugal, estando o país presente nas principais missões da Agência Espacial Europeia. Espanha, por seu lado, tem uma forte indústria, estando também a desenvolver a sua capacidade tecnológica, pelo que se a agenda se cumprir, teremos ainda este ano satélites da constelação em órbita. A cooperação ibérica é bem-vista pelo atual Governo português, como deixou claro o ministro da Economia, Pedro Reis, no encontro com empresários e gestores promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola, no Porto, no passado dia 7 de fevereiro. “Sou profundamente defensor de um reforço da agenda ibérica“, declarou o ministro, que apoia o fortalecimento de parcerias em áreas estratégicas como a energia, a mobilidade ou a digitalização, sustentando que Portugal e Espanha devem também unir esforços e articular políticas para atrair investimento estrangeiro para a Península Ibérica e acelerar a competitividade. ? *E-mail: smarques@ccile.org Susana Marques