pressmedia logo

GOLDENERGY JÁ É O TERCEIRO FORNECEDOR DE ELETRICIDADE ÀS FAMÍLIAS EM PORTUGAL E QUER CHEGAR A UM MILHÃO DE CLIENTES

Expresso Online

2025-03-18 22:17:17

Em 2024 a Goldenergy consolidou o estatuto de terceiro maior fornecedor de clientes domésticos de eletricidade em Portugal. Miguel Checa, que lidera a empresa, está satisfeito com o ano que passou, mas preocupado com a possível perda de universalidade da rede pública de carregamento de carros elétricosControlada pelo grupo suíço Axpo, a Goldenergy está no pódio dos maiores comercializadores de eletricidade no segmento doméstico em Portugal, tendo perto de meio milhão de clientes, mas a empresa está a trabalhar com a meta de mais do que duplicar a carteira de contratos. "O nosso objetivo interno é chegar a um milhão de pontos de abastecimento. Mas não temos pressa", afirmou ao Expresso o diretor-geral da Goldenergy, Miguel Checa.Os dados da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) mostram que a quota de mercado da Goldenergy no total de clientes do mercado liberalizado de eletricidade subiu de 7,7% no final de 2023 para 8,5% no término de 2024, o que permitiu à empresa consolidar a terceira posição, atrás da EDP Comercial (cuja quota baixou de 67,5% para 61,6%) e da Endesa (que também teve uma ligeira redução, de 11,2% para 10,9%).A Goldenergy esteve entre os comercializadores de eletricidade que conseguiram ganhar quota no ano passado, a par com a Iberdrola (que subiu de 5,2% para 5,7%), a Galp (de 4,9% para 5,6%), a Meo Energia (de 0,8% para 2,6%) e a Repsol (de 0,5% para 1,3%). O ambiente concorrencial no segmento doméstico tornou-se mais dinâmico ao longo do ano passado, com o maior operador, a EDP, a perder parte da sua carteira de clientes para vários concorrentes.Miguel Checa nota que "o incumbente está a perder quota de forma natural" e defende que "o mercado português funciona bastante bem". O gestor sublinha que a Goldenergy está focada no fornecimento de eletricidade e gás natural, mas também tem outros serviços, como a comercialização de energia para a mobilidade elétrica ou a venda e instalação de painéis solares, estando a fazer cerca de uma centena de instalações por mês.Com 240 trabalhadores em Portugal, a Goldenergy opera atualmente uma rede de 70 lojas, que quer expandir até às 100 localizações (um objetivo que a empresa já tinha traçado em 2021, mas que a pandemia travou), para reforçar o atendimento presencial aos clientes. A empresa pretende ter uma centena de espaços de atendimento físico em 2026.E uma das áreas em que a empresa está presente e onde quer continuar é a da mobilidade elétrica. O Governo chegou a aprovar um projeto com alterações às regras de funcionamento da rede pública, que está em consulta pública. Mas Miguel Checa considera que as mudanças propostas são desnecessárias, porque poderão verticalizar o negócio do carregamento público, criando infraestruturas exclusivas de determinados operadores, ao invés de fomentar uma rede onde em qualquer ponto os utilizadores podem ter acesso a qualquer comercializador de eletricidade."Perder a universalidade da rede de mobilidade elétrica seria estranho""O sistema português de mobilidade elétrica tem sido um grande sucesso. Permite a concorrência", sublinha Miguel Checa. "Um cliente Goldenergy hoje pode carregar em mais de 5800 pontos de carregamento. Perder esta universalidade da rede seria estranho", refere o gestor, preocupado com a morosidade do processo de licenciamento de novos postos."A rede universal [de carregamento público para carros elétricos] como existe promove maior concorrência. Um sistema de redes fechadas cria uma barreira à entrada de novos players", alerta Miguel Checa.Além da eletricidade, a Goldenergy também opera no mercado de gás natural, que em Portugal tem menos clientes do que o da eletricidade. Mas também no gás a Goldenergy é o terceiro fornecedor em número de contratos, com uma quota de 18% (estável face à que tinha no final de 2023), apenas atrás da EDP Comercial (com 40,2%) e da Galp (com 21,8%), de acordo com a ERSE.No ano passado a Goldenergy e o seu acionista, a Axpo, anunciaram o investimento de 8 milhões de euros numa central de biometano em Vila do Conde, que aproveitará anualmente 78 mil toneladas de resíduos agropecuários para produzir gás. E as duas empresas não querem ficar por aí. "Estamos à procura de mais projetos no país", afirma Miguel Checa.A aposta no biometano é uma das vertentes da descarbonização da matriz energética portuguesa, para substituir parte do gás natural hoje consumido pelas famílias e empresas, somando-se aos investimentos que estão a ser feitos no hidrogénio verde, permitindo tornar mais sustentável o uso de gás em consumos onde a eletrificação de base renovável é mais difícil. Para Miguel Checa, o desenvolvimento do negócio da Goldenergy em 2024 foi satisfatório. "Foi um ano bastante bom", conclui o gestor.Miguel PradoJornalistaMiguel Prado