TRUMP PEDE "20 ANOS DE CADEIA" EM EL SALVADOR POR "TERRORISMO DOMÉSTICO" CONTRA A TESLA
2025-03-23 22:09:24

Secretário do Comércio apela à compra de acções da Tesla, em violação das leis que impedem a promoção de produtos e empresas por responsáveis governamentais. A Administração Trump continua a tentar estancar a queda na bolsa da construtora automóvel norte-americana Tesla, de Elon Musk, e a travar a vaga de boicotes e de actos de vandalismo contra a empresa do multimilionário a quem a Casa Branca entregou a missão de desmantelar vastas áreas do Estado, e que foi o maior financiador da campanha eleitoral republicana de 2024. Esta sexta-feira, o Presidente norte-americano recorreu à sua rede social, a Truth Social, para ameaçar com "sentenças de 20 anos de cadeia" quem atacar stands da marca de carros eléctricos. "Mal posso esperar para ver vândalos terroristas doentios levarem com sentenças de 20 anos de cadeia pelo que estão a fazer a Elon Musk e à Tesla. Talvez possam servi-las nas prisões de El Salvador, que recentemente se tornaram famosas pelas suas condições maravilhosas", escreveu Donald Trump, referindo-se aos centros prisionais e de trabalhos forçados no país centro-americano para onde os Estados Unidos têm deportado cidadãos estrangeiros suspeitos de crime. Na noite anterior, o Presidente afirmou que os instigadores dos protestos seriam igualmente responsabilizados. Trump e a procuradora-geral norte-americana, Pam Bondi, qualificam os ataques das últimas semanas a stands da Tesla nos EUA de "terrorismo doméstico". Na quinta-feira, o Departamento de Justiça imputou a três indivíduos nos estados de Oregon, Colorado e Carolina do Sul o arremesso de cocktails molotov contra stands e postos de carregamento eléctrico da marca. Sem detalhar os crimes de que estão formalmente acusados, a procuradoria norte-americana indicou, em comunicado, que estão em causa "penas mínimas de cinco a 20 anos de cadeia". "Que isto seja um aviso: se se juntarem a esta vaga de terrorismo doméstico contra propriedade da Tesla, o Departamento de Justiça vai pôr-vos atrás das grades", declarou Bondi, citada no comunicado do Departamento de Justiça. Governo promove Tesla, Musk reúne cúpula As acções da Tesla na bolsa de Nova Iorque caíram cerca de 28% no último mês e 50% desde o pico de valorização máxima de 17 de Dezembro, e estão entre as que mais desvalorizaram este ano no índice S&P 500, que lista as 500 maiores empresas norte-americanas, embora estivessem a inverter a tendência de queda esta sexta-feira. A desvalorização recente é atribuída a um crescente boicote dos consumidores em vários países pela associação de Musk a Trump e a movimentos de extrema-direita, que tem estado a abrandar a venda de novas viaturas e a reduzir o preço médio da Tesla no mercado de usados, mas também à cada vez mais agressiva concorrência chinesa e ao impacto das taxas alfandegárias anunciadas por Trump nos custos de produção. Na quarta-feira, um dos analistas de Wall Street historicamente mais entusiastas do investimento na marca, Dan Ives da Wedbush Securities, reconheceu que "a Tesla atravessa uma crise" e apelou a uma mudança de curso por parte de Elon Musk. Ross Gerber, CEO da gestora de investimentos Kawasaki, disse na quinta-feira à CNN que chegou a hora de a empresa designar um novo líder: "Não resta mais nada que Elon possa fazer para afastar os consumidores." Na noite de quinta-feira, Musk reuniu de emergência a cúpula da empresa. Reconhecendo os desafios actuais, e condenando a vaga de vandalismo contra os seus stands, o multimilionário mostrou-se contudo optimista e fez uma série de promessas e de previsões: a Tesla será líder mundial em carros autónomos, sobretudo com a produção de um táxi robotizado, o Cybercab, e a nova versão do Model Y será o veículo mais vendido do mundo. "Não vendam as vossas acções", disse. Noutro acto incompatível com as leis que impedem a promoção de empresas ou produtos por parte de responsáveis governamentais norte-americanos, tal como a recente acção de promoção da Tesla por Trump nos jardins da Casa Branca, o secretário do Comércio, Howard Lutnick, apelou na quarta-feira aos telespectadores da Fox News para comprarem acções da companhia. "Comprem Tesla. É inacreditável que as acções deste tipo [Elon Musk] estejam tão baratas. Não voltarão a ser tão baratas", declarou Lutnick. O apoio da Administração Trump à Tesla, as promessas de Musk e a opinião de vários analistas de que, a prazo, a empresa crescerá com a aposta na robótica e na mobilidade autónoma têm atraído pequenos investidores individuais a um ritmo recorde, noticiava esta sexta-feira a Bloomberg, citando dados do banco JP Morgan. Actualmente, contudo, já não é a Tesla, mas, sim, a empresa aeroespacial SpaceX, que continua a somar contratos com o Estado apesar de crescentes acusações de conflitos de interesse, a principal fonte da fortuna do homem mais rico do mundo. tp.ocilbup@orierreug.ordep Pedro Guerreiro