UM REGRESSO EM GRANDE
2025-03-23 22:09:28

Com 0 Grande Panda a Fiat regressa ao segmento B. Apesar de ser bastante maior e de reunir um conjunto de tecnologias inovadoras ele herda os genes do Fiat Panda que desde a década de 80 do século passsado tem mobilizado gerações de adeptos FOTOGRAFIA GONçALVES MARTINS 0 Fiat Grande Panda chega agora a Portugal com a versão 100 % elétrica (a híbrida virá mais tarde) com ambições mais vastas do que a substituição do atual Panda que passou a chamar-se Pandina e continuará a produzir-se, tal como o conhecemos, pelo menos até 2027, Construido sob a plataforma ”smart car” especialmente concebida para mercados emergentes, como a India e alguns países da América do Sul, o Grande Panda é um carro destinado ao mercado global com especificações diferentes tanto ao nível das várias soluções energéticas, como das suspensões, graças à plataforma multi-energia que pode receber motores a gasolina (com ou sem assistência elétrica), bem como motores elétricos, como era o caso o versão ensaiada. A semelhança do previsto para O Citroên c3 e para o Opel Frontera, que usam a mesma plataforma, também o Grande Panda terá uma versão de sete lugares. POTêNCIA SUFICIENTE Esta versão 100% elétrica mostrou ser capaz de satisfazer as necessidades de quem procura um carro essencialmente urbano, devido às dimensões reduzidas, à sua enorme agilidade para andar no meio do trânsito e ainda aos 320 km de autonomia. Caraterísticas que decorrem da suavidade de funcionamento do motor elétrico, bem como de outros elementos, como a direção, os pedais, o sistema de travagem e a suspensão que, sem recorrer a uma afinação especialmente branda, proporciona um bastante conforto aos cinco ocupantes que, nesta versão La Prima, gozam de um ambiente mais requintado do que na versão RED dotado de soluções mais simples. Com o motor elétrico colocado à frente, os 113 cv são mais que suficientes para se andar pela cidade e arredores, o "habitat” do Grande Panda. Na auto-estrada mantém a velocidade máxima (132 km/h) com relativa facilidade, mas não sobra nenhuma potência quando se atinge essa meta. Ao contrário de alguns motores elétricos com níveis de potência semelhantes, este não entrega a potência de forma tão rápida. Pelo contrário, quando pisamos o acelerador sentimos um certo atraso na resposta. Esta é uma caraterística do seu funcionamento que requer alguma habituação uma vez que ao conduzirmos um automóvel elétrico estamos sempre à espera de uma reação mais rápida. a semelhança do Citroên eC3, a Fiat usa uma bateria LFP de 44 kWh, o suficiente para em condições reais não andar muito longe da autonomia anunciada. Durante o nosso ensaio e sem conseguirmos comprovar se o consumo real excede os 16,8 kWh/100 km devido à ausência dessa indicação no computador de bordo (um lapso que a Fiat facilmente resolverá reprogramando o layout da instrumentação que neste momento só indica a autonomia) conseguimos chegar aos 289 km de autonomia, ou seja, menos 31 km do anunciado (320 km). CARREGAMENTO INOVADOR Esgotada a capacidade da bateria esta pode ser carregada em corrente alterna até uma potência máxima de 7 kW. Para isso basta usar o cabo retrátil que se esconde atrás da grelha da frente em forma de espiral e com 4,5 metros de comprimento. Esta funcionalidade única e inovadora facilita bastante o processo de carregamento. Em alternativa e ainda em modo de corrente alterna é possível usar um cabo externo e ligá-lo a uma tomada colocada na parte traseira com uma potência um pouco superior (11 kW) uma opção que custa 295 euros. Em corrente contínua o pico da potência máxima situa-se nos 100 KW pelo que uma carga dos 20% aos 80% demora 27 minutos. A denominação “Grande” faz todo o sentido já que este modelo, que não ultrapassa os 3,99 metros de comprimento, acolhe bem cinco passageiros graças a uma boa habitabilidade com destaque para os 64 centímetros atrás, um espaço idêntico ao do c3 (63 cm). Do design simples destacamos alguns elementos, como as letras “PANDA” em 3D nas portas, ou as letras “FIAT”, ,na parte traseira sobre a tampa da mala, bem como as proteções em plástico das cavas das rodas que fazem a altura ao solo parecer maior do que é (137 milimetros), enquanto as barras do tejadilho que lhe dão um toque radical, uma herança do Panda. o interior do Grande Panda tem um ar moderno que, em função do nível de equipamento (RED ou La Prima) também pode ser muito colorido. Além disso, existem vários elementos que evocam O Panda original e outros aspetos da cultura italiana e da Fiat. O módulo da instrumentação e do sistema multimédia, tem a forma da pista de Lingotto, enquanto o tecido dos bancos é muito parecido com o de algumas versões do modelo original. REQUINTADO E ACESSíVEL Independentemente dos detalhes, o tablier do Grande Panda é funcional e tem quase todos os principais comandos à mão. A configuração é a habitual, com dois ecrãs digitais, um para a instrumentação (10 polegadas) e outro para o sistema multimédia (10,25 polegadas). A maior lacuna da instrumentação reside na escassez de dados relativos à condução. Grande parte dos materiais utilizados são reciclados, caso dos painéis das portas. Na versão La Prima o tablier é construido com bambu, uma solução que introduz maior requinte ao interior onde encontramos algumas funcionalidades, como vários compartimentos para arrumar pequenos objetos. No total, SãO 13 litros distribuídos pelo habitáculo, dos quais 3 litros encontram-se num único compartimento de arrumação. A mala tem uma capacidade acima da média com 361 litro (a versão híbrida que chegará mais tarde reivindica 412 litros). Os únicos aspetos menos conseguidos ao nível da mala é a altura de acesso, quase 80 centímetros, e a ausência de elementos para melhorar a arrumação de certos objetos. No domínio da segurança O Fiat Grande Prima inclui um conjunto abrangente de sistemas avançados de assistência à condução em especial nesta versão La Prima com um preço que começa nos 26 547 euros (a versão RED custa 23 547 euros). O ESTILO Desenhado com total independência, o Fiat Grande Panda tem 3,99 metros de comprimento. No exterior encontramos elementos característicos como a letras em 3D de Panda e Fiat lateralmente e atrás. 0 sistema de iluminação recria um jogo famoso dos anos 80 CONSTRUIDO SOBRE A MESMA PLATAFORMA DO CITROEN C3, 0 GRANDE PANDA E UMA CARRO MUITO DIFERENTE UMA DAS GRANDES INOVAçóES DO GRANDE PANDA é 0 CABO RETRáTIL DE 4,5 METROS á FRENTE FIAT GRANDE PANDA LA PRIMA PREçO 23 547 EUR (26 547 EUR VERSãO ENSAIADA) MOTOR 1 ELETRICO SíNCRONO POTENCIA 113 CV (83 kW) | BINãRIO MAX. 125 NM | PESO 1629 KG RELAçãO PESO/POTENCIA 14,4 KG/CV TRANSMISSãO AUTO 1 VEL. TRAçãO DIANTEIRA ACEL. 0-100 KM/H 11 SEG. VEL. MAX. 132 KM/H CONSUMO (WLTP) 17,6 KWH/100 KM (16,8 KWH/100 KM+) CAPACIDADE DA BATERIA ND (uTEIS: 43,8 KWH) IAUTONOMIA 301 KM (320 KM+) TEMPO DE CARGA (7,4 KW) 7,8H (11 KW) 5 H (100 KW) 27 MINTOS ATE 80% CARGA MãXIMA EM AC/CC 11 KW/100 KW COMP: 3,99 LARG. 1,76 ALT. 1,57 (METROS) DISTãNCIA ENTRE EIXOS 2,54 (METROS) BAGAGEIRA 361 A 1315 (LITROS) *VALOR ANUNCIADO O EFICIENCIA ENERGETICA CABO DE CARGA RETRãTIL CAPACIDADE DA MALA INDICAçãO DO CONSUMO ACESSO ã MALA INOVADOR Para além de espaçoso, o interior do Fiat Grande Panda está carregado de elementos inovadores que nos convoca para a história do Fiat Panda dos anos 80. A forma que envolve a instrumentação e o sistema multimédia simbolizam a pista da fábrica de Lingotto, em Turim. Na instrumentação não há nenhuma indicação do consumo, só da autonomia MARCO ANTÓNIO