BANCA A FINANCIAR DEFESA? "NÃO HÁ SETORES PROSCRITOS", DIZ PRESIDENTE DO BPF
2025-03-23 22:09:28

Gonçalo Regalado diz que investimentos que possam ter um uso civil e um uso militar são enquadráveis no financiamento do Banco Português de Fomento. Diz que também a banca comercial quer financiar boas empresas, sendo que "em todos os setores", incluindo o da defesa, há "ótimas empresas". A Europa está a rearmar-se. Com a perda de um parceiro histórico, os EUA, avançou com um plano para que os 27 Estados-membros reforcem o investimento em defesa. Há um pacote de 800 mil milhões de euros, mas há também necessidade de financiar as empresas que vão ajudar os países a cumprirem as metas. Para a banca, já "não há setores proscritos", diz Gonçalo Regalado em entrevista ao Negócios e à Antena 1. O setor quer "financiar boas empresas, em todos os setores, garante o presidente do Banco Português de Fomento (BPF). Quais os setores mais ávidos de financiamento? As boas empresas têm bons bancos em Portugal e conseguem ter acesso a financiamento com bastante simplicidade. Em todos os setores? Praticamente todos. Mesmo os que têm mais risco? Quem conhece a banca comercial sabe que não há setores proscritos. Ou seja, e até aqueles que eram no passado proscritos são hoje setores de alta dinâmica empresarial e comercial. Eu dou exemplos. O Banco Europeu de Investimento e o Fundo Europeu de Investimento tinham setores proscritos na área do armamento, das armas, das munições, da guerra. Hoje, esses setores não só não são proscritos, como até são muitas vezes propalados como setores de altíssimo impacto. Estamos em Portugal e esquecemos, mas nós estamos com uma Europa que está em guerra. Quando falamos com os nossos bancos parceiros promocionais na Polónia, na República Checa, na Áustria, nós percebemos claramente que a primeira prioridade daqueles países que estão naquelas fronteiras é a paz. E o BPF também não vai ter nenhuma restrição a financiamento na área da defesa? Seguimos a regra europeia. Aquilo que nós chamamos o "dual use", ou seja, investimentos que possam ter um uso civil e um uso militar, são enquadráveis [no nosso financiamento]. A banca comercial quer/pode financiar estes setores? Eu penso que a banca comercial quer sempre financiar boas empresas. E nestes setores há ótimas empresas. Mas há aí um detalhe que é a utilização civil e militar, o que significa que projetos só de âmbito militar para defesa não vão financiar? Dou dois exemplos. Nós temos drones feitos na Tekever, uma empresa portuguesa com enormíssima qualidade, que podem ser financiados ao abrigo do Rearm Europe. Porquê? Porque são drones para fins puramente civis, de videovigilância, de controlo de fronteiras, de gestão de espaço e de controlo de território, mas também podem ser drones utilizados para fins militares. E a aeronave que estamos a fazer no CEiiA, que aproveitou o trabalho na indústria, na tecnologia, nos polos de maior impacto e desenvolvimento do Norte, e transformou uma oportunidade na indústria automóvel numa na defesa. São exemplos destes que nós estamos a falar. Não estou a ver Portugal a criar uma indústria de armamento militar como está a ser feito pelos alemães, pelos franceses e pelos britânicos. Podia ser para armas? Muitas das restrições que estava habituado a ver quando trabalhava em banca comercial, caíram. Vejo os bancos comerciais ávidos por apoiar o investimento e por fazer financiamento. Todos me dizem que nós queremos financiar boas empresas. Em todos os setores. E em todos os setores há ótimas empresas. Paulo Moutinho paulomoutinho@negocios.pt | Rosário Lira Antena 1 Paulo Moutinho paulomoutinho@negocios.ptRosário Lira Antena 1