CONSTRUÇÃO MODULAR CRESCE A DOIS DÍGITOS E ATENUA CRISE DA HABITAÇÃO
2025-03-23 22:09:29

O mercado das casas pré-fabricadas e modulares é cada vez mais uma solução para quem não consegue comprar uma habitação e as empresas do setor estão a crescer na ordem dos dois dígitos. A construção é mais rápida e o preço final da casa chega ser de metade, mas há muitos pormenores e é fácil que o orçamento derrape. Foi no Seixal que o JN encontrou a exposição de modelos pré-fabricados da "Casa Diff", uma empresa que fabrica, transporta e monta habitações de madeira há 30 anos. Nos últimos 20 cresceu a dois dígitos, mas nunca como agora. "Para este ano temos previsto um crescimento de 40%", revela Daniel Lopes, CEO. Na fábrica de 15 mil m2 da Diff em Amarante fazem-se cerca de 20 modelos de casas com dezenas de acabamentos. "A estrutura é em madeira, mas depois há vários acabamentos que podem ser de madeira ou painéis reciclados e a olho parece uma casa tradicional", adianta. A coqueluche da Diff é o T3 de 108 m2 por 80 mil euros, mais IVA, entregue entre 4 e 6 meses. Vem mobilado e é quase chave na mão, pois inclui transporte, montagem e projetos de arquitetura e especialiddades, que podem ser complexos. Cuidados a ter no processo Todos estes aspetos são custos a somar ao preço final se o vendedor não os providenciar. Mas há mais. É sempre preciso ter o terreno, nalguns casos a base de cimento e o respetivo trabalho, as ligações à rede de água e saneamento, mais as taxas e licenças da câmara e estar atento aos acabamentos e revestimentos que geralmente vêm à parte. Para quem recorre a crédito, o spread pode ser ligeiramente superior ao normal e o custo do seguro também. Várias empresas de construção modular dispõem de simuladores que mostram quase sempre uma diferença na ordem dos 15% entre o preço base e o preço final de uma casa de gama média. O que, no final de contas, acaba por ser mais barato do que a construção tradicional, estimulando a procura. Alguns exemplos recolhidos pelo JN mostram que o preço por m2 de uma casa modular pode ser inferior a metade do valor das habitações em construção tradicional, calculado pelo INE, que inclui novas e usadas. Do lado da oferta, face à falta de mão de obra, as empresas de construção estão a investir cada vez mais em processos industriais e em tecnologia para conseguirem ter preços competitivos e rapidamente mitigarem a falta de casas em Portugal. Segundo a Associação dos Industriais da Construção Civil e das Obras Públicas (AICCOPN), construir uma casa nova ficou mais caro 4,3% em 2024, sendo que os materiais só inflacionaram 0,9%, mas o custo da mão de obra aumentou 8,6%. Não é de estranhar, por isso, que estejam a aparecer cada vez mais empresas de construção modular no mercado e que as que já existiam, como a Modiko, a Rusticasa ou A Boa Casa, estejam com maior procura. Algumas das principais empresas de construção do país também estão a investir dezenas de milhões de euros em construção pré-fabricada. A Casais tem a Blufab e já tem planos para outra fábrica; a Mota-Engil criou uma fábrica de casas de banho pré-fabricadas; e a DST está a construir uma "fábrica de casas" que candidatou a fundos europeus. Preço das casas volta a acelerar com aumento de 9,1% O preço das casas voltou a acelerar, no ano passado, com um aumento de 9,1%, superior à subida de 8,2% registada em 2023. Apesar disso, a procura não arrefeceu e as vendas subiram 14,5% no mesmo período, revelou, esta sexta-feira, o INE. A grande subida de preços aconteceu no último trimestre do ano, indicam os dados, o que pode resultar das sucessivas descidas das taxas de juro e dos incentivos do Governo, nomeadamente o IMT Jovem, iniciado em agosto. O crescimento de 9,1% do preço dos imóveis é sobretudo devido ao custo das habitações usadas, que aumentou 9,7%, contra a subida de 7,5% das casas novas. Em ambos os casos, o aumento está acima do registado em 2023. Ao todo, em 2024, foram transacionadas 156 325 habitações, o que representa um aumento de 14,5% face ao ano anterior. Do total de vendas, cerca de 80% eram imóveis usados e 20% eram novos. O mercado dos usados foi o que mais cresceu em valor e em número de transações. No conjunto, as vendas de 2024 totalizaram 33,8 mil milhões de euros. Norte lidera e cresce mais O INE divulgou ainda as estatísticas sobre as transações de imóveis por região, onde se percebe que o Norte lidera, de forma destacada, com 46 361 casas vendidas, mais 16,7% do que em 2023. É o segundo maior crescimento, a seguir ao da Península de Setúbal, que foi de 17,3%. As transações registadas nas regiões autónomas, na Grande Lisboa e no Centro cresceram todas acima da média nacional de 14,5%. Abaixo da média só o Algarve, o Oeste e Vale do Tejo e o Alentejo. O Algarve teve o único decréscimo do país, de -1,9%. Conforme sejam habitações novas ou usadas, o comportamento do mercado por regiões também difere. Na Madeira, a venda de casas novas aumentou 68%, com o segundo lugar a pertencer aos Açores (cresceu 16,4%) e o terceiro ao Alentejo (16,3%). Na venda de usados, o Norte e a Península de Setúbal registaram os maiores crescimentos, ambos com 17,7%. Casa modular T3 da Casa Diff Delfim Machado