MECÂNICO DO CONCELHO FALA SOBRE IMPACTO QUE OS NOVOS VEÍCULOS TROUXERAM À PROFISSÃO - ADAPTAÇÃO É A PALAVRA-CHAVE PARA OS MECÂNICOS ENFRENTAREM A NOVA ONDA DE VEÍCULOS ELÉTRICOS E HÍBRICOS NÃO SÓ
2025-03-28 22:07:05

ê uma tarefa difícil falar sobre automóveis e manter de fora da discussão os novos veículos que têm aparecido no mercado, muitos destes elétricos e híbridos. Devido aos problemas que o mundo tem enfrentado no combate às alterações climáticas, muitas marcas têm investido em novos modelos mais "amigos do ambiente” que colocam de parte as emissões de carbono (consequência dos carros movidos a gasóleo ou gasolina). O Portomosense ouviu o mecâniCO João Gomes, cuja oficina está localizada na Moitalina, na freguesia das Pedreiras, que nos explicou como o aparecimento destes novos carros pode vir a mudar o panorama desta profissão. O profissional de 60 anos revelou ao nosso jornal que tem a sua oficina desde 1994 e desde então já passaram pelas suas mãos várias gerações de veículos das mais diversas marcas, contudo, ainda não teve a oportunidade de trabalhar com carros elétricos nem híbridos, «[os novos carros] são coisas muito recentes e ainda vai tudo à [marca de] origem» começou por dizer, acrescentando que está a fazer mudanças para poder trabalhar nesses veículos, e que isso passa por contratar um novo ajudante que já tenha experiência e formação nesse novo ramo da mecânica. «Mas para já, não há muito para trabalhar e também não temos procura. Há muito pouca gente a trabalhar nisSo», explicou. Na ótica de João Gomes estes carros são ainda muito novos para terem de recorrer a oficinas que não sejam as da marca, uma vez que os carros com cinco, seis ou até sete anos, em muitos dos casos, ainda estão abrangidos pela garantia. Apesar de ainda não recorrerem aos serviços do mecânico da Moitalina, os carros elétricos e híbridos vieram para ficar, o que obriga a uma preparação por parte destes profissionais, que são obrigados a aprender a trabalhar noutros sistemas, com interações e funcionalidades distintas dos carros a combustão. Para que isso aconteça, João Gomes revela que são necessárias formações, e que sem estas «não se consegue fazer nada». «Está fora de questão [..] Tem que se ter umas “luzinhas” para se conseguir [trabalhar nestes carros]. Antes era o próprio mecânico que ensinava o ajudante e assim, e agora isso também acontece, mas pouco. Tem que haver formações para isso acontecer», sublinhou. Estas formações, para além de obrigatórias para todos os funcionários, são também indispensáveis dado ao panorama atual das oficinas, que têm sofrido uma evolução, seja em termos de ferramentas como de máquinas, para poderem acompanhar as mudanças que têm existido. Outro aspeto destacado pelo profissional é o trabalho em rede realizado conjuntamente com outros profissionais que também se dedicam aos automóveis. Antigamente, explica João Gomes, «um mecânico era específico e o eletricista era específico» e havia uma cooperação entre ambos os profissionais, ou seja, havia problemas no carro que eram resolvidos apenas por um destes. Agora, um mecânico «tem que ser ser eletricista, tem que ser montador de peças, tem que ser experimentador, tem que ser muita coisa», para conseguir completar um serviço ou corrigir uma avaria nos carros mais recentes. Carros novos com mais problemas Colocando agora de parte os veículos elétricos e híbridos, muitas marcas continuam a lançar para o mercado novos modelos de automóveis com motores a combustão, e que necessitam de combustivéis fosséis para funcionar. Apesar disso, e dado o crescente aumento da regulamentação europeia (e não só), estes novos carros são obrigados a reduzir as suas emissões de gases para poderem continuar a circular nas estradas. Esta preocupação, na ótica de João Gomes, tem sido o problema central nos carros mais recentes que tem recebido (cujo número, de acordo com o mesmo, tem aumentado exponencialmente com o decorrer dos anos). Para além de gerar mais desafios, a preocupação com as emissões também leva a que a mecânica por detrás do veículo se torne diferente, «não complicada», sublinha o profissional, mas «ao trabalhar-se noutro sistema de outra maneira», a resolução dos problemas deixa de ser a mesma. Outra razão apontada pelo mecânico da Moitalina, para os crescentes problemas que obrigam os carros novos a fazer uma pausa na sua circu-lação, estende-se para a durabilidade dos materiais. Os novos automóveis, de acordo com João Gomes, SâO construídos em materiais mais fracos do que aqueles que eram utilizados há algumas décadas, o que torna tanto os carros num geral, tal como o seu funcionamento, mais frágeis. Elétricos híbridos ou a combustão? Mesmo com cada vez mais carros movidos a eletricidade a entrarem no mercado e a circularem nas estradas nacionais, ainda existe uma franja da população a preferir os novos modelos de carros a gasolina ou gasóleo. Dados estatísticos e previsões apontam para uma tendência crescente na compra de automóveis híbridos e elétricos, algo que vai ao encontro da opinião do mecânico da Moitalina que explica que as pessoas vão «atrás do que é a publicidade» e daquilo «que o mundo quer». João Gomes entende que este é o caminho a seguir, uma vez «que não há volta a dar porque os carros a combustão cada vez estão mais complicados, cada vez se entopem mais, por causa das emissões». Para além disso o profissional vê que o futuro dos automóveis vai passar pelo «que as pessoas mais novas pensam ou aquilo que não pensam». Deste modo, e caso esta tendência se venha a confirmar, os mecânicos e as suas oficinas devem começar a adaptar-se para receber este novos veículos. No caso destes serviços no concelho de Porto de Mós, João Gomes reconhece que os seus colegas também estão cientes deste novo desafio, e que dentro de poucos anos será possível tratar um veículo elétrico nas mais variadas oficinas do concelho. FÁBIO SOUSA texto Mudanças também se estão a verificar nos motores a combustão (DR) â medida que os carros vão evoluindo também as oficinas sofrem mudanças (DR) FÁBIO SOUSA