MAIS DE 6.200 CARROS NOVOS VENDIDOS
2025-03-31 21:09:29

ECONOMIA MAIS DE 6.240 CARROS NOVOS ENDIDOS EM 2024 fcardoso@dnoticias.pt O mercado automóvel, nomeadamente o de venda de carros novos na Madeira, teve um dos melhores anos da década. Até onde é possível recuar, ainda que com mais ou menos valores, cresceu em 2024, invertendo a quebra que se havia verificado em 2023 face a 2022. Contando apenas os dados dos associados da ACIF-CCIM, óno ano passado foram vendidos 4.004 carros ónovos pelos concessionários. Incluindo as vendas fora desse âmbito, foram mais de 6.240. Uma vez que o mercado é livre, sabe-se que são muitos mais, nomeadamente se tivermos em conta a comparação com os números oficiais, divulgados no início de cada ano pela DREM e que foram publicados óno início de Março. Nesses dados foram divulgados os veículos vendidos, por exemplo a rent-a-car e os registados no Instituto dos Registos e do Notariado, no caso os usados. Assim, tendo em conta apenas os dados da ACIF, apesar do crescimento de mais 61 veículos, pode ser considerado anémico (+1,5%), ainda suficiente para ser o melhor resultado dos últimos 14 anos. Em 2023 tinham sido vendidos pelos concessionários associados da ACIF-CCIM um total de 3.943 veículos que, então, representava uma diminuição de quase 7,8%, um total de menos 337 carros, essa sim uma quebra significativa. Contudo, recuando um pouco mais, tínhamos tido em 2022 o melhor ano desde 2008.com 4.280 veículos tinha-se assistido então a um crescimento de 24%, com mais 829 carros novos em folha a sair dos stands na Madeira. Este sobe e desce, que normalmente pode ser visto como um barómetro da economia, tanto a do consumidor como das empresas, é também expresso na evolução das vendas entre ligeiros de passageiros e comerciais ligeiros. No primeiro caso, a venda de ligeiros voltou a cair em 2024, para 3.594, depois de também ter diminuído para 3.656, em 2023 face aos 4.008 em 2022. Ou seja, dois anos consecutivos de perdas, respectivamente de 1,7% e 8,8%. Refira-se que em 2022, face a 2021 (3.065 ligeiros de passageiros) tinha-se assistido a um dos maiores aumentos anuais de que há memória, +30,7% (mais 943 carros). Quanto aos comerciais ligeiros tiveram o melhor ano de vendas dos últimos cinco (desde 2020), tendo crescido de 287 em 2023 para 410, num significativo registo de quase 43%, algo que só se tinha visto entre 2015 e 2016, com venda a mais do que duplicarem (de 210 para 435, ou +107,1%). Eléctricos dão impulso Perante este cenário, importa referir o impulso que tem tido o mercado dos veículos eléctricos que, com apoios regionais e nacionais, introduzem nas estradas viaturas novas em detrimento de usados, muitos dos quais com uma década ou mais de uso. O PRIME-RAM (Programa de Incentivos à mobilidade eléctrica da Região Autónoma da Madeira), recebeu 423 candidaturas e embora apenas 408 tenham sido aprovadas, a concessão de apoios entre 5 mil e 6 mil euros à compra de veículos ligeiros de passageiros cujo “custo final de aquisição não pode ser superior a 62.500,006, incluindo o IVA e todas as despesas associadas (os veículos acima deste valor não auferem de apoios)”. Os apoios abrangem a “aquisição de veículos automóveis, motociclos ou ciclomotores 100% eléctricos novos, bem como bicicletas eléctricas novas, e é aplicável aos beneficiários elegíveis que, comprovadamente, tenham domicílio fiscal na Região Autónoma da Madeira”. Portanto, contam para o total de carros vendidos na RAM, mesmo que não comprados aos concessionários de cá. Para este ano de 2025, as candidaturas começaram a 13 de Janeiro, mas ónos anos anteriores (foi criado em 2019) têm ocorrido centenas de apoios anualmente e já serão milhares aqueles que já beneficiaram. Importa referir que no início, o PRIME-RAM chegou a garantir apoios entre 7.500 e 10 mil euros. Além disso, “terá gerado um volume de negócios de cerca de 43 milhões de euiros, entre 2019 e 2023” e a contribuído para “a redução de cerca de três mil toneladas de co2" de acordo com a Agência Regional da Energia e Ambiente. Isso tudo porque o programa “contribuiu para que fossem adquiridos 1.832 veículos automóvel eléctricos, resultando de um incentivo no montante global superior a 6,1 milhões de euros”, como noticiamos em Dezembro do ano passado, citando dados do portal Simplifica. Recordar ainda que em Maio do ano passado, tendo por base dados até Março, tínhamos noticiado que desde 2017 foram vendidos pelo menos 3.521 carros eléctricos ou híbridos na Região. Um ano depois, essa fasquia já deve superar largamente os 4 mil, sobretudo devido a uma tendência crescente (muito à custa dos apoios públicos e da maior e mais acessível oferta de carros eléctricos) de perda do mercado a diesel para carros movidos a electricidade. Nesse artigo, que recuperamos em parte aqui, citando dados dos Concessionários Automóveis associados da ACIF-CCIM, entre veículos ligeiros de passageiros e ligeiros comerciais, em 2024 tinham já sido vendidos 95 carros a diesel, 265 a gasolina, 109 híbridos, 6 híbridos plug-in e 79 eléctricos até Março de 2024. Esta diferença de 100% eléctricos para os híbridos poderá estar relacionado com a ausência de apoio regional, que esteve congelado (precisamente pela mesma crise política que vivemos hoje, que levaram a eleições em Maio), mas mesmo assim, foi retomado e continua a servir de forte incentivo. Já no ano anterior (2023), as vendas de carros a diesel tinham ficado por 416, com híbridos a totalizarem 576 e os eléctricos a chegarem aos 671, sinalizando-se ainda 66 híbridos plug-in e o maior mercado os carrOS a gasolina (2.640). Em 2022, a tendência já se vinha sentindo com 617 a diesel, 1.716 a gasolina, 388 híbridos, 58 híbridos plug-in e 456 eléctricos. Refira-se ainda os dados de 2021, quando se tinham vendido 881 a diesel, 1.416 a gasolina, 336 híbridos, 56 híbridos plug-in e 140 eléctricos. Note-se que o peso dos carros novos movidos a outras energias que não somente as fósseis, passou de quase 27% para quase 28% até aos 30% em 2023, sendo que nos primeiros três meses de 2024 já ia em mais de 1 em cada 3 (35%), sendo certo que no ano anterior os 100% eléctricos representaram mais de metade (15%) desses, enquanto os a diesel pesavam apenas 9,5%. Nota ainda para o abate de veículos em fim de vida, também alvo de incentivo através do PRIAV-RAM, que acabam por impulsionar a compra de carros novos. Entre 2020 e o 1.0 semestre de 2024 foram enviados para sucata um total de 8.900 veículos em fim de vida (VFV) na Madeira, segundo da Direcção Regional dos Transportes e da Mobilidade Terrestre, números que já devem superar largamente OS 9.000 em apenas 5 anos. Mercado automóvel na Madeira registou, em 2024, o segundo melhor ano dos últimos 11. Guerra comercial com OS EUA promete abrandar importações já a partir de Abril P.6 E 7 Vendas locais em 2024 só ficam atrás de 2022 em 11 anos. Rent-a-car em quebra MERCADO NACIONAL CRESCEU 5,6% O mercado automóvel aumentou 5,6% em Portugal no ano passado, em termos homólogos, atingindo 249.269 veículos, segundo dados divulgados recentemente pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP). “De Janeiro a Dezembro de 2024, foram colocados em circulação 249.269 novos veículos, o que representou um aumento de 5,6% relativamente ao mesmo período do ano anterior”, ,lê-se num comunicado, em notícia do início do ano, divulgado pela Lusa. Já no mês de Dezembro, foram matriculados em Portugal 24.242 veículos automóveis, ou seja, mais 16,4% do que no mesmo mês de 2023, de acordo com a associação. Segundo a ACAP, no que diz respeito aos ligeiros de passageiros, de Janeiro a Dezembro, as matrículas totalizaram 209.715 unidades, uma subida de 5,1% relativamente ao período homólogo. Em Dezembro, “foram matriculados em Portugal 20.182 automóveis ligeiros de passageiros novos, ouI seja, mais 21,3% do que no mesmo mês do ano de 2023”, indicou. A associação precisou ainda que, em 2024, 57,3% dos veículos ligeiros de passageiros matriculados novos “eram movidos a outros tipos de energia, nomeadamente eléctricos e híbridos”, sendo que 19,9% dos veículos ligeiros de passageiros novos eram eléctricos. Em relação a Dezembro, o peso dos eléctricos foi de a 25,5% do mercado, indicou. Por sua vez, o mercado de ligeiros de mercadorias registou, no último mês de 2024, “ uma evolução positiva ide 8,2%, face a0 mês homólogo do ano anterior, situando-se em 3.577 unidades matriculadas”. Já em termos acumulados, este mercado atingiu 32.304 unidades, um aumento de 13,3% face ao ano de 2023, segundo os dados da ACAP. De acordo com a associação, no mercado de veículos pesados, que abrange os de passageiros e de mercadorias, “em dezembro de 2024 verificou-se uma queda de 45,9% em relação ao mês homólogo de 2023, tendo sido comercializados 483 veiculos desta categoria”. Já no ano de 2024, “as matrículas desta categoria totalizaram 7.250 unidades, o que representou um decréscimo do mercado de 8,3% relativamente a 2023”, concluiu a ACAP AS TARIFAS DE TRUMP QUE AMEAÇAM A ameaça que promete passar aos actos em breve do presidente norte-americano, Donald Trump, para uma nova taxa sobre os automóveis que tenciona impor à União Europeia a partir de 2 de Abril e que será de cerca de 25%, sabendo-se que a Europa deverá imprimir medidas retaliatórias na mesma proporção, poderão condicionar fortemente o mercado automóvel, pelo menos no que toca ás marcas norte,americanas. “Provavelmente, vou dizê-lo a 2 de Abril, mas será de cerca de 25%”, afirmou o líder republicano, que anunciou a 14 de Fevereiro a sua intenção de impor estas taxas à indústria automóvel, lê-se numa notícia da Lusa. Trump acrescentou que, no caso dos semicondutores e dos produtos farmacêuticos, as tarifas serão de 25% oui mais “e vão aumentar muito substancialmente ao longo do ano”. E ainda disse: “A União Europeia tem sido muito injusta para connosco. Temos um défice de 350 mil milhões de dólares. Não acei- tam os nossos automóveis, não aceitam os nossos produtos agrícolas, não aceitam quase nada, aceitam muito pouco. Vamos ter de corrigir isso e vamos fazê-lo. Não tenho dúvidas. Não tenho dúvidas sobre isso,” As tarifas recíprocas que Trump está a contemplar em toda a linha não serão aplicadas uniformemente. Não haverá uma taxa uniforme de 10% ou 25%, mas a administração estabelecerá taxas específicas com base nas tarifas e nas barreiras comerciais que cada país impõe aos EUA. “A UE tinha um imposto de 10% sobre os automóveis e agora tem um imposto de 2,5%, que é exactamente o mesmo que nós. Por isso, já poupámos imenso. Seria óptimo se todos fizessem o mesmo. Estaríamos então a jogar em pé de igualdade. Basicamente, o quie estamos a fazer com as tarifas é cobrar o mesmo que eles nos cobram. ê o quie se chama reciprocidade”, afirmou. O secretário-geral da ACAP, Helder Barata Pedro, referiu recentemente que estas medidas po- dem levar a reacções retaliatórias da União Europeia.com este cenário, os consumidores europeuis, incluindo os portugueses, poderão vir a sofrer um aumento no preço dos veículos importados dos EUA. As motivações por detrás da política de Donald Trump, que desde a sua campanha eleitoral tem defendido a imposição de tarifas aos países com os quais OS EUA apresentam um défice comercial. Para o dirigente, esta estratégia pode prejudicar a própria indústria automóvel americana, desincentivando o investimento e a competitividade no sector. Refira-se que são poucas as marcas que, sendo de origem norte-americana, são vendidos ou são importados para a Madeira, mas entre eles estão alguns históricos. Desde já o primeiro, a Ford, passando pela Skoda, pela Chevrolet oui pela Chrysler, mas a mais recente delas, nomeadamente no que aos veículos eléctricos diz respeito, a Tesla, é que tem tido crescimento exponencial de vendas na Região. FRANCISCO JOSÉ CARDOSO