"HOMEM-MORTO": STCP TEM NOVO SISTEMA PARA TRAVAR ELÉCTRICOS DESGOVERNADOS
2025-04-03 21:13:14

Protótipo está instalado num veículo e cobre incapacidade repentina do guarda-freio. Objectivo é alargar tecnologia aos outros seis carros históricos da frota até 2027. Em Janeiro de 2023, um percalço fez com que um carro eléctrico da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP) deixasse a estação de recolha de Massarelos e percorresse cerca de um quilómetro. Sem ninguém a bordo, o veículo só pararia já depois de passar a Ponte da Arrábida. Na altura, a empresa pública estava já a trabalhar com o Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial (INEGI) para desenvolver um mecanismo de segurança para instalar nos seus carros eléctricos. Apesar de este novo sistema ter sido pensado para intervir em casos imprevistos relacionados com guarda-freios, se então já estivesse instalado, teria impedido o eléctrico desgovernado de percorrer tamanha distância. Para já, o sistema de "homem morto" que o INEGI - uma entidade de investigação que junta Universidade do Porto e sectorial empresarial - desenvolveu para a transportadora está a bordo de apenas um dos veículos. O objectivo, explica o director da unidade do carro eléctrico da STCP, José Castro Vide, é que, até 2027, equipamentos melhorados possam ser instalados nos outros seis carros históricos que a sociedade tem. As conversas começaram há três anos, explica. A STCP estava preocupada com a segurança de circulação dos eléctricos em caso de indisposição do guarda-freio e bateu à porta do INEGI, com quem já tinha trabalhado antes, nomeadamente no desenvolvimento de um sistema electromagnético de travão a carril, em 2005. "Há a necessidade de instalar um sistema que monitorize o comportamento do guarda-freio e, em caso de não haver condições, faça a travagem automática do eléctrico", refere. Tanto os comboios como os metropolitanos têm estes mecanismos de "homem morto", que testam a atenção do maquinista e accionam a travagem de emergência em caso de anomalia. A frota de eléctricos da STCP, que tem veículos construídos nos anos 1920 e 1930, não, embora a empresa também não tenha registos de episódios de indisposição dos seus guarda-freios nos últimos anos. Um eléctrico, dois sistemas O protótipo agora instalado num dos veículos tem dois meios de monitorização: um relacionado com os mecanismos que o guarda-freio acciona durante a condução e outro com a sua posição. O engenheiro de desenvolvimento de produto do INEGI José Barbosa explica: "temos dois sistemas. Num, monitorizamos todos os comandos do guarda-freio. Se ele lhes mexer, sabemos que está a responder". Se tal não acontecer, ao fim de três segundos, acende-se um aviso luminoso. Mais dois segundos e há um sinal sonoro, que depois se prolonga por oito segundos. Se o guarda-freio não accionar o botão óptico durante um destes passos, é accionado o travão de emergência que vai cortar a alimentação dos motores e aplicar um freio no carril e outro na roda. Minutos depois da explicação, numa curta viagem demonstrativa que teve início no Museu do Carro Eléctrico e avançou umas centenas de metros pela Rua do Ouro, em direcção à Foz do Rio Douro, foi isso mesmo que aconteceu: primeiro um som intermitente a dar o alerta, depois uma buzina contínua, antes de o carro começar a travar suavemente e ficar imóvel. É neste momento que o alerta é dado à central da STCP, para iniciar os procedimentos de verificação e emergência. Para já, sistema só está instalado num dos sete veículos da frota de eléctricos da STCP Vitor Miguel Para já, sistema só está instalado num dos sete veículos da frota de eléctricos da STCP Vitor Miguel Fotogaleria Para já, sistema só está instalado num dos sete veículos da frota de eléctricos da STCP Vitor Miguel Já o sistema relacionado com a posição do guarda-freio recorre a um scanner 2D, um dispositivo estrategicamente instalado junto ao tecto do carro, nas costas do condutor, como se fosse uma câmara. "Nos eléctricos, ele conduz em pé ou semi-sentado", observa José Barbosa. Se se sentir mal ou desmaiar, é natural que saia dessa posição ou tombe. Se tal acontecer, o sensor que monitoriza a postura dá três segundos até que a travagem de emergência seja accionada. Isso significa que os guarda-freios ficam com apenas essa margem para saírem do posto de comando. Essa acaba por ser uma necessidade, por exemplo, para verificar se o eléctrico passa num espaço tornado curto por carros mal-estacionados. Guarda-freio há oito anos, Diana Reis diz que o sistema é "simples, mas requer atenção". É um dos 24 profissionais da STCP com esta função. Em média, estes trabalhadores têm 40,6 anos. Já foram identificadas melhorias a fazer no sistema, conta José Castro Vide. A segunda versão será instalada nos restantes eléctricos da STCP nos próximos dois anos, num investimento que deve rondar 400 mil euros. Fotogaleria Um dos desafios era integrar o sistema de segurança sem descaracterizar os eléctricos. Vitor Miguel Fotogaleria Um dos desafios era integrar o sistema de segurança sem descaracterizar os eléctricos. Vitor Miguel Fotogaleria Um dos desafios era integrar o sistema de segurança sem descaracterizar os eléctricos. Vitor Miguel tp.ocilbup@odadlos.olimac Camilo Soldado