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EXECUTIVO DA INDÚSTRIA AUTOMÓVEL SERÁ "CAMPEÃO DO CLIMA" DA COP30, FAZENDO A PONTE COM PRIVADO

Público Online

2025-04-05 21:02:30

Dan Ioschpe, presidente da fabricante automóvel Iochpe-Maxion, será o "climate champion" da cimeira do clima COP30, que se realiza no Brasil este ano. Ioschpe fará ligação com empresas. O Brasil anunciou na quarta-feira a nomeação do executivo da indústria automóvel Dan Ioschpe, que representou o Brasil em reuniões de negócios na cimeira do G20 no ano passado, como seu "campeão de alto nível" para a Cimeira do Clima das Nações Unidas, a COP30, que o país vai acolher em Novembro. O papel deste "campeão do clima" será trabalhar em nome do presidente da conferência, o diplomata brasileiro André Corrêa do Lago, para incentivar e negociar esforços voluntários por parte da comunidade empresarial e de outras entidades para travar o aquecimento global. Os "campeões do clima" das COP anteriores foram activistas ambientais, membros dos governos e membros da comunidade financeira ligada à ajuda ao desenvolvimento. "Estou ansioso por trabalhar com ele para fazer avançar a aplicação do Acordo de Paris e realizar progressos significativos no caminho para a COP30", afirmou Simon Stiell, secretário executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, numa declaração sobre a nomeação. Dan Ioschpe é presidente da Iochpe-Maxion, fabricante de peças automóveis com sede em São Paulo, e faz parte do conselho de administração de empresas brasileiras como a Embraer. Foi também presidente do B20, um fórum global de negócios que promove o diálogo entre líderes empresariais e governamentais no grupo G20 (que reúne as principais economias globais), que o Brasil presidiu no último ano. Numa altura de inquietação com a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, a actuação junto das empresas é vista como essencial para garantir que os compromissos climáticos assumidos ao longo dos anos continuam a ser cumpridos e até reforçados. "Os EUA não são apenas o Governo dos EUA, é uma união de estados, de académicos, de regiões", tem insistido o embaixador André Corrêa do Lago. "O Acordo de Paris é voluntário, há uma abertura para todos os stakeholders decidirem continuar a seguir as decisões. Uma grande parte do PIB americano vai continuar a seguir as decisões da COP", afirmou o presidente da COP30, numa conferência organizada em Fevereiro pelo Wilson Center. Desafios logísticos Enquanto as negociações que antecedem a Cimeira do Clima continuam a todo o vapor, o Governo brasileiro enfrenta grandes desafios de alojamento para a COP30. A cidade conta actualmente com cerca de 18 mil camas, mas espera-se a chegada de mais de 60 mil visitantes. Os custos de alojamento dispararam, com relatos dos quartos mais baratos a custarem cerca de 400 euros e a média a rondar os 1500 euros por noite. Esta situação levou a receios de que a chamada "COP dos Povos" possa não ser tão inclusiva como se esperava, ameaçando a participação de activistas e grupos da sociedade civil. Depois de três Cimeiras do Clima organizadas em países com limitações à liberdade, Tasneem Essop, da Climate Action Network, sublinhou a importância da capacidade de resolver os problemas de alojamento para o sucesso da COP, já que o acesso da sociedade civil é crucial para pressionar os negociadores. "Parece uma coisa banal, mas na realidade é politicamente muito importante", afirma Essop. "A capacidade de resolver os problemas de acomodação pode ser o sucesso ou o fracasso de uma COP." O governo brasileiro está a trabalhar para multiplicar a oferta de alojamento, recorrendo a soluções criativas como motéis, ferries que navegam nos rios e até salas de aula de escolas. Algumas empresas estão a considerar remodelar ferries com suites de luxo e utilizar contentores marítimos remodelados. Dois novos hotéis estão em construção e dois navios de cruzeiro ficarão atracados num porto próximo. O Brasil chegou mesmo a alterar a data da chegada dos chefes de Estado para diluir a pressão. Foto O empresário do sector hoteleiro Yorann Costa mostra um quarto do seu motel onde pretende receber os visitantes que participam na Cimeira do Clima COP30, em Belém, estado do Pará REUTERS/Raimundo Pacco A especulação é outro grande desafio, com relatos de preços de alojamento muito superiores aos preços em Bacu, no Azerbaijão, durante a COP29, no ano passado. Os proprietários locais estão a ser incentivados a alugar as suas casas, o que por sua vez levou a um aumento drástico das rendas e, em alguns casos, à recusa de renovação de contratos de arrendamento para aproveitar os preços mais altos durante a COP. O governo planeia lançar um site oficial de reservas para tentar organizar o mercado e está a procurar formas de impedir a especulação de preços. A Cimeira dos Povos, um evento paralelo organizado por grupos de activistas durante a COP, espera mais 15 mil participantes e está a planear soluções de alojamento alternativas, como a construção de parques de campismo. Azul