MOBILIDADE AUTOMÓVEL - A DESCARBONIZAÇÃO SOBRE RODAS
2025-04-05 21:06:32

As últimas semanas têm sido de grandes mudanças para o setor automóvel. Há desafios globais e algumas boas notícias para Portugal. Em março foi anunciado que o novo modelo de automóvel elétrico da Volkswagen, o ID.EVERY1, que promete ser um game changer europeu, vai ser fabricado em Portugal. Foi também anunciado pela Comissão Europeia o Plano de Ação para impulsionar a inovação, sustentabilidade e competitividade no setor automóvel europeu. Alguns dias antes, foi a CALB , China Aviation Lithium Battery a divulgar um grande investimento numa gigafábrica em Sines, dedicada ao fabrico de baterias para veículos elétricos. Estes anúncios, entre outros, demonstram a atratividade de Portugal enquanto destino de investimento no setor automóvel e um elo importante da respetiva cadeia de valor. A competitividade de Portugal na indústria automóvel resulta da combinação de múltiplos fatores. Destaca-se, desde logo, a localização estratégica, que posiciona o país como elo entre a Europa, as Américas e África, próximo de alguns dos principais polos europeus de produção automóvel e integrado no segundo maior polo de produção de automóveis da Europa, a região ibérica. Outro fator diferenciador é o talento. As universidades e institutos superiores portugueses oferecem uma vasta oferta formativa em engenharia, que de forma multidisciplinar contribui para o setor automóvel. Portugal regista, aliás, uma das taxas mais elevadas de formação em engenharia da União Europeia. Esta formação de excelência é reforçada pelo perfil multilingue e multicultural dos profissionais, competências que, juntamente com a versatilidade que caracteriza os portugueses, facilita a sua integração em ambientes de trabalho internacionais e redes globais de conhecimento. Importa igualmente destacar a oferta formativa técnica e profissional orientada para as necessidades da indústria. O talento nacional é também aplicado na investigação e desenvolvimento tecnológico e são vários os centros de engenharia, desenvolvimento de produto e interface tecnológico com a indústria nacional e internacional, sendo possível referir, a título de exemplo o CEiiA, INEGI, INESC-TEC, ISQ e PIEP, entre outros com diferentes especializações tecnológicas e de materiais que contribuem para a mobilidade. Há também exemplos de engenharia de topo, dedicada ao desenvolvimento de software, em que se incluem as mais variadas aplicações digitais para a mobilidade automóvel do presente e do futuro, como é o caso da joint-venture internacional entre a BMW e a softwarehouse portuguesa Critical Software que resultou na Critical Techworks, empresa-chave para a definição da nova arquitetura de veículos da marca alemã. Na perspetiva industrial, faz-se notar a robustez do ecossistema, com um conjunto de cerca de 700 empresas, fabricantes de veículos (Original Equipment Manufacturers, OEM), mas principalmente Tiers 1 e 2, fabricantes e fornecedoras de componentes de primeira ou segunda linha, a que se somam os fabricantes de ferramentas, moldes e tecnologias de produção e sistemas (Manufacturing Execution System), de otimização da produção, orientados para a automação e digitalização como a internet das coisas (IoT, Internet of Things) e respetivos sensores, a manutenção preditiva, fabricação aditivida e metaverso industrial, entre outras tecnologias aplicadas. Na perspetiva mais alargada do setor, ou fileira, é ainda possível destacar as competências de empresas dedicadas a fabricar equipamentos de interface com os veículos, como carregadores elétricos, entre outros sistemas de conetividade V2X , Vehicle to Everyting, ou do veículo a tudo o que o rodeia, incluindo a dimensão cibernética e da cibersegurança, cada vez mais imprescindível. A sustentabilidade é hoje uma aposta estratégica do setor, com uma clara preocupação das empresas com a forma como são satisfeitas as necessidades do presente sem comprometer o futuro. Isso verifica-se desde logo na vertente ambiental, através da capacidade notável que Portugal tem na geração de energia renovável, proveniente de diferentes fontes limpas, o que demonstra o compromisso do país em contribuir decisivamente para a transição energética global. A estes fatores competitivos junta-se ainda o muito baixo risco operacional, ou mesmo a sua gestor da Fileira da Mobilidade, Aeroespacial e Defesa da AICEP inexistência, evidenciada pelo sucesso das operações das multinacionais instaladas no país. Estas empresas, assim como as nacionais, continuam a desenvolver atividades com níveis elevados de rentabilidade e eficiência, colocando as suas operações em Portugal entre as mais destacadas a nível global. O setor automóvel tem-se afirmado, assim, como um dos principais motores da economia nacional. Setor representa 20 por cento das exportações portuguesas de bens As exportações de bens da indústria automóvel, em 2024, representaram cerca de 20 por cento do total das vendas de bens de Portugal ao exterior, o que demonstra não apenas a importância ímpar que este setor tem assumido na internacionalização da economia nacional, mas que tal como o país, a indústria automóvel nacional trabalha com uma forte orientação para o mercado externo. Os valores referentes ao volume de negócios gerado pelo setor diferem em função das fontes e respetivos pressupostos de enquadramento e delimitação setorial, de uma perspetiva mais alargada a toda a cadeia de valor do setor, como é o enquadramento da ACAP , Associação Automóvel de Portugal, que retrata o setor automóvel em Portugal com um volume de negócios de 40 mil milhões de euros; a uma perspetiva mais restrita à atividade industrial. Ao considerar exclusivamente a atividade industrial de produção de veículos e componentes, de acordo com o INE, a indústria automóvel nacional, em 2024, exportou bens no valor de 15,2 mil milhões de euros. Este montante representa uma quebra de 4,1 por cento do valor das exportações da indústria automóvel nacional , veículos e componentes , em comparação com 2023. Ainda assim, e mesmo com a consciência da profunda transformação que o setor enfrenta , com grande impacto na produção, mas também nos comportamentos de consumo e na utilização , a indústria nacional tem demonstrado uma resiliência notável, o que resulta numa queda menos acentuada do que algumas previsões faziam prever. Veículos e componentes portugueses para a mobilidade global Portugal produz e exporta para o mundo, autocarros , elétricos e movidos a hidrogénio, dedicados a transportes públicos nas cidades ,, camiões e veículos ligeiros de passageiros e comerciais. Produz também componentes e sistemas para veículos a combustão, híbridos e elétricos (EV), equipamentos de carregamento e respetivo software. E possui uma rede de mobilidade elétrica pioneira no contexto global, com um sistema baseado na interoperabilidade. Em 2024 foram produzidos 332.546 automóveis em Portugal. Apesar deste valor representar um aumento de 4,5 por cento face a 2023, está ainda aquém do valor de produção automóvel em 2019. Do total de veículos produzidos, 97,7 por cento foram exportados, com a Europa a assumir grande importância (87,8 por cento), e a Alemanha, França, Reino Unido, Espanha e Itália a destacarem-se enquanto destinos. No total, a partir de Portugal foram exportados veículos para 123 mercados, e componentes para indústria automóvel localizada em 171 mercados. Portugal teve, por isso, um contributo significativo para a mobilidade de pessoas e mercadorias à escala global. Caso se concretizem algumas ameaças provocadas pelas alterações nas dinâmicas geopolíticas e económicas, em especial através da anunciada aplicação de tarifas e agravamento das limitações ao comércio internacional, nomeadamente pelos Estados Unidos da América, a indústria nacional, habituada a atuar numa economia de mercado aberta, terá de se adaptar. Poderão ser alterados os modos de entrada em determinados mercados, tendo de ser privilegiando o investimento no estrangeiro, em detrimento das exportações. Portugal pretende reforçar o seu contributo para a mobilidade automóvel sustentável e inteligente, apresentando soluções ajustadas às transições energética e digital. Não apenas através do desempenho das grandes empresas do setor automóvel com um sólido historial de fabrico de veículos e de componentes, mas também através da incorporação da tecnologia, aplicável na indústria e em plataformas dedicadas ao utilizador de veículos de última geração, com níveis de fiabilidade e qualidade alinhados com as melhores práticas globais. A conectividade e condução autónoma são realidades que já experienciamos no dia a dia, ainda que de forma inconsciente, até porque a condução não tem de ser totalmente autónoma, e as empresas portuguesas têm nestes domínios estado na frente da inovação, contribuindo para o desenvolvimento de sistemas e componentes tecnologicamente avançados. Os comportamentos de consumo têm vindo a alterar-se e atualmente assistimos a uma mudança de paradigma da propriedade de veículos para a sua utilização. Também mudou a tipologia de automóveis que devem circular nas cidades para que estas sejam verdadeiramente inteligentes e aumentou a aposta em veículos de menor dimensão, peso e consumo energético, com recurso a materiais mais leves e movidos a energia proveniente de fontes renováveis que diminuam ou eliminem a pegada de carbono. Um carro para “Every1” É neste contexto que será fabricado o novo veículo elétrico citadino da Volkswagen. O ID.EVERY1 será uma nova solução sustentável e inovadora, e provavelmente um modelo de veículo elétrico com potencial utilização massiva, visando tornar a mobilidade elétrica mais sustentável, inovadora e acessível aos consumidores europeus, o que destaca a importância da fábrica da VW em Portugal na transição energética para a mobilidade elétrica na Europa. Até este modelo entrar nas linhas de produção e ser disponibilizado ao mercado, a VW Autoeuropa continuará dedicada à produção exclusiva do T-ROC, o SUV made in Portugal que é um dos best sellers do OEM alemão na Europa. Nos últimos anos esta fábrica é a maior produtora de automóveis do país e este o veículo mais fabricado, sendo possível que, com a nova geração do T-ROC, sejam alcançados recordes de produção, atualmente fixados em 2019, antes da pandemia. Esta fábrica não se dedica apenas à montagem de veículos, mas também ao fabrico e exportação de painéis e outros componentes para diferentes partes de veículos do grupo. A modernização do sistema de transportes públicos , tal como de todo o parque automóvel a circular nas cidades , será claramente um dos caminhos mais eficazes na rota da descarbonização da mobilidade, e a indústria nacional está a trabalhar nesse sentido. A CaetanoBus é a construtora dos autocarros elétricos e a hidrogénio e.City Gold e H2.City Gold, veículos de zero emissões para a mobilidade urbana. Também fabricado pela empresa, o Cobus Vega é um modelo 100 por cento elétrico comercializado pela Cobus Industries, dirigido especificamente a operações aeroportuárias, com uma configuração de interiores otimizada para maior capacidade e conforto em centenas de aeroportos ao redor do mundo. A Stellantis, com uma já longa história de produção em Mangualde, Portugal, apresentou no último ano uma nova era de produção de veículos comerciais ligeiros elétricos a bateria (BEV), iniciando a produção dos modelos 100 por cento elétricos Citroën ë-Berlingo e ë-Berlingo Van, Peugeot e-Partner e e-Rifter, Opel Combo-e e Fiat e-Doblò, nas versões de passageiros e comerciais ligeiros. Outro veículo eletrificado fabricado em Portugal, neste caso um veículo comercial pesado, é o FUSO eCanter , que surge depois do sucesso da versão a combustão do Canter , cuja produção da Next Generation FUSO eCanter , do universo Daimler Truck , decorre na fábrica da Mitsubishi Fuso Truck Europe em Portugal. A última geração do eCanter está disponível em 42 variantes combinadas por quatro classes de peso, seis distâncias entre eixos, dois tipos de cabine e três opções de baterias, procurando dar resposta às diferentes necessidades dos clientes profissionais. Também elétrico é o APM (Accessible People Mover), veículo de mobilidade inclusiva lançado pela Toyota e produzido na sua fábrica em Ovar, Portugal, para transportar de passageiros durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Paris, em 2024. A perspetiva de desenvolvimento de novos conceitos e modelos de veículos poderá ter nesta unidade competências disponíveis para a mobilidade sustentável, tendo já um contributo na preparação de outros modelos elétricos para integrar frotas comerciais de empresas de logística. Esta unidade da Toyota Caetano Portugal continua também dedicada ao fabrico do icónico Land Cruiser 70, neste caso numa versão dedicada exclusivamente à exportação para a África do Sul. Componentes representam 65 por cento do total das exportações Numa outra ver tente, o fabrico de componentes automóveis em Portugal tem um peso decisivo, assegurando cerca de 65 por cento de todo o volume de negócios da indústria. As empresas nacionais fornecem os principais construtores automóveis e exigentes fornecedores de primeira linha a nível internacional. A versatilidade e diversidade da produção é uma das forças do setor. Em Portugal são fabricados componentes elétricos e eletrónicos, metálicos, plásticos, em borracha, materiais compósitos, têxteis e outros revestimentos. Destaca-se também a assemblagem de sistemas. Estes componentes dão forma a soluções que equipam automóveis em todo o mundo , do powertrain aos interiores, da eletrónica de informação, entretenimento e assistência à condução, aos chassis e exteriores. Novos processos e materiais mais sustentáveis, como os compósitos aplicados em estruturas e interiores, combinados com têxteis técnicos inteligentes, têm-se destacado em projetos colaborativos de inovação, dando origem a soluções e parcerias internacionais alinhadas com as principais tendências da indústria. Relativamente à produção de componentes para eletrificação automóvel, destaca-se em Por tugal o novo investimento da multinacional Borgwarner para produzir diversos produtos eletrificados, com destaque para os motores e sistemas de gestão térmica para veículos híbridos e 100 por cento elétricos. Também outras multinacionais com presença em Por tugal, como a Yazaki, Hanon Systems, Denso (através da JDeus) e Coficab, reforçam a dinâmica do setor, centrando a sua atividade na produção e exportação de cablagens e sistemas de gestão térmica para veículos elétricos. A este grupo juntam-se várias outras empresas nacionais que contribuem de forma relevante para este segmento em expansão. O facto de as exportações de componentes automóveis para os principais clientes da indústria portuguesa terem, nos últimos anos, crescido mais do que a produção automóvel nesses países, demonstra a qualidade e competitividade da oferta nacional no contexto europeu, argumentos que destacam o posicionamento de Portugal e das empresas portuguesas no acesso a mercados e parcerias internacionais. Seja qual for a rota, o destino é a descarbonização É hoje um dado adquirido que a UE apostou tudo na eletrificação automóvel e a indústria tem-se vindo a adaptar a esta transformação energética. Reforçou rapidamente a produção de modelos elétricos e procurou desenvolver novos materiais e componentes, ainda que se mantenha agnóstica quanto à tecnologia a utilizar no caminho da descarbonização da mobilidade automóvel. A indústria não está, no entanto, perante uma solução tecnológica única, e provavelmente na próxima década continuarão a ser fabricados veículos com diferentes fontes de energia, o mais sustentável possível, destacando-se a utilização de veículos elétricos, híbridos , com cada vez menores consumos e emissões , e movidos a hidrogénio. Contudo, é também claro que, independentemente da velocidade mais ou menos acelerada do seu crescimento, a eletrificação automóvel veio para ficar, e não tem apenas impacto na motorização dos veículos mas também na sua arquitetura tecnológica, orientada para a digitalização. Neste domínio a indústria nacional também não ficará para trás, como dá a entender o desenvolvimento de software de topo e competências no fabrico de novos componentes, mas também na vertente “offboard” e de interface com os veículos em que se incluem as soluções inteligentes para a gestão de frotas e carregadores elétricos. Portugal tem vindo a consolidar uma posição relevante no desenvolvimento e fabrico de carregadores elétricos (rápidos e ultrarrápidos) para veículos ligeiros e pesados. Empresas como a EFACEC, a i.Charging e a Siemens Portugal destacam-se como os principais fabricantes nacionais, disponibilizando soluções sofisticadas que se caracterizam pelas sua robustez, eficiência energética, capacidade de integração com sistemas inteligentes e orientação para as exigências internacionais de interoperabilidade e segurança. Em parte, o sucesso e velocidade de crescimento da eletrificação automóvel depende da rápida expansão das infraestruturas e equipamentos de carregamento, e a indústria portuguesa está a trabalhar nesse sentido, ao desenvolver, fabricar e exportar carregadores elétricos para dezenas de mercados internacionais. Adicionalmente, na vertente de serviço, são também desenvolvidos em Portugal diversos sistemas de carregamento elétrico baseados em software e modelos de negócio inovadores e que contribuem para o crescimento das redes de mobilidade elétrica em Portugal e no mundo. Tendo em conta estes fatores, e as vantagens competitivas que caracterizam o setor, é expectável que Portugal continue a atrair o interesse de investidores e parceiros internacionais da indústria automóvel e da cadeia de valor associada à descarbonização da mobilidade. Neste momento é evidente que as transições energética e digital, aliadas à evolução dos padrões de utilização do automóvel e às mudanças nas dinâmicas geopolíticas, económicas e regulatórias, colocam ao setor automóvel desafios de elevada complexidade, tanto de natureza estrutural como conjuntural. A capacidade de resposta a estas mudanças exigirá soluções de curto prazo, mas sobretudo, abordagens estratégicas com eficácia sustentada no longo prazo. Neste contexto, coloca-se a necessidade de transformar estes constrangimentos em oportunidades, nomeadamente através da reconfiguração de processos e de-senvolvimento de produtos orientados para as novas exigências do mercado, maior diversificação de mercados de exportação, e eventualmente da participação em programas de outras indústrias da mobilidade, como a aeronáutica e a defesa , desde logo no ramp up de programas de veículos terrestres, mas não só ,, com uma procura em crescimento acentuado. Apesar da elevada competitividade destes setores, os níveis de exigência técnica e de qualidade a que estão sujeitos não ultrapassam aqueles que caracterizam o automóvel. A comprovada capacidade de inovação, adaptação e resiliência da indústria portuguesa, alinhada com os mais elevados padrões de qualidade e exigência internacional, permitem-nos ter confiança na sua capacidade para enfrentar com sucesso esta fase de transformação, sempre com uma forte orientação para os mercados internacionais. Portugal foi pioneiro nas redes de carregamento interoperáveis Portugal foi um dos primeiros países do mundo a ter uma infraestrutura de carregamento totalmente interoperável e que permite a utilização universal com um único meio de acesso, , cartão ou app ,, bem como conhecer em tempo real a disponibilidade de todos os postos de carregamento de acesso público que constituem a rede Mobi.E. Esta rede está em conformidade com o regulamento europeu para as infraestruturas de carregamento de combustíveis alternativos (AFIR). Atualmente, a rede Mobi.E, ou Rede de Mobilidade Elétrica nacional conta com mais de 6.000 postos de carregamento de acesso público em todo o país, o que se traduz em mais de 11.000 pontos de carregamento, sendo mais de 2.300 de carregamento rápido ou ultrarrápido, isto é, a sua potência é superior a 22 KW. São instalados, em média, 25 novos postos por semana. E existem atualmente 91 tomadas, em média, por cada 100 km de estrada. Toda a informação sobre a disponibilidade dos postos de carregamento, dados de utilização e impactos no ambiente está acessível em tempo real no site da MOBI.E. CALB investe 2.000 milhões de euros em fábrica de baterias em Portugal A empresa chinesa CALB, uma das maiores fabricantes mundiais de baterias para veículos elétricos, anunciou em fevereiro um investimento de 2.000 milhões de euros numa gigafábrica que será construída em Portugal. A unidade, localizada em Sines, a cerca de 100 quilómetros de Lisboa, deverá iniciar a produção em 2028, com uma capacidade anual de 15 gigawatts-hora, o que equivale a cerca de 187 mil baterias destinadas principalmente ao mercado europeu.com esta fábrica, a CALB espera criar 1.800 postos de trabalho diretos e contribuir com mais de 4 por cento do PIB português quando a unidade atingir a sua plena capacidade. Este investimento representa um passo significativo para Portugal no fortalecimento da sua posição na indústria europeia de baterias e mobilidade elétrica, contribuindo para a transição energética. O projeto foi reconhecido pelo Governo português como um Projeto de Interesse Nacional (PIN). Portugal pretende apostar na exploração dos seus depósitos locais de lítio para fortalecer a cadeia de valor do setor, abrangendo desde a extração e refinação do mineral até ao fabrico e reciclagem das baterias. O projeto poderá ter como matéria-prima lítio extraído em Portugal , onde estão localizadas as maiores reservas de lítio da Europa, e a oitava maior reserva de lítio do mundo, ainda por explorar , ou proveniente de outras origens. Esta estratégia visa consolidar a autonomia energética da Europa, reduzindo a dependência externa de matérias-primas estratégicas. António Aroso