HÁ MAIS ESPAÇO PARA O CEIIA?
2025-04-11 21:09:35

O Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEiiA), sediado em Matosinhos desde 2014, tem-se afirmado como um dos principais motores de inovação tecnológica em Portugal. A mudança do TecMaia para as novas instalações junto ao porto de Leixões marcou o início de uma nova etapa, resultado de uma visão estratégica clara, impulsionada pelo Guilherme Pinto, que acreditava no potencial do CEiiA para transformar não só Matosinhos, mas também a região Norte e o país. Desde então, o CEiiA tem acumulado projetos de elevado reconhecimento, tanto a nível nacional como internacional. Na mobilidade destaca-se o veículo BEN que está a ser desenvolvido na Agenda Mobilizadora BeNeutral, mas também projetos como o AYR.ID Identidade Climática Digital, com reconhecimento da ONU e da Google, integra várias iniciativas da New European Bauhaus e foi premiado, em 2024, como o IN3+ (o maior prémio nacional de apoio à inovação) no valor de um milhão de euros. Este precursor de sucesso, estende-se também na aeronáutica. O Centro foi responsável pelo desenvolvimento de 2/3 das aeroestruturas do KC 390. Cerca de 150 engenheiros, desde Matosinhos realizaram mais de 600 mil horas de engenharia para desenvolverem a maior aeronave da Embraer e que a nossa Força Aérea já utiliza. Contudo, a aventura do CEiiA continuou para o Espaço. O grande marco foi o lançamento do satélite MH-1, em fevereiro de 2024, mas o mais recente e ambicioso projeto que une Portugal e Espanha é a criação da Constelação do Atlântico, uma rede de 16 satélites para observação da Terra, cuja operacionalização está prevista para 2027. O CEiiA desempenha um papel central neste projeto, sendo responsável pelo desenvolvimento tecnológico dos satélites, que serão construídos em Matosinhos. O primeiro satélite, já desenhado, terá cerca de 250 kg, equipado com uma câmara de alta definição e painéis solares, desempenhando funções essenciais na monitorização ambiental, defesa e gestão sustentável dos oceanos e território. Perante esta trajetória de crescimento e reconhecimento internacional, impõe-se a questão: há mais Espaço para o CEiiA? A resposta é clara: sim, há e deve haver. Espaço físico, para albergar mais equipas, mais tecnologia e mais parcerias estratégicas. Mas também espaço político e económico, para que projetos desta natureza possam continuar a florescer em Portugal. O sucesso do CEiiA é, aliás, um exemplo claro da importância da relação virtuosa entre o setor público, o setor privado e a academia. só através desta colaboração é possível criar ambientes de inovação capazes de gerar impacto real na sociedade. O CEiiA prova que quando estas três esferas trabalham em conjunto, Portugal pode ser competitivo, atrair talento e estar na linha da frente dos desafios globais. Dar mais espaço ao CEiiA significa investir em conhecimento, sustentabilidade e soberania tecnológica. Significa consolidar Matosinhos como território de inovação, e Portugal como referência internacional em setores que definem as próximas décadas. Que Matosinhos continue a ser, como foi visionado, um espaço onde o futuro ganha forma. Tiago Maia