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SETOR DA DISTRIBUIÇÃO: IMPACTO DAS TARIFAS

Deco Proteste Online

2025-04-11 21:09:36

Os produtos alimentares, por exemplo, serão provavelmente muito menos afetados (são parcialmente produzidos localmente) do que os têxteis ou a eletrónica, frequentemente importados da China e de outros países asiáticos. As grandes cadeias norte-americanas como a Walmart tentam atenuar o impacto, negociando com os fornecedores asiáticos uma redução de preços. É possível que assumam parte dos aumentos para manterem a competitividade. No entanto, a subida dos preços pode levar os consumidores a comprar menos. Na divulgação dos resultados anuais, em fevereiro, a Walmart já manifestou receio de que os consumidores norte-americanos contenham as despesas este ano, o que levou a projeções prudentes. Ahold Delhaize, que realiza dois terços do volume de negócios nos EUA, o impacto deverá ser menor, dado que atua sobretudo no setor alimentar e em bens de primeira necessidade. A Ahold Delhaize beneficia ainda de realizar o restante terço das vendas na Europa e na Ásia, onde as novas tarifas não se aplicam (salvo eventuais retaliações com taxas sobre produtos importados dos Estados Unidos). À partida, operadores sem presença no mercado norte-americano, como a Carrefour, não deverão ser muito afetados, desde que os mercados em que atuam não atravessem uma crise grave. É isso que se espera também no caso das duas empresas nacionais de distribuição cotadas em bolsa, Jerónimo Martins e Sonae, que não têm exposição direta aos Estados Unidos e que operam sobretudo no retalho alimentar e com fornecedores locais. Ainda assim, uma retração do crescimento económico pode afetar os níveis de procura por parte dos consumidores. Pode ainda verificar-se um efeito secundário positivo para os distribuidores europeus porque a China tentará vender noutros mercados, a preços mais baixos, os produtos que já não exporta para os EUA. As vendas a retalho da Amazon.com nos Estados Unidos representam 61% do volume de negócios. Embora estimemos que os produtos made in China constituam entre 50% e 75% da oferta, não antecipamos riscos significativos. Tal como a Walmart, a Amazon pressionará os fornecedores asiáticos para reduzir os custos a imputar ao consumidor norte-americano. Dada a sua dimensão, a Amazon estará em vantagem face a outros importadores e conseguirá manter-se competitiva. Além disso, a capacidade de adaptação dos milhares de pequenos vendedores ativos do ser Market Place (30% do comércio eletrónico da Amazon) não deve ser subestimada. Importa também referir que as vendas a retalho nos Estados Unidos geram apenas cerca de um terço do lucro operacional. A Amazon obtém 58% do lucro operacional através da AWS, a área de serviços na cloud. Mesmo que a conjuntura de incerteza leve a uma redução temporária das despesas dos clientes, a AWS deverá registar este ano um aumento de 18% a 20% no volume de negócios. O desenvolvimento da inteligência artificial continuará a impulsionar o crescimento nos próximos anos. O resultado do primeiro trimestre da Amazon poderá recuar ligeiramente (efeito da inflação sobre os gastos do consumidor), mas com um rácio Valor da empresa /EBITDA 2025 de 11, a cotação está em mínimos históricos. A Walmart já manifestou preocupação com o controlo das despesas por parte dos consumidores norte-americanos. Já incluímos esse fator nas nossas estimativas. Manter. Mesmo que as medidas de Trump afetem, ainda que parcialmente, os resultados da Ahold Delhaize, não vemos motivo para alterar a recomendação: comprar. Para a Carrefour, não alteramos a o conselho: manter. A valorização da Amazon nunca esteve tão baixa. Aproveite a descida para comprar. No caso da Jerónimo Martins e da Sonae também mantemos os respetivos conselhos de compra.