pressmedia logo

LUCROS DA TESLA CAEM 70% E MUSK DIZ QUE TRABALHO COM TRUMP "ESTÁ QUASE TODO FEITO"

Público Online

2025-04-23 21:13:31

Bilionário rejeita que as opções políticas (incluindo o apoio à extrema-direita alemã) tenham causado dano reputacional à Tesla e diz que o futuro da empresa "é mais brilhante do que nunca". Os resultados trimestrais da Tesla comprovaram o quão impopular tem sido para a empresa a aliança de Elon Musk com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No primeiro trimestre, a fabricante de veículos eléctricos registou lucros de 409 milhões de dólares (cerca de 355 milhões de euros), o que representa uma quebra de 71% face ao mesmo período de 2024, quando Musk era apenas o dono da Tesla, da rede social X, da Spacex e da Starlink e não um dos braços direitos de Trump e o líder do DOGE, o Department of Government Efficiency (Departamento de Eficiência Governamental) dos EUA, responsável pelo despedimento de cerca de 260 mil funcionários públicos até agora, segundo a Forbes, e pelo desmantelamento de entidades como a USAID e o Departamento de Educação. O ganho trimestral mais baixo em quase quatro anos foi acompanhado por uma queda de receitas de 9%, para cerca de 19 mil milhões de dólares e a empresa entregou menos 50 mil veículos face ao trimestre homólogo, registando as menores vendas em três anos. Talvez por isso, o empresário tenha feito questão de reiterar que vai começar a afastar-se do seu papel no DOGE a partir de Maio, porque o trabalho de colocar a casa "em ordem", ou seja, reduzir as alegadas gorduras e ineficiências do Governo federal norte-americano, "está quase todo feito". Numa conferência com investidores depois de conhecidos os resultados da Tesla, Musk explicou que "provavelmente a partir do próximo mês de Maio, a sua alocação de tempo ao DOGE diminuirá significativamente". A sua carreira política, com o estatuto de funcionário público especial, só deverá terminar a 30 de Maio, ainda que o empresário tenha assinalado, segundo o jornal britânico The Guardian, que irá manter-se ao serviço de Trump enquanto o Presidente quiser e "for útil". Tesla prepara "um futuro feliz" Apesar de acumularem uma desvalorização em bolsa de 41% desde o início do ano, as afirmações de Musk de que irá gradualmente desvincular-se do DOGE, e o facto de Donald Trump ter garantido que não irá despedir o presidente da Reserva Federal (Fed) norte-americana, valeram às acções da Tesla algum alento. Os títulos subiram quase 5% na terça-feira. Musk reconheceu na chamada telefónica com os investidores que tem havido alguma turbulência e obstáculos no caminho da Tesla, mas garante que está optimista em relação ao futuro da empresa, e que este será "um futuro feliz", muito baseado na capacidade de entregar ao mercado os tão aguardados carros autónomos e outros produtos como robôs humanóides. De acordo com Musk, os carros totalmente autónomos deverão chegar às estradas dos EUA "até ao final do ano" e por isso o futuro da Tesla "é mais brilhante do que nunca". "O valor da empresa é proporcionar uma abundância sustentável com os nossos robôs alimentados por IA [inteligência artificial] a preços acessíveis. Se dissermos qual é o futuro ideal que podemos imaginar, é isso que queremos. Queremos abundância para todos de uma forma sustentável, que seja boa para o ambiente. Basicamente, este é um futuro feliz, este é o futuro mais feliz que se pode imaginar." Segundo a CNN, o bilionário atribuiu os maus resultados trimestrais e a queda nas vendas a um abrandamento económico generalizado e à incerteza dos consumidores, rejeitando que a sua aproximação à Casa Branca (e opções políticas como o apoio expresso à extrema-direita nas eleições alemãs de Fevereiro passado) tenham trazido danos reputacionais à marca Tesla. Os protestos que se multiplicaram nos últimos meses junto a instalações da empresa partiram de manifestantes que beneficiavam do "desperdício e fraude" que o DOGE veio eliminar, disse o empresário sem apresentar qualquer prova que sustente essas afirmações, como a própria CNN sublinha no seu artigo de terça-feira. Na mesma chamada, Musk também considerou que a Tesla será a empresa do sector automóvel menos afectada pelas tarifas comerciais lançadas pela Casa Branca e, embora não tenha criticado abertamente a política de Donald Trump, reconheceu que pessoalmente prefere "estruturas tarifárias previsíveis", assim como "comércio livre e tarifas baixas". "A decisão sobre as tarifas cabe inteiramente ao Presidente dos Estados Unidos", afirmou. "Eu darei o meu parecer. Já disse muitas vezes que a redução dos direitos aduaneiros é uma boa ideia para a prosperidade. Continuarei a defender tarifas mais baixas em vez de tarifas mais altas. É tudo o que posso fazer", afirmou o bilionário, citado pela CNN. tp.ocilbup@otirb.ana Ana Brito