AUTO SHANGHAI APRESENTA-SE COMO NOVO CENTRO NEVRÁLGICO DA INDÚSTRIA
2025-04-23 21:13:33

Com a afirmação das marcas chinesas no resto do mundo, Xangai atrai dezenas de marcas nacionais para mostrar o poder da indústria automóvel do país. Mas não faltam estrangeiros a bater o pé. Há uns anos, não era incomum o Salão Automóvel de Xangai, o Auto Shanghai, passar praticamente despercebido para o resto do mundo, ainda que as presenças estrangeiras, a quererem conquistar uma fatia do enorme mercado chinês, já fosse comum. O paradigma, porém, mudou: com emblemas "made in China" a arriscarem, e com muito sucesso em alguns casos, a expansão para fora de portas, o seu trabalho doméstico passa por provar que ainda conseguem servir o seu mercado. Ao mesmo tempo, as grandes marcas internacionais, das nipónicas Toyota e Lexus à germânica Volkswagen, parecem aceitar a importância deste encontro, reservando para aqui algumas novidades, não só para a China como para o resto do mundo. Por estes dias, há mais de uma centena de modelos a conhecer, de novos a versões actualizadas e melhoradas, com cerca de sete dezenas de marcas a gritarem "presente" no Auto Xangai, a decorrer até 2 de Maio, sendo de esperar que as estrelas do evento sejam a BYD, com a revelação de modelos de produção em massa, mas também com dois concepts arrojados, a fazerem o casamento entre a mitologia chinesa e a cultura do tuning, e com a aguardada estreia do desportivo da Denza; e a Geely, que deverá apresentar, através da sua submarca Zeekr EV, o seu primeiro modelo equipado com a chamada tecnologia de assistência ao condutor de nível 3, o que significa que pode permitir uma condução sem mãos nas auto-estradas e nas ruas da cidade, mas continua a exigir que os condutores estejam atentos à estrada. Entre as estrelas estrangeiras, prometem criar sensação a Toyota, incluindo Lexus, que reservou para esta altura a revelação da nova geração do ES, o que acontece depois de o grupo nipónico ter assinado com o Governo Municipal de Xangai um acordo de cooperação estratégica para a criação de uma nova empresa que se dedicará à investigação, desenvolvimento e produção de veículos eléctricos, conforme noticiou o Global Times; e o Grupo Volkswagen, que promete estrear um sistema de condução autónomo baseado em inteligência artificial, cujo algoritmo foi trabalhado para ambientes de trânsito na China, numa lógica de fazer automóveis pensados para o cliente chinês. Há também estreias a registar, caso da Xiaomi Auto, com as mais recentes tecnologias na era dos veículos conectados, depois de, em Fevereiro, e à semelhança da BYD, a Great Wall e a Chery, terem integrado o modelo de grandes dimensões DeepSeek, acelerando a implementação de sistemas avançados de assistência ao condutor, destaca a Reuters. O momento não só ocorre em plena transformação da indústria como no meio de uma guerra de taxas aduaneiras proteccionistas, começada por Donald Trump. Ainda assim, há quem se mantenha optimista. Zhang Xiang, o presidente do Instituto de Investigação Tecnológica NEV no Colégio Vocacional de Tecnologia de Novas Energias de Jiangxi, disse ontem ao Global Times que, "sendo [a China] o maior mercado mundial de veículos e de novas energias, é uma força dominante na indústria automóvel mundial", considerando que "a sua cadeia industrial completa permite um fabrico eficiente e um acesso fácil às peças para automóveis, reduzindo significativamente os custos de produção". E os exemplos de sucesso não se limitam às marcas nacionais, com Zhang a chamar a atenção para o caso da Tesla, que iniciou a produção na sua nova megafábrica em Xangai, em Fevereiro, apenas oito meses depois do início da construção. De acordo com a Associação de Fabricantes de Automóveis chinesa, a produção e as vendas de automóveis da China em 2024 excederam 31 milhões de unidades, com as exportações a atingirem as 5859 milhões de unidades; a associação prevê um crescimento estável para a indústria automóvel em 2025, com um aumento de quase cinco por cento em relação ao ano anterior. Tecnologia sob mira Mais do que potência, binário ou número de válvulas por cilindro, as marcas prometem debitar, no evento que arranca hoje, informação sobre tecnologia. Mas, no que diz respeito aos sistemas de condução autónoma poderão enfrentar contrariedades. Há menos de uma semana, a China proibiu os termos condução "inteligente" e "autónoma" nos anúncios automóveis. E isso pode ser um problema para uma indústria que se foca cada vez mais na conectividade e na condução automatizada, o que passa por promover os sistemas de assistência ao condutor, que se tornaram uma ferramenta essencial para conquistar novos clientes. No caso da BYD, há o Gods Eye, que se prepara para constar entre o equipamento de série de toda a gama, inclusive nos modelos mais baratos, o que lhe valeu críticas por, com esta inclusão, não haver aumento de preços. Já a Tesla, que tem o Full Self Driving, que ainda não admite a condução autónoma total, ao contrário do que o nome do sistema indica, começou por suspender um teste gratuito, tendo procedido à alteração do nome do software para "condução assistida inteligente". Já a Huawei, que fornece software automóvel e lançou oito modelos em parceria com fabricantes de automóveis chineses, lançou ontem um apelo à prudência na utilização dos seus sistemas de condução assistida, noticiou a Reuters. O PÚBLICO está no Auto Shanghai a convite da BYD tp.ocilbup@oriebir.alrac Carla B. Ribeiro