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“DO CARTOON DE JOSÉ VEIGA À ATUALIDADE DEMOCRÁTICA DO CARTOON” - CARTOONS DO MESTRE VEIGA MOTIVARAM TERTÚLIA ANIMADA NA BIBLIOTECA LÚCIO CRAVEIRO

Diário do Minho

2025-04-30 08:05:05

A Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, em Braga, acolheu, ontem ao fim da tarde, uma tertúlia animada e pedagógica sobre os cartoons do mestre Veiga. Com o tema “Do cartoon de José Veiga à atualidade democrática do cartoon”, os tertulianos abordaram a perícia, acutilância e subtileza do mestre Veiga, que durante vários anos expôs a sua arte sobretudo através das “Bocas do Braguinha”, no Correio do Minho; mas também nos cartazes festivos publicadas no jornal Diário do Minho. A tertúlia, moderada por Helena Pereira, da dst, teve como oradores, Adão Silva, cartoonista colaborador do Diário do Minho; Damião Pereira, diretor do Diário do Minho; Fernando Pinheiro, escritor, encenador e ator; e Paulo Monteiro, diretor do Correio do Minho. O evento foi promovido pelo Arquivo Municipal de Braga, no âmbito das comemorações do 25 de Abril e centenário deste artista bracarense. Durante a sessão, Paulo Monteiro deu conta de como os cartoons do mestre Veiga eram aguardados com expetativa e até ansiedade pelos leitores. Damião Pereira disse que, na atualidade, também os cartoons de Adão Silva são aguardados com expetativa e curiosidade, pelos leitores, mas também por políticos e outros agentes que podem ser “apanhados”. Por seu turno, Fernando Pinheiro, que se pode chamar de um “especialista” dos cartoons de José Veiga, deu os parabéns aos dois jornais locais por apostarem em cartonistas, sabendo que o cartoon pode ser incómodo, sobretudo para os poderes políticos. Aliás, recordou que nos países totalitários a sátira, «que é uma espécie de filha enjeitada da literatura», não é permitida. O cartonista e os diretores dos jornais foram questionados se há limites, quer na criação, quer na publicação. Adão Silva garante que criou os seus próprios limites. Fernando Pinheiro considera que o mestre Veiga era uma «alma enorme, que se ria de si próprio. Um verdadeiro ser livre», que não se furtou à crítica. «Um pintor da alma bracarense», garantindo que os minhotos são «antropologicamente um povo feliz», que é uma herança castreja. Questionado se José Veiga terá espaço no futuro Museu de Braga, Porfírio Correia, diretor do Departamento de Cultura e Turismo da Câmara de Braga, garantiu que sim. Ele e todos os artistas de Braga, precisamente para serem valorizados e revisitados. Francisco de Assis