NINGUÉM TINHA LUZ - MAS A UNIVERSIDADE DE COIMBRA TINHA. MICRORREDE SALVOU O DIA
2025-05-02 21:06:34

Cortesia / UC Sistema de carregamento bidirecional de veículos elétricos (V2G system) Universidade de Coimbra tem microrrede elétrica que substitui os geradores de emergência diesel durante períodos máximos, até 72h. Na segunda-feira, a grande maioria das pessoas que vivem em Portugal e em Espanha ficou sem luz. Foi o maior apagão na Europa de que há memória. Mas houve alguns "sobreviventes": hospitais, hipermercados ou alguns meios de comunicação social, por exemplo. Os geradores iam "aguentando" a energia durante aquelas horas. Também a Universidade de Coimbra foi uma resistente: continuou com luz - mas não foi graças a um gerador. Foi graças a uma microrrede. O Instituto de Sistemas e Robótica (ISR) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) tem uma microrrede elétrica resiliente. Foi desenvolvida no Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (DEEC) da FCTUC. Alexandre Matias Correia, estudante do mestrado em Engenharia Eletrotécnica ISR/FCTUC, explica como funciona: "As microrredes são uma tecnologia que permite ter um sistema elétrico independente da rede elétrica inserido numa área geográfica específica e definida, como, por exemplo, um edifício, bairro ou localidade pequena". "São usadas para fornecer eletricidade em zonas remotas onde a infraestrutura é fraca ou inexistente, para otimizar eficiência energética, custos e integração de energia renovável e, em casos extremos, garantir o fornecimento de energia elétrica aos clientes por si abrangidos quando tudo o resto falha", analisa, em comunicado enviado ao ZAP. Cortesia / UC Esse sistema serve grandes edifícios ou comunidades de energia, que pode garantir o fornecimento elétrico a cargas críticas durante situações extremas ou catastróficas, em que ocorra falha da rede elétrica pública (como no dia do apagão). Ou seja, a segunda-feira passada, dia 28 de abril, foi um dia de teste real: e o sistema foi aprovado. A microrrede conseguiu fornecer eletricidade às cargas críticas do edifício e funcionar de forma autónoma da rede pública. O sistema foca-se na resiliência e está concebido precisamente para fornecer eletricidade a cargas críticas (substituindo os geradores de emergência diesel) durante períodos prolongados de tempo (até 72h). Tem um sistema fotovoltaico dedicado, dois sistemas de baterias, equipamento de potência especializado para gestão e sincronização de rede e carregamento bidirecional para veículos elétricos. O sistema fotovoltaico permite "alimentar a rede elétrica local através da energia armazenada em veículos elétricos o que possibilita aumentar ainda mais a duração do fornecimento de energia elétrica, assim como disponibilizar potência em locais onde a infraestrutura é inexistente ou foi danificada", continua Alexandre Matias. A microrrede tem ainda uma capacidade regenerativa: usa os painéis fotovoltaicos e um sistema de gestão de cargas para recarregar baterias durante o dia, prolongando ainda mais o fornecimento às cargas críticas. Cortesia / UC Sistema de baterias ZAP // Subscreva aqui a newsletter ZAP Siga-nos no WhatsApp Siga-nos no Google News ZAP