GOSTAVA DE NÃO TER RAZÃO - ELEIÇÕES: PEDRO NUNO SANTOS PERDIDO NO SEU LABIRINTO
2025-05-02 21:06:55

JANUS Pedro Nuno Santos continua perdido no seu labirinto, entre convicções frentistas, romantismo revolucionário e interlúdios (breves) de racionalidade e bom-senso. A “entourage" que o elegeu exige que vá à luta e resgate o poder, pois há muitos cargos para distribuir e muitas bocas ávidas para alimentar, já que a ideologia também se faz , só se faz , de pequenos interesses. Entre a ligeireza nas afirmações que vai produzindo, muitas até contraditórias, a falta de argumentos para questões concretas que se Ihe colocam, e uma vida pessoal, agora também escrutinada, que, como todos os mortais, tem sempre “telhados de vidro", nos quais a insídia pode campear (que o diga o profissional da manipulação André Ventura), o Secretário-Geral do Partido Socialista e líder da Oposição, parece apostado em desfazer qualquer perfil que Ihe colocaram para estadista. Tudo isto, apesar da indisfarçável simpatia de grande parte da Comunicação Social Ihe nutre, certamente com a expetativa do regresso dos socialistas ao Poder. O expoente desta autodestruição de competências foi a declaração que deixaria cair O CPI sobre a empresa da família de Montenegro, quando foi sobre este que fez assentar a decisão de rejeitar a moção de confiança do Governo. Logo 24 horas após volta atrás com as declarações e reitera a obsessão com a dita Comissão.com tanta contradição, leviandade e irresponsabilidade, que, aliás já tinha amplamente revelado quando foi Ministro das Infraestruturas , a memória das pessoas é convenientemente curta 7/ vai ser difícil Pedro Nuno Santos vender-se ao país como um candidato a Primeiro-Ministro que inspira confiança, coerência e mais ainda consistência. Tal como já aqui vem sendo dito, aquilo que o vai o induziu a disputar eleições prematuramente, falhando o “timing" por ansiedade e ganância, vai fazê-lo perder tudo, incluindo o próprio partido, a que nunca esteve à altura e menos ainda do país. CHEGA: O PRINCíPIO DO FIM DO EPIFENoMENO Não há dia que O CHEGA não traga uma nova atoarda, especialmente pela boca do seu líder máximo, André Ventura, que as diz de forma mais convicta que todos os demais correligionários, verdadeiros amadores ao pé da sua mestria. O estilo parece estar a esgotar-se, pois o frenesim da atitude, ermanentemente compungido, indignado e disparatadamente agressivo, já não traz novos aderentes à causa e faz muitos antigos devotos regressar a registos mais moderados, desviando os votos para a AD ou a IL, ou simplesmente acomodarem-se na abstenção e nas conversas de café. Um epifenómeno a esgotar-se. Era bom que Portugal exibe-se ao mundo um sinal de moderação e de sensatez. O país precisa de estabilidade, soluções e de ação, pois os desafios são cada vez mais extremos, e não carece de mais ruído e vento. A esquerda radical, apesar da condescendência da Comunicação Social para Ihe dar antena e voz, está em processo de atrofia irreversível; é tempo agora que o radicalismo de direita e do populismo siga o mesmo caminho. Seria um extraordinário sinal de maturidade cívica, que meio século de liberdade e democracia ainda não nos conseguiu outorgar. EXPONOR: “FUTURE SUMMIT” VAI DEBATER A DEFESA A AEP, juntamente com a AIMMAP, a Exponor e o CEIIA, vão organizar no próximo dia 28 de maio, no auditório da Exponor, em Leça da Palmeira, a conferência “FUTURE SUMMIT", integrado na 20e. edição da EMAF, a maior feira ibérica de metalomecânica, equipamentos industriais e tecnologia, dedicando a primeira edição à indústria da Defesa e tendo como “key speaker” Sérgio Sousa Pinto. Nada mais oportuno. Portugal conta ainda com uma base industrial relevante, com “know-how” e tradição produtiva, já desaparecida em muitos países da Europa, a que acrescentou o conhecimento gerado nos centros de saber, desde logo a Academia, sendo a inovação transportada para o chão de fábrica através de interfaces tecnológicos, havendo alguns de referência como o CEIIA, o CITEVE, O CENTI e O CATIM. A despesa com a Defesa e a Segurança pode triplicar em Portugal, não contando, com limites, esta para o défice público. Além disso, a União Europeia prepara um pacote de 800 mil miIhões de euros para auxiliar o rearmamento, utilizando o mecanismo da dívida comum dos fundos “Next Generation”. é uma oportunidade única que vai permitir diversificar os sectores tradicionais de atividades, como a metalomecânica ou têxtil, mas igualmente abrir novas linhas de trabalho nas tecnologias de informação ou nos serviços avançados de logística, entre muitos outros. Seja como for, há que nunca esquecer que a nossa fronteira externa não com a Rússia, como é a fatalidade geográfica dos Estados Membros da União Europeia que se situam a Leste, como a Polónia ou a Roménia ou a Norte, como os Bálticos, mas sim o mar. Temos a especialização óbvia à nossa frente. A segurança do Oceano Atlântico, nas nossas extensas águas territoriais, passa pelas rotas, pelos cabos submarinos e pelos abundantes recursos naturais que aí residem. A nossa posição periférica, pode ser extraordinariamente relevante neste novo quadro geopolítico global, admitindo inclusivamente que o bom-senso regresse a Washington e que a NATO não seja descartada. Seja como for, é de louvar a iniciativa da AEP em colocar o tema, com a habitual propriedade e consistência em discussão pública, para que não escape às agendas do Poder e influencia a política pública. Isto é serviço público de primeira grandeza. CONCLAVE: UM PAPA DE CONTINUIDADE OU DE RETOCESSO? A morte do Papa Francisco traz uma incógnita ao futuro da greja. O seu indiscutível carisma, que o tornou popular e próximo, é a maior condenação que deixa como legado ao seu sucessor. Os candidatos que se apresentam favoritos a Sumo Pontífice do Catolicismo não deslumbra nem trazem sequer curiosidade. Todos parecem demasiado cinzentos para emocionar e, seja quem for escolhido, terá o encargo óbvio de escolher um dos caminhos: continuar a abrir a Igreja a todos, assumindo decisões difíceis, como permitir às mulheres serem sacerdotes e celebrar a missa, ou até terminar com o celibato dos clérigos, ou regressar ao hermetismo do passado, fechando-se às elites conservadoras, defensoras dos dogmas e da pureza da devoção. A Igreja é uma instituição antiga, respeitada e poderosa, reconhecida em todo o mundo, mesmo quando parte dele a hostiliza e até persegue. A eleição do novo Papa terá impacto igualmente nos jogos geopolíticos que se sucedem, podendo influenciar o seu progresso, embora sem se saber ao certo em que sentido e em que medida. A fé católica é claramente mais do que isso, pois não devemos esquecer que O Vaticano também é um Estado e O Papa o seu chefe, projetando influência desproporcionada à sua dimensão territorial, pois estando sedeado em escassos 3kms quadrados e albergando menos de um milhar de cidadãos, no coração da cidade de Roma, tem de facto a tutela de 1,4 biliões de católicos em todo o globo, o que a tornaria a nação mais populosa do planeta. Dizem certas profecias, nomeadamente a de S. Malaquias, que alguns alegam terem sido forjadas para tentar sem sucesso eleger no Conclave de 1590 O Cardeal Simoncelli como Papa, que o 1129 sucessor de s. Pedro, Francisco, seria o último, pelo que cabe, desde já, neste Conclave desmentir o prognóstico apocalíptico, tão ao gosto das teorias de conspiração, que atualmente espalham a desinformação pelo mundo, elegendo um novo Vigário de Cristo, que, mais que tudo o resto, terá a missão suprema de conservar a esperança, de crentes e não crentes, num futuro melhor. EUROPA: UM NOVO RENASCIMENTO A nova ordem internacional, que Trump tornou evidente, mas que estava a formar-se desde há duas décadas, em que a hegemonia da superpotência norte-americana foi dando lugar à multipolaridade, com a emergência da China e da India, o regresso musculado da Rússia, e a afirmação regional de países como a Turquia, o Brasil ou a Coreia, pode ter o mérito de fazer despertar a Europa da sua letargia e da sua perigosa acomodação e declínio. A ameaça russa, nas fronteiras externas da União, o acosso da emigração sem controlo e do constante perigo do extremismo islâmico, a desagregação da NATO com o provável abandono dos EUA, e a perda galopante de competitividade face a outras potências globais, estão a fazer unir a Europa e recentrar as suas prioridades, de que O Relatório Draghi é o melhor documento de análise e plano de intervenção que se produziu recentemente. Não há ameaças que não tragam oportunidades, e estão à vista as que cabem à Europa, o ainda maior mercado do mundo e indiscutível referência civilizacional. Apostar na desburocratização e simplificação, na inovação tecnológica e no conhecimento, de modo que se possa fazer a diferença pelos fatores críticos de competitividade e não pela massificação produtiva e preço, é a fórmula certa para diferenciar pelo valor e gerar riqueza. Não há hoje quem ignore os problemas de que a Europa enferma e não há quem desconheça o essencial da terapêutica, haja agora liderança capaz de executar o que todos já sabemos ser o caminho da redenção e do ressurgimento. Que interessante seria designarmos esta era como de “Novo Renascimento", feita de abertura, tolerância, diversidade, ousadia e progresso, sobretudo quando pode estar em curso a gestão de uma nova era das trevas, pela pressão obscurantista de Trump e seu círculo de poder, que irá abater-se em primeira linha sobre o seu próprio país. TRUMP: 100 DIAS QUE PARECEM 100 ANOS Completaram-se 100 dias da Administração Trump. Cem dias que abalaram o mundo pelas piores razões e que nada mudaram nele, substancialmente, a não ser para pior. Um vendaval no mar não costuma levar barcos a bom porto. Neste período sucederam-se declarações, decisões e comportamentos bizarros, que nos encheram de vergonha alheia. Donald Trump desempenha o seu papel com soberba e jactância, procurando emular outros líderes de regimes autocráticos, como Putin ou Xi Jiping, alheio ao que resto do planeta pensa dele e dos EUA, dirigindo-se exclusivamente à sua base eleitoral, a América profunda e humilhada, que, embora dê sinais de estar a perder popularidade, o continua a suportar fanaticamente, desculpando e justificando sempre a sua ação, por mais disparatada que se afigure. Internacionalmente, não resolveu o conflito em Gaza, pois o cessar-fogo já foi quebrado vezes sem conta, e muito menos a guerra na Ucrânia, apesar de ter prometido que obteria um cessar-fogo em 24horas; ora, 100 dias depois, já somam 2400 horas sem um vislumbre de acordo de paz, o que o traz profundamente desagradado e vexado, a ponto de colocar obtusamente as responsabilidades da guerra em Zelensky e na Ucrânia, embora tenha sido esta a ser invadida e brutalizada! Todavia, para lá de milhares de pequenos e grandes factos que originou, na maioria destetáveis, a promoção de uma guerra comercial global, denominada cinicamente “Dia da Libertação", impondo pesadas tarifas aduaneiras a praticamente todos os países, com particular enfâse na China, foi a marca mais significativa deste centenar de dias de Administração, que gerou uma enorme instabilidade internacional, fez derrubar as bolsas e alertou o mundo para a alta probabilidade de uma nova crise económica e financeira internacional. Aplicar tarifas, suspender tarifas, aumentar tarifas, diminuir tarifas: é um frenesim permanente que traz todos os agentes económicos em alvoroço sem se perceber qual o sentido último das medidas, embora seja certo que o crescimento global será afetado e que as tensões inflacionistas podem estar de volta. Cem dias que parecem cem anos. Não é certo que o mundo aguente outros cem dias iguais. LAPIDAR “Nada é mais terrível do que ver a ignorância em açãol” (Johann Goethe)