BILL GATES ACUSA ELON MUSK DE MATAR CRIANÇAS MAIS POBRES COM CORTES NA USAID
2025-05-08 21:03:56

O co-fundador da Microsoft afirmou, em entrevista ao Financial Times, que Musk não compreende o que a USAID faz ou como opera, acusando-o de ignorância. Bill Gates acusou Elon Musk de "matar as crianças mais pobres do mundo", numa crítica feita aos cortes na ajuda externa e no apoio ao desenvolvimento prestada através da agência governamental USAID, em entrevista ao Financial Times. O co-fundador da Microsoft acusou Musk, que criou o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), de não compreender "o que a USAID faz ou como opera", realçando que "a brusquidão dos cortes levou a que alimentos e medicamentos essenciais expirassem em armazéns, podendo provocar o reaparecimento de doenças como o sarampo, HIV e a poliomielite". Gates, que já foi o homem mais rico do mundo, disse também que Musk agiu com ignorância, destacando o corte de financiamento a um hospital da província de Gaza em Moçambique, que evita a transmissão de HIV de mães para bebés. Musk teria acreditado, erradamente, que os EUA estavam a fornecer preservativos ao Hamas, em Gaza na Palestina. Em Fevereiro, Musk reconheceu que confundiu a Gaza de Moçambique com o território palestiniano, admitindo que "algumas coisas que disse estão incorrectas". "A imagem do homem mais rico do mundo a matar as crianças mais pobres não é nada bonita", afirmou Bill Gates ao jornal britânico. Bill Gates e Elon Musk já se desentenderam em 2012, quando Musk aderiu ao Giving Pledge, lançado por Bill Gates, Melinda Gates e o investidor Warren Buffett, no qual dezenas de milionários se comprometeram a doar pelo menos metade da sua fortuna. O actual homem mais rico do mundo disse na altura que soluções comerciais para problemas como as alterações climáticas, como os veículos eléctricos da Tesla, eram mais eficazes que a filantropia, considerando esta "uma treta", segundo o biógrafo Walter Isaacson, citado pelo Financial Times. Em 2022, segundo Isaacson, Bill Gates teria apostado contra as acções da Tesla. Elon Musk acusou o co-fundador da Microsoft de hipocrisia, por tentar lucrar à custa de uma empresa que segundo ele, procurava fazer o bem. Sobre Donald Trump, Gates foi menos longe, afirmando que este não compreendeu o impacto dos cortes e admitindo a possibilidade de alguns serem revertidos. A Fundação Gates é uma entre muitas que receiam que o Presidente dos EUA possa retirar-lhes o estatuto de isenção fiscal através de uma ordem executiva. Bill Gates criticou ainda a nomeação de Robert F. Kennedy Jr. para secretário da Saúde, dizendo que Kennedy "atacou as vacinas e, em particular, o meu papel... com inúmeras falsidades". Na quinta-feira passada, Bill Gates anunciou os seus planos para gastar praticamente toda a sua fortuna nos próximos 20 anos. A Fundação Gates vai encerrar em 2045, décadas antes do previsto. Durante os próximos anos, Gates estima gastar mais de 200 mil milhões de dólares em saúde global, desenvolvimento e educação - o dobro dos 100 mil milhões dos últimos 25 anos. A aceleração no investimento, segundo Gates, tem o objectivo de maximizar o impacto e procurar soluções definitivas, como a erradicação da poliomielite e a cura do HIV. "Teremos muito mais recursos porque vamos gastar tudo ao longo de 20 anos, em vez de tentar ser uma fundação perpétua", afirmou Bill Gates. Contudo, advertiu que "a filantropia privada não poderá compensar o défice provocado pelos cortes à USAID, cujo orçamento foi de mais de 44 mil milhões no último ano". tp.ocilbup@acnelav.adiragram Margarida Valença