VINAGRETAS - TERÁ SIDO UM SONHO?
2025-05-08 21:04:18

A passada quinta-feira, 1 de Maio, foi dia de dupla celebração: os jardins da residência ofcial do Primeiro-Ministro abriram-se para assinalar o 25 de Abril e o 1.º de Maio. A iniciativa, intitulada “São Bento em Família”, levou a sua designação muito a sério já que, de facto, pareceu uma tarde em família. Ora, vejamos: o programa incluía um mini concerto de Tony Carreira que, por si só, já é uma fgura que faz parte das nossas casas de tantos que são os anos de cantorias que nos tem dado. A juntar a isto, o evento atingiu o seu pico de familiaridade quando Luís Montenegro se decidiu juntar ao artista e, a uma só voz, cantaram os “Sonhos de Menino”. O momento tornou-se, rapidamente, viral em todos os órgãos de comunicação e os portugueses não tardaram a dar a sua opinião sobre os dotes vocais do Primeiro-Ministro. Houve quem perguntasse “onde se carrega para que haja um novo apagão?” e quem falasse em “campanha política que anulou as celebrações”. Uma coisa é certa: o país não estava preparado para ouvir Montenegro cantarolar “e hoje a cantar, em cada canção, trago esse lugar, no meu coração”. Não sabemos se o lugar que traz no coração é o Governo e, por isso, está a fazer de tudo para por lá continuar, ou se, na verdade, gostaria de ter enveredado por uma carreira artística. No entanto, de uma coisa temos a certeza: não foi um sonho. Foi bem real. Luís Montenegro brindou mesmo Portugal com uma actuação que vai fcar para a história. E POR FALAR EM ARTISTAS... Donald Trump continua a dar que falar, ou não fosse ele... o Donald Trump. O Presidente norte-americano declarou, recentemente, que gostaria de ser pontífce. Embora não tenha mostrado preferência em suceder ao Papa Francisco, garantiu que o desejo está lá. “Gostaria de ser Papa. Essa seria a minha escolha número um”, afr-mou, na Casa Branca. Talvez estivesse a sonhar, como Tony Carreira e Luís Montenegro, quando proferiu tais palavras. Ou então não. A verdade é que os valores que tem mostrado deixam algumas dúvidas quanto à sua credibilidade para se tornar Papa, afnal, como diria Francisco, este deve ser alguém que está lá para “todos, todos, todos”. Já Trump, parece estar só para alguns. Recorde-se que o conclave para eleger o próximo pontífce arrancou, ontem (7), na Basílica de São Pedro em Roma. E, sim, podemos respirar de alívio: Donald Trump não integra a lista. FEIRAS: O CLÁSSICO PALCO DE CAÇA AO VOTO As redes sociais são o último grito da moda para muitos partidos e políticos. A tecnologia e rapidez com que se consegue fazer chegar a mensagem às massas são ferramentas que, grosso modo, todos em Portugal têm aproveitado. Mas, ainda assim, os métodos clássicos de propaganda continuam a fazer parte da lista. Senão vejamos a oportunidade não desperdiçada na Ovibeja, a grande feira agropecuária do País, que se realizou entre 30 de Abril e 4 de Maio. Quase todas as forças políticas por lá passaram, levando grandes grupos de apoiantes, e parando em cada capelinha. Os discursos vinham todos ensaiados ao milímetro, com a Agricultura como urgência e prioridade máxima. Entre provas de enchidos e vinhos, lá seguiam caminho, numa festa imparável e que tem como objectivo captar mais uma mão cheia de votos, se possível. Até os candidatos e putativos candidatos às presidenciais de 2026 não quiseram fcar de fora, como Luís Marques Mendes e Gouveia e Melo. O actual inquilino do Palácio de Belém, que nestes últimos tempos tem andado em recato, também fez a sua aparição, que alegadamente não estava no calendário. Tentando escapar à euforia que noutros tempos não dispensava, acabou por se cruzar com a comitiva do Chega, e evitando males maiores, lá vimos Marcelo e Ventura na amena cavaqueira do costume. Tudo isto culmina na velha história de sempre: as feiras ainda são o clássico palco para fazer campanha e que nunca sai de moda! É DIFÍCIL SER?SE JOVEM Quem nunca, na inocência da sua tenra idade, ouviu a célebre frase: “não tenhas pressa de crescer. Aproveita enquanto podes”? Praticamente todos os que, hoje, são adultos. Contudo, nem sempre ser criança é fácil e, por vezes, dá mesmo vontade de passar alguns capítulos à frente e enveredar, rapidamente, pela vida adulta. Que o digam os pequenos que, na semana passada, participaram no “Nakizumo”, um concurso de choro de bebés, no Templo Sensoji, em Tóquio. O evento pôs 160 bebés a competir para ver quem chora primeiro e mais alto. Isto é, o contrário do que costumamos fazer em nossas casas, quando a meta é que a criança adormeça o mais rapidamente possível para podermos voltar ao maravilhoso silêncio. No caso da competição japonesa, a justifcação por detrás da tradição deste concurso é a de que se está a celebrar “a saúde e o crescimento”. Bom, com certeza não será a saúde dos ouvidos de quem lá está a assistir e, crescimento, só se for das dores de cabeça... Ah! Importa ainda mencionar que as crianças são seguradas por lutadores de sumo amadores. O porquê? Não sabemos. Talvez acreditem que a imagem as leve às lágrimas mais depressa. v i n a g r e t a s UM PAÍS EM CAMPANHA: A EXCEPÇÃO VIROU ROTINA Pouco mais de um ano depois de o País ter ido a votos, estamos de novo em campanha. O quadro parlamentar português mudou, com novas forças políticas a entrarem no jogo e a mudarem o desenho e confguração do Parlamento. Outras, clássicas, perdem gás (como o PCP e o Bloco de Esquerda), que nestas legislativas de 18 de Maio estão obrigados a perceber as causas da perda de terreno eleitoral nos últimos anos. Por estes dias, os portugueses contam, de novo, com arruadas, jantares-comício, bandeiras a esvoaçar e máquinas partidárias ao rubro. O País político regressa à rua numa excepção que virou rotina. Nesta edição, o “Campeão” falou com vários partidos antecipando propostas e visões para Portugal. É tempo de esclarecer o eleitorado, com ideias, pensamentos e acções concretas. Tememos apenas que redunde novamente no cenário habitual de “mais do mesmo”. Veremos se esta campanha se centrará realmente nos problemas estruturais do País ou se se resumirá apenas a temas da espuma dos dias, em casos e casinhos, e que em nada dignifcam a responsabilidade que têm em mãos. O cansaço afasta as pessoas e o desafo de combater a abstenção continua em cima da mesa. Num tempo em que a incerteza internacional está aí e que pode, sem dúvida, contaminar Portugal, precisamos de quem nos devolva a esperança. Serão capazes? APAGOU?SE A LUZ, ACENDEU?SE O RÁDIO O apagão que afectou Portugal, durante cerca de 10 horas, levou os consumidores a comprarem em massa soluções para garantir autonomia face a emergências. Segundo o comparador de preços KuantoKusta, entre os produtos mais requisitados pelos portugueses para enfrentar falhas de eletricidade destacam-se os rádios, com mais 4.594%, o que diz bem da importância deste meio de comunicação, que só valorizávamos quando se ouvia no carro. Em casa, com pilhas, dá muito jeito para saber o que se passa. Mas este não foi o único artigo mais procurado, porque na lista seguem-se os powerbanks (+ 1.728%), úteis para carregar os telemóveis, e os fogões portáteis (+ 348%) a gás, para possibilitar cozinhar quando não há electricidade. Perante estes dados, a plataforma realçou que especialistas em protecção civil reforçam a importância de manter kits de emergência actualizados, com rádios, lanternas, pilhas e meios alternativos para cozinhar, especialmente perante eventos inesperados como o que aconteceu em Portugal e Espanha. Como se percebe, as pessoas não vivem só de latas de conserva QUE P*TA DE EMBARAÇO! Oliveira do Hospital apresentou esta semana o cartaz musical de mais uma edição da EXPOH, certame que a cidade acolherá entre 23 e 27 de Julho próximo. Entre mais de duas dezenas de artistas e grupos nacionais, vários de renome, delineados para cinco noites de actuações, surgiu um que causou embaraço ao presidente da Câmara Municipal no momento de o revelar na conferência de imprensa realizada na passada terça-feira. Tudo corria a preceito até à programação do dia 27, quando a seguir aos Calema, surge no cartaz os P*ta da Loucura . Constrangido, José Francisco Rolo lá disse o nome do duo lisboeta com as letras todas. Mas quando, mais adiante, quis repetir o cartaz, o autarca hesitou, hesitou e saiu apenas um “ da Loucura”. Nomes flhos da mãe, terá pensado Rolo. POUCOS RECURSOS, OU GASTAMOS MUITO Na passada segunda-feira, Portugal esgotou os recursos naturais que tinha disponíveis para este ano, 23 dias mais cedo que em 2024, começando a partir daquela data a consumir “a crédito”. Estes são dados da organização internacional “Global Footprint Network”, signifcado que os recursos do planeta disponíveis para este ano terminariam a 5 de Maio se todas as pessoas do mundo consumissem como os portugueses. E de ano para ano a coisa parece estar a piorar, porque no ano passado Portugal atingiu o chamado dia da sobrecarga a 28 de Maio e agora, em 2025, recuou 23 dias no calendário e está a consumir recursos mais rapidamente. A este propósito, a associação ambientalista Zero avisa que se cada pessoa do planeta vivesse como uma pessoa média portuguesa a humanidade precisaria de cerca de 2,9 planetas para sustentar as suas necessidades de recursos. “Portugal é, já há muitos anos, defcitário na sua capacidade para fornecer os recursos naturais necessários às actividades desenvolvidas (produção e consumo)”, diz a associação, recordando que o resultado aproxima Portugal da média da União Europeia (UE) que teve o seu dia de sobrecarga no dia 29 de Abril. A associação diz que o modelo de produção e consumo que suporta o estilo de vida dos portugueses é responsável pelo desequilíbrio, explicando que o consumo de alimentos (30% da pegada global do país) e a mobilidade (18%) estão entre as actividades humanas diárias que mais contribuem para a Pegada Ecológica de Portugal. Cada português, diz ainda a Zero, pode contribuir privilegiando o uso de transportes públicos, consumindo de forma mais circular (não usar e deitar fora), e reduzindo o consumo de proteína animal. Mas não estamos sozinhos! O primeiro país a esgotar os recursos este ano foi o Qatar, logo em 6 de Fevereiro, com o Luxemburgo em segundo lugar, consumindo tudo a 17 de Fevereiro. No lado dos países que conseguem poupar mais os seus recursos destaca-se o Uruguai, que apenas esgota os que lhe estão destinados a 17 de Dezembro, e a Indonésia, a 18 de Novembro. O MUNDO A OLHAR PARA UMA CHAMINÉ A chaminé da Capela Sistina, no Vaticano, já está montada e é através dela que será anunciado ao mundo o resultado da eleição do novo Papa, com fumo preto se ainda não foi tomada qualquer decisão, com fumo branco se o novo Papa já tiver sido eleito. O conclave onde o próximo Papa vai ser eleito começou ontem e as votações decorrem em segredo, na Capela Sistina, sob regras restritas de segurança e isolamento. Os 252 cardeais da Igreja foram chamados ao Vaticano logo após a morte de Francisco e há 135 cardeais eleitores, com menos de 80 anos, mas o Vaticano indicou que dois não vão participar no conclave por estarem doentes, pelo que só 133, que já estão em Roma, deverão participar. A palavra conclave vem do latim “cum” (com) e “clavis” (chave), ou literalmente “local fechado à chave”, com as deliberações a serem realizadas no maior segredo, sob pena de excomunhão. A maioria dos cardeais fca alojada na Casa Santa Marta, no Vaticano, mas não podem ler jornais, ouvir rádio ou ver televisão. A Internet está igualmente proibida, tal como telefones, excepção feita para “razões muito graves e urgentes”. Se no século XIII foram precisos cerca de três anos para escolher o Papa Gregório X, naquele que foi o mais longo conclave até agora, as reuniões modernas duram apenas alguns dias. Em 2013 e em 2005, François e o antecessor Bento XVI foram eleitos ao fm de dois dias de votações. Para eleger o sucessor do Papa Francisco, vamos ver quanto tempo será preciso. HÁ QUEM FALE PELA CALADA A Associação Académica de Coimbra (AAC) tinha na Praça D. Dinis uma estrutura comemorativa dos 56 anos da Crise Académica de 1969, lembrando os acontecimentos de 17 de Abril desse ano do século passado, quando Alberto Martins, em nome dos estudantes, pediu a palavra e a sua intervenção foi recusada pelas altas fguras do regime ditatorial da altura. Acontece que na passada semana os painéis evocativos foram destruídos, com a Direcção-Geral da AAC a referir que “qualquer acto de vandalismo não tem lugar numa sociedade democrática, livre, plural e tolerante, tal como nos valores de Abril. “É de lamentar que os valores da liberdade de expressão e de manifestação sejam postos em causa por actos de vandalismo cobardes, com um intuito meramente destrutivo”, refere a DG da AAC, com a estrutura estudantil a reafrmar o seu compromisso em “celebrar Abril e o seu legado de forma livre, plural e inclusiva, com toda a comunidade académica”. “Actos como os ocorridos não servirão de entrave à liberdade de expressão da Associação Académica de Coimbra”, sustenta, num tempo em que tantos falam e não dizem nada, enquanto outros mais valia estarem calados. DESERÇÃO À BEIRA?MAR O PS da Figueira da Foz apostou num militar como candidato à presidência da Câmara Municipal, para fazer frente a Pedro Santana Lopes nas próximas eleições autárquicas. Para esta “guerra”, os socialistas fgueirenses não encontraram no seu seio gente com vontade de ir à luta e a indigitação recaiu em Vítor Rodrigues, mas o ex-militar acaba de desistir da missão de que foi incumbido. O processo volta à estaca zero e a líder concelhia, Raquel Ferreira, volta a ter a “criança” nas mãos, enquanto o líder da Federação, João Portugal, parece assobiar para o lado. Depois do candidato socialista à Câmara de Vila Nova de Poiares ter também renunciado, juntou-se agora o da Figueira da Foz, aguardando-se para ver se o ditado se cumpre: “Não há duas sem três”! ACADÉMICA MUITO BRIOSA As eleições para os corpos sociais da Associação Académica de Coimbra - Organismo Autónomo de Futebol (AAC-OAF) estão marcadas para 1 de Junho e a entrega de candidaturas decorre até ao próximo dia 17. O clube tem passado maus momentos, com a equipa principal de futebol a ter caído da I Divisão para a Liga III e as difculdades a avolumarem-se. Mas algo despertou no seio dos academistas, pois enquanto ainda não se sabe se o actual presidente da Direcção (Pedro Ribeiro) se recandidata já há três candidatos anunciados. Rui Sá Frias, vice-presidente da área fnanceira e administrativa da actual Direcção da AAC-OAF fez a apresentação pública da sua candidatura às eleições dos órgãos sociais, com uma lista com o lema “Seremos de Novo Briosa”, composta pelos candidatos Manuel Rebanda à presidência da Assembleia-Geral, António Pinto Monteiro a Conselho Fiscal, Ricardo Roque a Conselho Académico e Margarida Mano a Provedora do Sócio. Outro candidato à presidência da Direcção da AAC-OAF é Fernando Lopes, consultor empresarial, que se apresenta com o lema “Ser Académica”. Para as eleições também já anunciou a candidatura à presidência da Direcção o médico dentista Joaquim Reis, Sob o lema “Construir o Futuro”. Por este número de candidaturas adivinha-se um “jogo” mais bem disputado do que no relvado.