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HABITANTE MÉDIO TEM TRÊS CARTÕES, FAZ MAIS DE UM PAGAMENTO POR DIA E USA UM CHEQUE POR ANO

Negócios Online

2025-05-08 21:05:02

A utilização dos instrumentos de pagamento eletrónicos cresceu 11,2% em quantidade e 6,6% em valor, sendo que a subida foi liderada pelas transferências imediatas. Os cartões foram o instrumento de pagamento eletrónico mais utilizado, tendo correspondido a 89,5% do número de pagamentos. O crescimento económico em Portugal fez aumentar, no ano passado, os pagamentos, que estão cada vez mais digitais. Foram processadas 4,7 mil milhões de operações, o que representa um crescimento de 11,2% face a 2023. Já em valor houve um aumento de 4,9% para 776,7 mil milhões de euros. O uso de cartões é cada vez mais expressivo, enquanto os cheques perdem peso. Cada habitante em Portugal realizou, em média, 395,3 pagamentos com cartões, 22,8 com débitos diretos, 21 com transferências a crédito, 1,8 com transferências imediatas e 0,8 com cheques. Em valor, cada habitante gastou, em média, 19,6 mil euros com cartões, 4 mil euros com débitos diretos, 41,8 mil euros com transferências a crédito, 2,7 mil euros com transferências imediatas e 4,9 mil euros com cheques, segundo mostra o Banco de Portugal (BdP), no relatório dos sistemas de pagamentos divulgado esta quinta-feira. "Os instrumentos de pagamento eletrónicos foram utilizados em 99,8% dos pagamentos de retalho efetuados sem recurso a numerário. O recurso a instrumentos de pagamento em papel (cheques e efeitos comerciais) voltou a diminuir, gerando apenas 0,2% das operações processas no SICOI [Sistema de Compensação Interbancária]. Os cheques foram o instrumento de pagamento cuja utilização mais diminuiu, tanto em quantidade (-18,3%) como em valor (-13,7%). Ainda assim, em valor, corresponderam a 6,7% do total processado", indica o supervisor. A utilização dos instrumentos de pagamento eletrónicos cresceu 11,2% em quantidade e 6,6% em valor, sendo que a subida foi liderada pelas transferências imediatas, com aumentos de 46,4% em quantidade e 47,2% em valor. Este salto poderá estar relacionado com o fim das comissões para este tipo de operação. O BdP ressalva, contudo, que apesar do crescimento acentuado, estas operações continuaram a ter um peso diminuto no total de operações processadas: 0,4% em quantidade e 3,6% em valor. 46IMEDIATAS No ano em que foram vedadas as comissões às transferências imediatas, o número de operações deste tipo cresceu 46,4%. Os cartões foram o instrumento de pagamento eletrónico mais utilizado, tendo correspondido a 89,5% do número de pagamentos, o que compara com 88,9% em 2023. No final de 2024, existiam 30 milhões de cartões de pagamento ativos, emitidos por prestadores de serviços de pagamento (PSP) residentes em Portugal, mais 10,1% do que no ano anterior. Ou seja, em média, cada habitante detinha 2,8 cartões de pagamento. A tecnologia "contacless" também tem vindo a tornar-se mais frequente. O número de cartões que a tem aumentou 6,9%, para 25,5 milhões e, no final do ano, 91% dos cartões e 93% dos terminais de pagamento automático (TPA) no país estavam habilitados a utilizá-la. Face a esta evolução, os pagamentos com "contactless" cresceram 24% em quantidade e 26,9% em valor. Esta tecnologia foi utilizada em 1,4 mil milhões de operações, com um valor médio por transação de 25,4 euros. Mais de metade (56,7%) das compras com cartão foi feita com "contactless", principalmente no comércio a retalho e na restauração. As compras online com cartões nacionais cresceram igualmente: 37,2% em número e 38,3% em valor. Este tipo de compras representou 18% da quantidade e 21,6% do montante agregado de compras efetuadas com cartões emitidos em Portugal (mais 2,3 pontos percentuais e mais 3,6 pontos percentuais do que no ano anterior). As compras online feitas com cartões nacionais em comerciantes localizados fora de Portugal corresponderam a 55,7% do número e 59% do valor total. O Banco de Portugal indica ainda que "a fraude nos pagamentos eletrónicos em Portugal manteve-se muito reduzida, apesar de ter aumentado ligeiramente". No primeiro semestre de 2024, os cartões foram o instrumento com maior taxa de fraude, com 129 operações fraudulentas por cada milhão de transações. Nas transferências a crédito foram 16 fraudes por cada milhão de operações e, nos débitos diretos, 0,4 operações fraudulentas por cada milhão. "Nas operações com cartão em que foi aplicada a autenticação forte do cliente, a taxa de fraude manteve-se muito inferior à observada nas operações sem esse tipo de autenticação. A emissão de uma ordem de pagamento pelo infrator continuou a ser o tipo de fraude mais comum nestas operações. Nas transferências a crédito, o tipo de fraude mais frequente passou a ser a emissão de uma ordem de pagamento pelo infrator, em vez da manipulação do ordenante pelo infrator, como acontecia anteriormente. Para este facto terá contribuído a disponibilização, pelo Banco de Portugal, da funcionalidade de confirmação de beneficiário/devedor, que passou a permitir ao ordenante verificar o beneficiário dos fundos antes de autorizar transferências a crédito e transferências imediatas", acrescenta. 129FRAUDE No primeiro semestre de 2024, em cada milhão de operações com cartões houve 129 fraudes. Leonor Mateus Ferreira leonorferreira@negocios.pt Leonor Mateus Ferreira leonorferreira@negocios.pt