FOYER OU COMO UMA EXTENSÃO DE UM EDIFÍCIO PODE TRANSFORMAR USOS
2025-05-08 21:07:19

O volume foi introduzido numa casa de quatro metros de largura e dois pisos no Porto, que, não só criou um novo espaço de fruição, como, também, promoveu para a requalificação do edificado já existente. Da autoria de José Pedro Lima, o “Pavilhão de Jardim. Forma | Foyer”, venceu, assim, a segunda edição do “Prémio Manuel Graça Dias dst Ordem dos Arquitectos, Primeira Obra” Foyer , espaço de transição entre aentrada de um edifício e o ambiente principal, que pode, também, ser visto como um hall de entrada ampliado, onde as pessoas podem circular entes de entrarem no edi-fício principal. Esta é a definição oficial e que parece ser certeira no que diz respeito ao novo volume que foi introduzido numa casa já existente no Porto, promovendo a sua requalificação e, cuja obra, venceu a segunda edição do “Prémio Manuel Graça Dias dst Ordem dos Arquitectos, Primeira Obra”. O “Pavilhão de Jardim. Forma | Foyer”, da autoria do jovem arquitecto José Pedro Lima destacou-se pela abordagem "consistente, equilibrada e madura”, demonstrando "grande qualidade” para uma primeira obra de arquitectura, referiu o júri composto pelos arquitectos Egas José Vieira, enquanto presidente, José Manuel Carvalho Araújo e Patricia Rocha Leite. Por sua vez, e a propósito da escolha do vencedor, José Teixeira, presidente do dstgroup, considera que "as cidades precisam cada vez mais de arquitectura que entendam as pessoas” e que “destruam os muros diáfanos que segregam e colocam uns contra os outros”, na medida em que “a arquitectura pode resolver muitos mais problemas sociais do que resolve”, afirma. Além da obra vencedora, o júri também destacou, por unanimidade, as obras, "Casa Aurora” de André Azevedo, “Casa Luzim” de Juliano Ribas e Cíntia Guerreiro, e “Ladeirinha” de Elói Gonçalves, seleccionadas entre um total de 32 candidaturas. NOVA “CENTRALIDADE” Segundo o arquitecto, a casa e o terreno existentes "imediatamente" sugeriram “pistas” para a implantação deste “novo corpo habitável”. Sem querer parecer uma "marquise", o arquitecto optou por colocar o novo volume num extremo do lote, mais a Sul. De carácter “menos convencional”, este "redefine a relação entre a habitação principal e o jardim", como uma nova “centralidade” entre duas construções e “cuja volumetria permite uSoS que não caberiam numa casa num lote típico do Porto, com quatro metros de largura e dois pisos”, explica José Pedro Lima. Com a maquete, os proprietários perceberam que este pavilhão poderia ter valências de fruição, e não ser meramente utilitário, então o espaço principal, que outrora seria destinado às lides domésticas, tem agora, também, o uso de espaço de leitura, como uma extensão da sala pelo jardim. O objecto é uma peça de um só material , betão branco simplificando os processos, técnicas de construção e a velocidade de execução da obra. Tudo o resto na construção deveria realçar esta premissa. Não há isolamento, vedantes, ou instalações mecânicas de elevada com-plexidade. A canalização está à vista, e a caixlharia é em ferro tratado. o uso do betão branco, especialmente através da sua depuração e estereotomia, pretende evocar o carácter de abrigo, no seu sentido primitivo. A estratégia de projecto queria, afirmadamente, marcar o seu carácter contemporâneo e dis-tintivo, mas com uma escala adequada, quando confrontado com a sempre difícil envolvente de interior de quarteirão na cidade do Porto. Uma “simplicidade" que contrasta com o “uso expressivo da cor” nas paredes do pátio e que alia o conforto a um ambiente intimista e familiar. RE Foyer ou como uma extensão de um edifício pode transformar usos 12-14 O uso do betão branco, especialmente através da sua depuração e estereotomia, pretende evocar o carácter de abrigo, no seu sentido primitivo. Uma “simplicidade” que contrasta com o “uso expressivo da cor” nas paredes do pátio e que alia o conforto a um ambiente intimista e familiar BIO Com atelier próprio desde 2020, José Pedro Lima desenvolve projectos de arquitectura em diferentes regiões do Pais. O seu trabalho abrange programas de intervenção em património, projectos culturais, habitação unifamiliar e coletiva, bem como pequenos empreendimentos turísticos. e. também, professon assistente convidado no Departamento de Arquitectura da Universidade de Coimbra. CIDÁLIA LOPES