PREPARAR O FUTURO É AGIR NA CIDADE DO PRESENTE
2025-05-15 21:06:11

A cidade do futuro deverá ser capaz de incorporar a natureza em toda a sua dimensão, mas deve também atender à nossa dimensão humana e social. Até ao dia 27 de maio, data em que o Observador organiza a Cimeira das Cidades, publicamos vários artigos sobre os desafios das urbes do futuro. A entrada no evento é gratuita, mediante inscrição, que pode ser feita AQUI. Os tempos são de incerteza e, num mundo em rápida transformação, antecipar os desafios futuros é uma tarefa hercúlea. Quando olhamos para o tema do ambiente, o cenário é ainda mais desafiante, no entanto, sabemos já que a solução para um futuro mais resiliente e sustentável passa inevitavelmente pela ação nos centros urbanos. Na História da Humanidade, as cidades têm estado no cerne da questão. É onde a vida das pessoas acontece e, por isso, não há como preparar o futuro sem agir nas cidades do presente. As cidades que se estão a preparar para o futuro apostam hoje na transição energética, na economia circular e na mobilidade sustentável. Olham com atenção para a valorização dos recursos hídricos, promovem a renaturalização do ambiente urbano, a regeneração dos ecossistemas e da biodiversidade, e tiram o melhor partido das novas tecnologias para tornar a sua gestão mais eficiente. Vemos bons exemplos por todo o mundo: os bairros de energia positiva, a “cidade dos 15 minutos”, a integração de soluções baseadas na natureza, as smart cities ou outras abordagens inovadoras, como o animal aided design, são apenas algumas materializações de uma aprendizagem que resulta dos milhares de anos de crescente urbanização e da necessidade atual de um desenvolvimento mais alinhado com o equilíbrio do nosso planeta. A cidade do futuro deverá ser capaz de incorporar a natureza em toda a sua dimensão, mas deve também atender à nossa dimensão humana e social. Tem de proporcionar as condições para o nosso bem-estar físico e mental, dar-nos as oportunidades para uma vida próspera e para a concretização do projeto de felicidade pessoal de cada um. Uma governança eficiente e a implementação de políticas públicas de ambiente eficazes são fundamentais para um desenvolvimento mais sustentável. Tal significa trabalhar os territórios para garantir o acesso das populações aos recursos necessários, sem comprometer a independência energética e adaptando os sistemas às necessidades de mobilidade; requalificar linhas de água e cuidar dos espaços verdes, trazendo a natureza de volta ao meio urbano e mantendo as ruas limpas para proporcionar espaços públicos de qualidade, onde novos e velhos possam brincar e conviver; melhorar a recolha de resíduos para incentivar a uma economia mais circular e com menos desperdício; tornar o território cada vez mais resiliente aos riscos das alterações climática; promover a melhoria do desempenho energético das nossas casas para acelerar a neutralidade climática e, ao mesmo tempo, combater o flagelo social que é a pobreza energética; e colocar as novas tecnologias ao serviço da gestão urbana, recolhendo dados e transformando-os em informação que nos ajuda a tomar as melhores decisões. Assim, estamos seguros de estar a construir um território cada vez mais resiliente e à prova de futuro. Nesta espécie de contrato de coexistência entre o homem, o urbano e a natureza, está o impulso de que necessitamos para a mudança. Há, nas áreas urbanas, um enorme potencial para levar a cabo essa transformação. O grande desafio está em conseguir desbloqueá-lo. Felizmente, as cidades oferecem-nos imensas oportunidades para o fazer. Luís Almeida Capão é licenciado em Engenharia Florestal e mestre em Sistemas de Informação. Diretor municipal de Ambiente e Sustentabilidade na Câmara Municipal de Cascais, onde coordena as políticas locais de ambiente, é também presidente do Conselho de Administração da Cascais Ambiente , EMAC. Luís Almeida Capão Diretor de Ambiente da Câmara Municipal de Cascais Luís Almeida Capão